CONFEDERACAO BRASILEIRA DOS TRABALHADORES CIRCULISTAS (CBTC)

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Nome: CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DOS TRABALHADORES CIRCULISTAS (CBTC)
Nome Completo: CONFEDERACAO BRASILEIRA DOS TRABALHADORES CIRCULISTAS (CBTC)

Tipo: TEMATICO


Texto Completo:
CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DOS TRABALHADORES CIRCULISTAS (CBTC)

CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DOS TRABALHADORES CIRCULISTAS (CBTC)

 

Associação civil com sede na capital da República, criada em novembro de 1937 com o nome de Confederação Nacional dos Operários Católicos (CNOC). Em 1950 passou a chamar-se Confederação Nacional dos Círculos Operários (CNCO), em 1965, Confederação Brasileira dos Trabalhadores Cristãos (CBTC) e, em 1996, recebeu a denominação atual, mantendo porém a mesma sigla.

 

A CNOC e a CNCO

Em reunião do Centro Dom Vital realizada em novembro de 1931, foi organizada uma comissão para estudar as várias alternativas de formação de organizações de trabalhadores católicos.

Essa comissão era formada por Alceu Amoroso Lima, Raimundo Padilha e Cláudio Ganns, chefiados por Lourival Fontes. As propostas apresentadas, aprovadas por dom Sebastião Leme da Silveira Cintra, cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, deram origem à CNOC, órgão nacional de coordenação das organizações trabalhistas católicas regionais e estaduais. A confederação se consolidou definitivamente nas resoluções do I Congresso Nacional de Operários Católicos, realizado em novembro de 1937. A formação da confederação nesse momento resultou da necessidade de se organizar um movimento nacional unificado diante da expansão e do sucesso dos círculos operários, associações interprofissionais de inspiração católica surgidas a partir de 1932. A assistência eclesiástica à CNOC coube ao padre Leopoldo Brentano, promotor do congresso e organizador dos primeiros círculos operários no Rio Grande do Sul; a diretoria da entidade coube aos próprios trabalhadores. No momento de sua fundação, a CNOC congregava 34 círculos, com 31 mil membros espalhados em cinco estados.

Em termos de estruturação, a CNOC era a entidade máxima, de âmbito nacional, a que se filiavam as federações estaduais de círculos operários. Os círculos, por sua vez, organizavam-se nos diversos centros de trabalho dos estados. Nos grandes centros, os círculos compunham-se de núcleos, que correspondiam aos diversos bairros. Os núcleos e os círculos que não possuíam núcleos se subdividiam em zonas e em grupos, as primeiras abrangendo os sócios segundo sua residência e os últimos segundo seu local de trabalho.

Os objetivos da CNOC consistiam em realizar um amplo trabalho de correspondência, irradiação, coordenação e orientação; promover iniciativas; responder a consultas; imprimir e distribuir material da organização; incentivar o intercâmbio entre as entidades filiadas e entre estas e a confederação; editar as publicações Boletins da CNOC e Renovação Social, folhetos e livros; atender aos circulistas vindos do interior, e tomar providências diversas a favor de pessoas e entidades.

A confederação propunha-se ainda incentivar a fundação de círculos operários no país, sobretudo no interior; promover a fundação de federações estaduais — uma para cada estado — às quais deveriam filiar-se obrigatoriamente todos os círculos operários locais; coordenar e controlar as atividades das federações e dos círculos operários, para que não se afastassem de suas finalidades sociais e espirituais, obrigações estatutárias, moldes, métodos e tática de trabalho; estimular a sindicalização dos trabalhadores, sobretudo dos circulistas, e incentivar a confraternização dos círculos operários com o sindicato; prestar a todas as associações religiosas e muito especialmente à Ação Católica Brasileira, da qual era aderente, toda a colaboração e apoio indispensáveis; apoiar e vigiar a aplicação da legislação social brasileira, sobretudo quanto aos dispositivos relativos à higiene fabril, à saúde e segurança do operariado, bem como realizar movimentos gerais em prol de uma legislação trabalhista mais perfeita, de aplicação mais rápida e mais generalizada, extensiva aos trabalhadores rurais; concorrer para a defesa e o desenvolvimento da classe média, pela reivindicação de leis apropriadas favorecendo a pequena propriedade, a pequena indústria e o pequeno comércio, visando a uma melhor distribuição da riqueza; difundir o cooperativismo e cultivar o espírito cooperativista, principalmente através de cooperativas escolares, e cooperar ativamente no combate ao comunismo e socialismo, utilizando para tal fim todos os meios legais e os previstos nos estatutos.

Em 12 de maio de 1941, o Decreto nº 7.164 concedeu à CNOC a prerrogativa de órgão técnico e consultivo do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio.

Em 1950, adotando uma denominação mais adequada à sua estrutura real, a CNOC passou a se chamar Confederação Nacional dos Círculos Operários.

Em 1956, o padre Brentano foi substituído no cargo de assistente eclesiástico da confederação pelo padre Pedro Veloso, reservando-se contudo a função de conselheiro da entidade.

O VIII Congresso Nacional dos Círculos Operários, comemorativo do 25º aniversário da CNCO, realizado em São Paulo em junho de 1962 com a participação de cerca de setecentos delegados de todo o país, recomendou a adaptação urgente do movimento circulista às novas condições sociais do Brasil, à luz dos mais recentes documentos pontifícios, em que se destacava a encíclica Mater et magistra.

Assim, foram definidas no encontro as três áreas em que os círculos operários deveriam intensificar suas atividades: a da formação social, a da assistência social e a da ação social. Na primeira, deveriam ser criadas escolas de líderes operários (ELOS) e multiplicados os cursos do Instituto Superior de Formação Operária (Isufo), vinculado à CNCO. Em termos de assistência social, deveria ser empreendido um esforço no sentido de melhorar as condições materiais e culturais dos trabalhadores através da criação de cooperativas, escolas noturnas, ambulatórios médicos e odontológicos, hospitais etc. Na área da ação social, movimentos circulistas e sindicais deveriam lutar por reformas estruturais como a participação dos trabalhadores nos lucros e na direção das empresas.

Com a eclosão do movimento político-militar de março de 1964, essas atividades da CNCO foram bastante prejudicadas, prosseguindo apenas as que tinham ligação com a assistência social.

 

A CBTC

Em 1965, a CNCO passou a se denominar Confederação Brasileira dos Trabalhadores Cristãos. A troca do nome não se deveu a motivação religiosa, mas foi claramente uma estratégia política, visto que o Partido Democrata Cristão (PDC) ganhava terreno. Servia também ao propósito de mudar a legislação sindical, para que pudessem ser criados sindicatos cristãos no Brasil. A CBTC filiou-se à Confederação Internacional dos Sindicatos Cristãos, sediada em Bruxelas.

Em 1966, o padre Veloso deixou o cargo de assistente eclesiástico da CBTC, sendo substituído pelo padre Poncrácio Dutra. Em 1968, o padre Dutra cedeu o lugar ao padre Urbano Rausch.

Em 1969, a CBTC alegava reunir 18 federações estaduais de círculos operários, 380 círculos locais e quinhentos mil associados em todo o país. Segundo Howard Wiarda, entretanto, o conjunto do quadro social da entidade teria menos da metade desse número, sendo que muitos dos círculos computados estariam ativos somente em parte ou parados de todo.

Para esse mesmo ano, a CBTC informava que, no terreno da assistência social, haviam funcionado um hospital; três clínicas; 205 consultórios médicos, que atenderam a 242 mil consultas; 104 farmácias, que aviaram 210 mil receitas; 172 consultorias jurídicas, que atenderam a 42.200 casos; 89 associações de empréstimos financeiros; 19 cooperativas; nove creches; 35 cinemas; 15 jornais e cinco casas de retiro. Em termos de educação, a CBTC apresentava 270 escolas primárias com 27 mil alunos; 18 escolas secundárias com 6.500 estudantes; 154 cursos técnicos com 4.069 alunos; 152 classes de adultos com 4.466 alunos, e oito escolas de líderes operários. Wiarda acredita que esses dados fossem exagerados, mas de toda forma eles servem para demonstrar o crescimento e as atividades dos círculos operários.

Em julho de 1975, o movimento circulista nacional realizou 11 congressos circulistas nacionais em Brasília, Distrito Federal, com a presença de 326 delegados circulistas vindos de vários estados.

Em 1976, a sede da CBTC passou a funcionar em Brasília, numa área adquirida em parte com recursos provenientes da venda do 16º andar de um edificío na rua dos Andradas, no Rio de Janeiro. Em informe da CBTC de 23 de março desse ano, constava que o movimento circulista nacional, do qual a CBTC era o órgão máximo, era formado por 290 círculos de trabalhadores cristãos e círculos operários, 16 federações estaduais circulistas e a própria confederação.

Até o fim do regime militar, em 1985, a CBTC entrou num processo de desativação como organização de trabalhadores. Assim, restabelecido o regime democrático, a entidade apareceu bastante reduzida e com poucos recursos para sua manutenção.

 

O XVI Congresso Circulista Nacional

Em 1994, tornou-se presidente da CBTC, por um período de três anos, Antônio Rodrigues da Silva Filho. O cargo de assistente eclesiástico foi ocupado mais uma vez pelo padre Urbano Rausch. Em julho de 1996, a CBTC realizou o XVI Congresso Circulista Nacional. Entre os temas discutidos estavam a mudança de nome da entidade, a reforma do estatuto e o autofinanciamento.

Segundo Antônio Rodrigues da Silva Filho, a palavra “cristãos”, no decorrer dos anos 1990, ganhara conotação fortemente alterada, tornado-se marca registrada de inúmeras seitas evangélicas que proliferavam por todo o país. A CBTC teria chegado a receber propaganda de seitas como se fosse uma delas, por causa da etiqueta “cristãos”. No XVI Congresso, foi adotada a mudança de nome: a última letra “C” da sigla passou a significar, em vez de “cristãos”, “circulistas”. Ainda segundo o presidente da entidade, não houve mudança na atitude de adesão ao cristianismo, e sim uma tentativa de afastar da organização “a conotação de sectários, direitistas, retrógrados, sem visão para o rumo do associativismo moderno, autônomo, solidário e progressista”.

A proposta de reforma do estatuto se devia ao fato de a CBTC estar presa a uma hierarquia muito forte e atrasada dentro do movimento circulista, em contraste com as demais estruturas organizativas das associações de trabalhadores e similares. No XVI Congresso, ficou estabelecido que tanto as federações quanto os círculos deveriam contribuir financeiramente para a confederação. Seriam realizados, como antes, o Congresso Circulista Nacional de quatro em quatro anos, e a assembléia geral ordinária, anualmente. A diretoria passaria a ser composta por 11 diretores, com reuniões semanais; o cargo de assistente religioso passaria para a Assessoria Técnica Especializada, e seria criado um conselho consultivo, composto por ex-diretores da confederação, das federações e de pessoas convidadas. A partir de então foi ampliado o número de participantes nas assembléias gerais. Antes, somente os presidentes da confederação e das federações, juntamente com os respectivos assistentes religiosos, podiam discutir e votar. Segundo o estatuto aprovado no XVI Congresso Circulista Nacional, participam das assembléias, como delegados, todos os diretores da CBTC, todos os diretores das federações e um diretor por círculo, desde que estejam em dia com a tesouraria da CBTC.

Em 1997, Antônio Rodrigues da Silva Filho foi reconduzido à presidência da CBTC. Em 1999, segundo informações por ele prestadas, a confederação congregava dez federações e duzentos círculos distribuídos nos diversos estados brasileiros. Anualmente realiza seminários de conscientização e de formação circulista e participa de seminários promovidos por diversas entidades e organizações não-governamentais (ONGs), em Brasília e em outros estados da Federação. No plano internacional, participou de debates, encontros e seminários nos países do Mercado Comum do  Sul (Mercosul), por ser filiada à Central Latino-Americana de Trabalhadores (CLAT), assim como à Confederação Mundial de Trabalhadores (CMT), com sede em Bruxelas, na Bélgica.

Mônica Kornis

 

 

FONTES: CBTC Informativo (4/76); CÍRCULO OPERÁRIO. Manual; CONF. BRAS. TRABALHADORES CRISTÃOS; CORTÉS, C. Homens; WIARDA, H. Movimento.

 

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