VITOR DIAS TROVAO

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Nome: TROVÃO, Vitor
Nome Completo: VITOR DIAS TROVAO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
TROVÃO, VÍTOR

TROVÃO, Vítor

*dep. fed. MA 1979-1991; const. 1987-1988.

 

Vítor Dias Trovão nasceu em Axixá (MA) no dia 15 de junho de 1921, filho de Alexandre Mamede Trovão e de Maria José Dias Trovão.

Transferindo-se para São Luís, fez o curso ginasial no Liceu Maranhense. Industrial e pecuarista, ingressou na política filiando-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido que dava apoio ao regime militar instaurado no país após a vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964 que depôs o presidente João Goulart. Nessa legenda foi eleito prefeito de Coroatá (MA) em novembro de 1966, tomando posse em janeiro do ano seguinte. Ficou no cargo até janeiro de 1971, retomando em seguida suas atividades no campo da indústria e da pecuária.

Voltou a concorrer a cargo eletivo nas eleições de novembro de 1978, quando se elegeu deputado federal na legenda da Arena, assumindo sua cadeira na Câmara dos Deputados em fevereiro do ano seguinte. Passou a integrar, como titular, a Comissão do Interior e, como suplente, a Comissão de Economia, Indústria e Comércio, bem como a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre Recursos Hídricos. Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a conseqüente reorganização partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), sucessor da Arena no apoio ao governo.

Reelegeu-se deputado federal em novembro de 1982 em sua nova legenda, iniciando novo período legislativo em fevereiro de 1983. No final desse ano, o deputado mato-grossense Dante de Oliveira, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), apresentou na Câmara um projeto de emenda constitucional restabelecendo eleições diretas para a presidência da República no ano seguinte. Encampado pelos partidos de oposição, esse projeto desencadeou a campanha das diretas. Na sessão da Câmara dos Deputados do dia 25 de abril de 1984, o deputado Vítor Trovão votou contra essa emenda, que, por falta de 22 votos, não obteve o índice necessário que lhe permitiria o envio para apreciação do Senado.

Com esse resultado, ficou definido que a eleição do sucessor do presidente João Figueiredo (1979-1985) seria mesmo por via indireta. Vários eram os postulantes à condição de candidato oficial do partido do governo. A falta de consenso sobre a forma de escolha provocou uma cisão na agremiação governista e os dissidentes formaram a Frente Liberal. Para resolver a questão, o PDS fez sua convenção em agosto, na qual o deputado paulista Paulo Maluf derrotou o então ministro do Interior, Mário Andreazza. A derrota de Andreazza aumentou o contingente de dissidentes no partido governista e o deputado Vítor Trovão aderiu à Frente Liberal.

Definidos os candidatos da situação, os partidos de oposição, liderados pelo PMDB, com exceção do Partido dos Trabalhadores (PT), e a Frente Liberal, reunidos na Aliança Democrática, lançaram Tancredo Neves, ex-governador de Minas Gerais, e José Sarney, então senador pelo Maranhão, respectivamente, candidatos à presidência e à vice-presidência da República. Na reunião do Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985, o deputado Vítor Trovão votou em Tancredo Neves, que derrotou Paulo Maluf. Na véspera de sua posse, Tancredo adoeceu e Sarney assumiu, interinamente, a presidência da República em 15 de março, sendo efetivado em 21 de abril, com a morte do titular.

Ainda nesse mesmo ano, com a transformação da Frente Liberal em agremiação política, o Partido da Frente Liberal (PFL), Trovão filiou-se à nova legenda, na qual voltou a se eleger deputado federal em novembro de 1986, desta vez com poderes de constituinte. Iniciando novo período legislativo em 1º de fevereiro de 1987, nesse mesmo dia instalou-se a Assembléia Nacional Constituinte, na qual passou a integrar, como titular, a Subcomissão da Nacionalidade, da Soberania e das Relações Internacionais da Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher e, como suplente, a Subcomissão de Orçamento e Fiscalização Financeira da Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças.

Durante o período de elaboração da Constituição, votou a favor da jornada semanal de 40 horas, do presidencialismo, do limite de 12% ao ano para os juros reais, do mandato de cinco anos para o então presidente da República José Sarney e da anistia aos micro e pequenos empresários. Votou contra o rompimento de relações diplomáticas com países com política de discriminação racial, a limitação do direito de propriedade privada, o mandado de segurança coletivo, a remuneração 50% superior para o trabalho extra, o turno ininterrupto de seis horas, a unicidade sindical, a nacionalização do subsolo, a proibição do comércio de sangue, a limitação dos encargos da dívida externa, a criação de um fundo de apoio à reforma agrária e a desapropriação da propriedade produtiva.

Após a promulgação da nova Carta em 5 de outubro de 1988, passou a exercer somente o seu mandato ordinário. Deixando de concorrer a mais um período na Câmara dos Deputados no pleito de outubro de 1990, permaneceu no Legislativo federal até o fim de janeiro do ano seguinte, quando se encerraram o seu mandato e a legislatura, passando a se dedicar aos seus negócios particulares.

Em novembro de 2009, Vítor Trovão residia em São Luís.

Foi casado com Maria Iomar Saldanha Trovão, com quem teve quatro filhos. Uma de suas filhas, Maria Teresa Trovão Murad, elegeu-se deputada estadual no Maranhão no pleito de outubro de 1998 na legenda do Partido Democrático Trabalhista (PDT). O genro Ricardo Murad, casado com Maria Teresa, foi deputado federal pelo Maranhão na legislatura 1991-1995 e deputado estadual na legislatura 2007-2011.

 

 

Moisés Arioza/Alan Carneiro

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987-1988); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1979-1983 e 1983-1987); COELHO, J. & OLIVEIRA, A. Nova; TRIB. REG. ELEIT. MA. Relação (1998); TRIB. SUP. ELEIT. Resultado (1998).

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