ASSOCIACAO BRASILEIRA PARA O DESENVOLVIMENTO DAS INDUSTRIAS DE BASE (ABDIB)

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O DESENVOLVIMENTO DAS INDÚSTRIAS DE BASE (ABDIB)
Nome Completo: ASSOCIACAO BRASILEIRA PARA O DESENVOLVIMENTO DAS INDUSTRIAS DE BASE (ABDIB)

Tipo: TEMATICO


Texto Completo:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INFRAESTRUTURA E INDÚSTRIA DE BASE (ABDIB)

Associação civil de fins não lucrativos fundada no Rio de Janeiro em 5 de maio de 1955, com o nome de Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Indústrias de Base (ABDIB), com o objetivo assistir às empresas associadas, promovendo seu desenvolvimento e fornecendo maior proteção e maior valorização técnica a seus produtos. Em 1997 recebeu o nome atual, mantendo, porém, a sigla anterior.

Antecedentes

Em 1951, Plínio Cantanhede, presidente do Conselho Nacional do Petróleo, convidou um grupo de industriais paulistas para estudar as possibilidades de fabricação no Brasil de equipamentos a serem utilizados na refinaria de Mataripe, na Bahia. Jorge de Sousa Resende, presidente da empresa Máquinas Piratininga, reuniu um grupo de sete firmas (Bardella, Carvallari, Cobrasma, Dedini, Aço Villares, Fichet-Schwatz Hautmont e a própria Máquinas Piratininga) e apresentou um estudo que revelava as fracas possibilidades de tais empresas assumirem o empreendimento.

Como a legislação brasileira da época não permitia a formação de um consórcio de empresas, os empresários decidiram criar a ABDIB, reunindo recursos de diversas firmas a fim de dar-lhes condições de fornecer equipamentos e instalar novas usinas. Inicialmente, esses industriais visavam quase que exclusivamente à produção de equipamentos para refinarias de petróleo.

Atuação

A primeira diretoria da ABDIB, eleita em maio de 1955, era integrada por Jorge de Sousa Resende (presidente), Mário Dedini (vice-presidente), Fernando Larrabure (secretário) e Aldo Bardella (tesoureiro). Em sua primeira fase, a associação se empenhou em demonstrar que era possível substituir os equipamentos importados por nacionais, convencendo o comprador nacional de que os equipamentos brasileiros atendiam a todas as especificações e níveis tecnológicos requeridos. Ao mesmo tempo, a entidade dava apoio técnico a seus associados, a fim de permitir o início da produção de máquinas e equipamentos pesados, mecânicos e elétricos no país.

Durante o governo Juscelino Kubitschek (1956-1961), ao ser criado o Grupo Executivo da Indústria Mecânica Pesada (Geimape), a ABDIB passou a fazer parte do novo órgão. A partir de 1959, por sua iniciativa, foi adotada uma política de pressão sobre o governo no sentido de evitar a importação de equipamentos que pudessem ser fabricados no país.

Em 1968, a ABDIB foi reconhecida pelo governo como associação de utilidade pública por sua atuação em prol do desenvolvimento nacional. A entidade preocupou-se especialmente com os problemas de financiamento de venda, programação industrial e exportação, obtendo do governo a criação do Fundo de Financiamento para Aquisição de Máquinas e Equipamentos Industriais (Finame). Através dessas negociações com o governo, foi igualmente facultado às empresas fabricantes de equipamentos obter financiamentos junto a entidades internacionais como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Banco Interamericano de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e a Agência Internacional de Desenvolvimento (AID). Na ocasião, a ABDIB contava com 57 empresas associadas. A partir de 1969, decidiu admitir como associadas as empresas de engenharia e de processos e de detalhamento de projetos nas indústrias de base.

Na década de 1970, a associação orientou suas atividades para o assessoramento de organismos do governo no tocante ao planejamento da política industrial do país e ao estabelecimento das condições necessárias à crescente participação da indústria nacional. Transformou-se, assim, de órgão essencialmente técnico em órgão de assessoramento, modelo que lhe permitiu procurar um maior espaço político junto ao governo federal.

O governo Ernesto Geisel (1974-1979) encontrou a ABDIB naquele que provavelmente foi seu período de maior atuação política e visibilidade pública. O II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND), apresentado pelo governo como uma de suas principais metas, foi saudado pela ABDIB como uma grande oportunidade de crescimento para o setor da indústria de base. Segundo declaração de Cláudio Bardella, presidente da ABDIB no período 1973-1977, à revista Exame, o II PND criou a expectativa para o setor da indústria de base de um investimento da ordem de 43 bilhões de dólares. Essa expectativa era explicada pela alta dependência que a indústria de base nacional mantinha das encomendas públicas, particularmente dos setores petrolífero e elétrico. Tal expectativa, porém, não se confirmou. Os investimentos previstos foram consideravelmente reduzidos a partir de 1976, e grande parte das encomendas públicas dirigiu-se a empresas estrangeiras. Essa situação levou a ABDIB a pressionar o governo Geisel por uma política que privilegiasse a indústria de base nacional.

Em julho de 1976, a ABDIB remeteu ao governo federal um documento que tornava explícitos os motivos de seu descontentamento e suas reivindicações. Em linhas gerais, o documento pedia: 1) a elaboração de uma política industrial clara que definisse as áreas prioritárias de investimento; 2) que essa política industrial passasse a ser contínua e voltada para o setor de bens de capital; 3) que o mercado nacional de bens de capital passasse a ser considerado uma reserva natural do país, voltada para o desenvolvimento da indústria local; 4) que a liderança dos projetos de engenharia fosse sempre conferida às empresas privadas nacionais de engenharia; 5) que fosse estabelecido ou aperfeiçoado um sistema de consulta entre governo e empresa privada, de tal forma que a indústria nacional recebesse antes da estrangeira as informações sobre programas de investimentos públicos; 6) que fosse evitada a diluição do mercado entre muitos fabricantes, impossibilitando que se alcançasse economia de escala, e também que a indústria de capital nacional tivesse garantida a capacidade de competição com relação à indústria de capital estrangeiro.

As reivindicações descritas demonstram as duas principais preocupações da ABDIB naquele período: a proteção da indústria nacional contra a concorrência estrangeira e a continuidade dos investimentos públicos. Embora a ABDIB tivesse uma participação considerável de empresas estrangeiras, que atingia na década de 1970 bem mais de 1/3 do total de empresas filiadas, Eli Diniz destaca que pelo menos entre 1964 e 1978 os cargos na diretoria da ABDIB sempre foram ocupados, em sua grande maioria, por representantes das empresas nacionais. Esse dado pode explicar a atuação em defesa da empresa nacional promovida pela ABDIB durante esse período. Outra característica interessante da ABDIB, relacionada diretamente à dependência das empresas desse setor com o investimento público, é a posição claramente favorável aos investimentos estatais diretos mantida pela associação. Enquanto na década de 1970 empresários ligados a outros setores iniciavam uma campanha contra a estatização da economia, a ABDIB mantinha-se defendendo a importância do investimento público para o desenvolvimento industrial nacional.

As reivindicações da ABDIB, contudo, não surtiram o efeito desejado pela associação. Os cortes no programa de investimentos previstos no II PND aumentaram à medida que a crise econômica se aprofundava e o governo não implementava uma política que desse claros privilégios para a indústria nacional de base. A frustração das demandas da ABDIB pode em grande medida explicar por que seus dirigentes no período entre 1977 e 1979, Cláudio Bardella, Paulo e Carlos Villares, em diversas ocasiões emitiram pronunciamentos públicos exigindo uma maior participação dos empresários nacionais nos órgãos gestores da política nacional. As críticas à centralização decisória praticada pelo governo Geisel avançaram gradativamente em direção a uma crítica ao regime político fechado. Cláudio Bardella, em fins de 1977, chegou a defender publicamente, como foi registrado por órgãos da grande imprensa, a legalização do Partido Comunista, nos seguintes termos: “os comunistas, se existirem, devem estar representados no Congresso, na medida em que o Congresso representa a totalidade da nação.” Sebastião C. Velasco e Cruz utiliza exatamente esse pronunciamento como marco do início da politização dos discursos da classe empresarial em claro apoio a uma política de democratização.

Com o início do governo João Figueiredo (1979-1985), algumas das reivindicações empresariais relativas a uma maior participação política dos empresários foram atendidas, através, por exemplo, da ampliação das vagas destinadas ao setor no Conselho Monetário Nacional. Em 1980, o grupo de empresários que liderava as reivindicações democratizantes assumiu a FIESP com a eleição de Luís Eulálio Vidigal, que imediatamente empossou Cláudio Bardella como presidente do recém-criado Conselho Superior de Economia. A democratização, porém, não trouxe o desenvolvimento econômico. Os anos de 1981 e 1982 são normalmente citados como o auge da crise econômica brasileira. Do ponto de vista da ABDIB, o mais grave era que a resposta à crise dada pelo governo foi aumentar ainda mais os cortes nos seus investimentos. Os planos de expansão dos setores petrolífero, elétrico e siderúrgico, por exemplo, praticamente pararam.

A crise alcançou o governo José Sarney (1985-1990), que iniciou suas atividades tentando implementar um severo programa de ajuste do déficit público intitulado “É proibido gastar”. Esse programa provocou uma pronta oposição de setores importantes da burocracia estatal e do empresariado privado, incluindo naturalmente a ABDIB. No boletim da ABDIB de 1997 pode-se ler um pronunciamento de seu presidente, José Augusto Marques, em que o ano de 1987 é citado como um marco na história política da associação. Foi nesse ano que a ABDIB percebeu que a alongada crise pela qual passava o Estado brasileiro impedia qualquer programa importante de investimentos em infraestrutura. Como, porém, a continuidade desse investimento era essencial para a sobrevivência do setor de base, só restava uma opção: passar a apoiar a privatização das empresas estatais que atuavam no setor de infraestrutura como forma de possibilitar um novo ciclo de expansão apoiado agora no capital privado. Nas palavras de José Augusto Marques, “todos sabemos que desde 1987 insistimos na participação do capital privado na forma de concessões de serviços públicos e na compra de ativos das estatais de energia, saneamento e transportes. Soubemos enxergar a falência do modelo de financiamento estatal, o que inviabilizou a expansão e até mesmo a manutenção do setor, e estabelecer a alternativa de desregulamentação das áreas de infra-estrutura”.

Realmente é possível perceber uma total inflexão da política da ABDIB a partir daquele ano. A associação passou a apoiar as privatizações, e sua principal preocupação foi garantir sua participação em agências com a função de regular os setores de infraestrutura sob controle da iniciativa privada. Entre 1987 e 1995 a ABDIB trabalhou junto às autoridades para que fosse aprovada a Lei de Concessão dos Serviços Públicos, que foi sancionada em 1995 pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003). A associação também teve um importante papel na criação de algumas agências reguladoras como Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Agência Nacional do Petróleo (ANP), em 1996, e defendeu a quebra do monopólio da Petrobras.

Principalmente durante o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (1995-1999), a ABDIB obteve várias vitórias políticas e comemorou um novo surto de crescimento do setor a partir da expansão das telecomunicações, da indústria do petróleo e do gás e da construção de novas hidroelétricas. A nova fase de expansão foi fundamentada principalmente no capital privado e na internacionalização das empresas. Contudo, a associação indicava que os investimentos em infraestrutura tinham caído bastante nos últimos anos do século XX e nos três primeiros anos do novo século. A ABDIB responsabilizou por essa queda principalmente a política de juros altos, o câmbio supervalorizado e a falta de clareza nos marcos regulatórios.

Em 1997 a ABIDB passou por uma importante transformação na sua própria organização. Para ratificar essa mudança, o próprio nome da associação foi alterado, embora conservada a mesma sigla, indicando uma ampliação no seu âmbito de atuação. Com isso a ABDIB passou a aceitar como sócia qualquer empresa que atuasse no amplo setor de infraestrutura, incluindo bancos que financiavam investimentos na área. De fato, a ABDIB já teve diretores ligados a instituições financeiras como o Unibanco. Em função dessa ampliação, a ABDIB passou a ter mais de 130 associados, dos mais variados tipos, o que fez com que sua representatividade pudesse rivalizar com antigas entidades patronais como a FIESP, a FIRJAN e o CNI.

Recentemente, embora indicando a persistência de alguns problemas macroeconômicos, como a política de juros altos, a ABDIB comemorou a aprovação da lei das Parcerias Público-Privadas (PPP) (2004) e o lançamento do Programa de Aceleração do Desenvolvimento (PAC) (2007) pelo governo de Luís Inácio Lula da Silva (2003-2011). A associação esperava por um grande volume de investimentos estatais em infraestrutura e indústrias de base, sem, contudo, diminuir o espaço para a atuação do capital privado.

No ano de 2009, a ABDIB contava com cerca de 160 grupos empresariais das áreas de energia elétrica, petróleo, gás e derivados, transporte, construção e engenharia, saneamento ambiental, telecomunicações, indústrias de base (mineração/cimento, siderurgia, papel e celulose), além de bancos de investimentos e outras empresas de serviços relacionadas com o setor de infraestrutura. As empresas associadas da ABDIB representaram no ano 2006 um faturamento no Brasil da ordem de 348 bilhões de reais (quase 15% do PIB nacional).

A ABDIB publica relatórios trimestrais e anuais e mantém um portal na internet com uma ampla gama de informações sobre o setor.

Alzira Alves de Abreu / Sydenham Lourenço Neto (colaboração especial)

 

 

FONTES: ABDIB Informa (20/4/76); ASSOC. BRAS. DESENV. IND. BASE. Estatutos; ASSOC. BRAS. DESENV. IND. BASE. Relatório de atividades (1997); CRUZ, S. Empresários; DINIZ, E.; BOSCHI, R. Empresas; Estado de S. Paulo (6/6/65); MAGALHÃES, S. Problemas; Máquinas e  Metais (5/70, 12/75); Portal ABDIB. Disponível em : <http://www.abdib.org.br/index/index.cfm>; REIS, F.; O’DONNELL, G. Democracia; SCHMITER, P. Interest; Visão (21/5/65).

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados