CLUBE DE AERONAUTICA

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Nome: CLUBE DE AERONAUTICA
Nome Completo: CLUBE DE AERONAUTICA

Tipo: TEMATICO


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CLUBE DE AERONÁUTICA

 

Associação civil de direito privado com sede e foro no Rio de Janeiro, fundada em 5 de agosto de 1946. O principal objetivo de sua criação foi permitir o estreitamento dos laços de solidariedade entre os oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB), bem como entre estes e os oficiais da Marinha e do Exército. Desde sua fundação, também foi admitida a entrada de civis no quadro social do clube.

Com o objetivo de divulgar suas atividades internas, o Clube de Aeronáutica passou a editar o Boletim Informativo, de tiragem bimensal, e a Revista Aeronáutica, publicação bimestral de divulgação externa, em circulação desde novembro de 1958.

Para a supervisão de suas atividades, os membros do clube definiram a estrutura da entidade da seguinte forma: uma assembleia geral, um conselho deliberativo, um conselho fiscal e uma diretoria. A assembleia geral tem função deliberativa e nela tomam parte todos os sócios efetivos. Uma de suas atribuições é a eleição do corpo transitório do conselho deliberativo. Este é constituído por um corpo permanente — formado pelos sócios grandes beneméritos e beneméritos, pelos ex-presidentes do conselho deliberativo e pelos ex-presidentes do clube — e por um grupo transitório, composto de membros efetivos e suplentes eleitos por dois anos. O conselho fiscal é integrado por sete membros efetivos e três suplentes, escolhidos pelo conselho deliberativo entre seus próprios elementos. A diretoria é eleita para um mandato de dois anos pelo conselho deliberativo e é composta de um presidente, um vice-presidente e um diretor-secretário; um diretor e um vice-diretor do departamento de finanças; diretores dos departamentos desportivo, social, técnico-cultural, jurídico, de relações públicas, beneficente, patrimonial e de facilidades, e diretores dos serviços especiais (carteira hipotecária e imobiliária e cooperativa de carnes). Os diretores dos departamentos são designados pelo presidente, que tem o poder de demiti-los sempre que julgar necessário.

Atuação

O Clube de Aeronáutica foi fundado após a criação, em 1941, do Ministério da Aeronáutica e da FAB. Ganhou projeção nacional com o chamado “Atentado da Toneleros”, ocorrido no dia 5 de agosto de 1954, no qual morreu o major da Aeronáutica Rubens Vaz e saiu ferido o então jornalista Carlos Lacerda. O assassinato provocou grande comoção em todo o país, sobretudo depois que um membro da guarda pessoal do presidente Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954) foi responsabilizado pelo crime. O corpo do major Vaz foi velado na sede do clube, onde também foi rezada a missa de corpo presente. No dia 22 de agosto, brigadeiros reuniram-se no mesmo local e lançaram um ultimato, exigindo o afastamento de Vargas, que se suicidaria dois dias depois.

Em 1964, o Clube de Aeronáutica serviu de local de encontro para oficiais de alta patente da Força Aérea, descontentes com a orientação “esquerdizante” do governo João Goulart. Esses oficiais, articulados com setores oposicionistas do Exército e da Marinha, participaram diretamente do movimento político-militar de 31 de março.

Em 1975, o clube inaugurou aquela que deveria ser sua nova sede, no Centro do Rio de Janeiro. O prédio, de linhas modernas, abrigava um salão nobre, um auditório e um restaurante, além de comportar um hotel. Apesar da nova construção, a diretoria do clube nunca foi efetivamente transferida de sua antiga sede, localizada nas dependências do 3º Comando Aéreo Regional, também no Centro do Rio.

Ao longo da década de 1980, a entidade continuou desenvolvendo suas atividades com o fim de promover maior integração entre os próprios militares, e entre estes e os civis, mas não teve nenhuma atuação mais efetiva no cenário político. Em agosto-setembro de 1994, o clube lançou o jornal informativo o Arauto, publicação inicialmente bimestral, que passou a ser mensal a partir de 1997.

Ao longo do primeiro governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-1999), o Clube de Aeronáutica esteve atento ao processo de reforma do Estado brasileiro, que culminou, em termos militares, com a criação do Ministério da Defesa. Na edição de número 217 da Revista Aeronáutica, referente aos meses de março e abril de 1997, o editorial assinado pelo então presidente da instituição, major brigadeiro do ar Umberto Carvalho Neto, revelava apreensão quanto “ao lento processo de deterioração das forças armadas”, que estaria contido “dentro da visão estratégica do poder público responsável pelo Estado”. Nesta e em edições posteriores, outros associados do clube manifestaram preocupações semelhantes.

Em 1998, o brigadeiro do ar Ércio Braga foi eleito para substituir Umberto Carvalho Neto na presidência do clube. Em seu primeiro editorial, o novo presidente atacou a experiência econômica neoliberal, em voga na última década do século XX, e responsável, segundo ele, por levar o país rumo ao desemprego e à falência das possibilidades de desenvolvimento nacional. Comparou também o momento presente com os tempos da Revolução de 1964, apontando-a como propulsora da arrancada brasileira para a condição de oitava economia do mundo.

Também em 1998, após a aprovação no ano anterior da chamada emenda da reeleição, o presidente Fernando Henrique Cardoso foi reeleito para um novo período de governo (1999-2003), passando a receber críticas dos associados e colaboradores do Clube de Aeronáutica. No artigo “Processo de desintegração do Brasil”, publicado na Revista Aeronáutica nº 227, Henrique Augusto Cruz Santos escreveu que as reformas de Fernando Henrique serviam para difundir a “ideologia do capital globalizado, o totalitarismo do pensamento único e a exclusão do globo terrestre de milhões de pessoas”.  Na edição seguinte, o presidente Ércio Braga escreveu sobre a “intentona capitalista”, constituída segundo ele por um movimento articulado internacionalmente para arrasar as instituições sociais brasileiras, a começar pela família, ameaçada pelo desemprego em massa e pela facilidade de obtenção de drogas ilegais. Em sua opinião, a contínua e orquestrada redução do prestígio e da força política dos militares estaria a serviço daqueles que desejavam a submissão do país aos interesses das grandes potências financeiras internacionais, em especial a mídia, disposta a noticiar somente o que fosse de seu interesse.

O primeiro mandato do presidente Luís Inácio Lula da Silva (2003-2007), eleito pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em 2002, foi duramente criticado pelo Clube de Aeronáutica. As decisões econômicas dos novos dirigentes nacionais foram questionadas em diversas ocasiões. Representantes do clube contrastaram a moderação e o conservadorismo do governo petista com os antigos ideais de justiça social e a crítica ao sistema capitalista perfilhados no passado por muitos de seus expoentes.

Em 2005, durante a crise política provocada pela denúncia de um esquema de corrupção supostamente patrocinado pelo ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, que estaria intermediando a compra de votos de parlamentares, o clube clamou à família castrense para se irmanar em um movimento de “caras limpas”. Aproveitando o momento político, denunciou as perdas salariais sofridas pela classe, que teriam colocado seus vencimentos em condição aviltante se comparados aos salários pagos a muitos cargos comissionados do Poder Executivo.  

A política externa do governo petista foi vista com desconfiança pelo clube. Artigo publicado na edição da Revista Aeronáutica de maio de 2006 considerava a atuação internacional do presidente Lula a continuação da “nefasta política internacional” de Fernando Henrique Cardoso, que teria montado, durante sua gestão, um “exuberante e caricato programa de viagens internacionais do presidente”. A crise entre Brasil e Bolívia, ocorrida logo após a posse do presidente Evo Morales, que declarou a nacionalização dos hidrocarbonetos e das refinarias, postos e distribuidores de petróleo, gás e derivados, intervindo assim nos negócios da Petrobras, foi considerada o maior fracasso da diplomacia brasileira na primeira década do século XXI.

As eleições do Clube da Aeronáutica em 2006 foram vencidas pelo tenente brigadeiro do ar Ivan Frota. Nessa administração manteve-se o descontentamento do clube em relação à organização do Ministério da Defesa e ao desprestígio dos militares. Em discurso proferido na solenidade de comemoração dos 60 anos da instituição, Frota afirmou que “a expressão política dos militares tem sido constantemente reduzida”, do que se aproveitariam os movimentos sociais que, com a aquiescência do governo da República, promovem atos de “vandalismo generalizado” em “total negação do Estado de Direito”.

No processo eleitoral de outubro de 2006, que reelegeu o presidente Lula, renovou a Câmara dos Deputados e parte do Senado, os dirigentes do Clube da Aeronáutica alertaram para a necessidade do voto consciente, dado àqueles que “pensem como nós”, preferencialmente candidatos militares.

 Para o biênio 2008-2010, o Clube da Aeronáutica elegeu a diretoria “Ato de Fé”, cabendo a presidência ao tenente brigadeiro do ar Carlos de Almeida Batista. Em nota divulgada no site da instituição, o novo presidente expressou a importância de os militares se colocarem diante dos “assuntos de extrema relevância nacional, para apoiar ou para protestar”. A participação política dos associados, na visão divulgada, deveria rumar no sentido da crítica a toda e qualquer condescendência dos poderes nacionais constituídos em relação à proliferação das Organizações Não Governamentais (ONGs) na Amazônia brasileira, assim como em relação aos movimentos guerrilheiros existentes em países vizinhos, entre os quais o mais ameaçador seria o das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARCs).

 

            Sérgio Lamarão/ Sérgio Montalvão

 

FONTES: Boletim Inf. Clube de Aer.; CLUBE DE AER. Estatuto; INF. CAP. ARTHUR CARLOS BANDEIRA; Rev. de Era.; Rev. de Aer. (214/95, 215-218/96, 219-222/97, 223-226/98, 227-230/99, 213-234/00, 235-238/01, 239-242/02, 243-246/03, 247-259/04 251-253/05); Site Clube da Aeronáutica. Disponível em: <http://www.caer.org.br>. Acesso em: 11 nov. 2009.

 

 

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