CONFERENCIA NACIONAL DAS CLASSES PRODUTORAS, III (III CONCLAP)

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Nome: CONFERENCIA NACIONAL DAS CLASSES PRODUTORAS, III (III Conclap)
Nome Completo: CONFERENCIA NACIONAL DAS CLASSES PRODUTORAS, III (III CONCLAP)

Tipo: TEMATICO


Texto Completo:
CONFERÊNCIA NACIONAL DAS CLASSES PRODUTORAS, III (III CONCLAP)

CONFERÊNCIA NACIONAL DAS CLASSES PRODUTORAS, III (III Conclap)

 

Conclave realizado em março de 1972 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, reunindo mais de 1.500 empresários, diretores e executivos de todos os estados do país.

O tema geral da conferência foi “A empresa em face do desenvolvimento socioeconômico nacional”, e seu objetivo era a integração do empresariado brasileiro dentro de uma política de classe, assim como a fixação de estratégias operacionais para a conjugação da ação da empresa e do Estado e a afirmação da posição das chamadas classes produtoras no contexto das decisões e realizações nacionais.

Participaram da direção dos trabalhos 22 organizações comerciais, destacando-se entre elas as associações comerciais do Brasil, a Associação Nacional dos Clubes de Diretores Lojistas, a Câmara de Comércio Internacional, o Conselho Interamericano de Comércio e Produção, a Associação de Exportadores Brasileiros, a Associação Nacional dos Bancos de Investimento e Desenvolvimento, a Associação de Crédito, Investimento e Financiamento, a Associação Brasileira de Empresas de Crédito Imobiliário e Poupança, além de confederações como a Confederação Nacional do Comércio, a Confederação Nacional da Indústria, a Confederação Nacional da Agricultura e a Confederação Nacional de Transportes Terrestres.

A comissão diretora da III Conclap foi integrada por Jessé Pinto Freire, Thomas Pompeu, Jorge Gayer, Raul de Góis, Flávio da Costa Brito, Giulite Coutinho, Teófilo de Azeredo Santos, Benedito Cavalcanti, José Papa Júnior, Mário Leão Ludolf, Rafael de Almeida Magalhães, Jorge Flores, Daniel Machado de Campos, Corinto Falcão, Casemiro Ribeiro e Odile Serqueira.

Para o estudo mais específico dos temas propostos, foram formadas comissões técnicas sempre compostas por um presidente, um vice-presidente, um relator, um assessor e um secretário de ata.

Os principais temas estudados por essas comissões foram: “A empresa e os fatores extrínsecos influentes no desenvolvimento”, “A empresa e o desenvolvimento regional integrado”, “A empresa e o desenvolvimento rural”, “A empresa e o desenvolvimento industrial”, e “A empresa e o desenvolvimento do setor externo”.

A conferência contou com um ciclo de palestras proferidas por diversos ministros, entre os quais o ministro do Planejamento, João Paulo dos Reis Veloso, o ministro da Fazenda, Antônio Delfim Neto, e o ministro da Indústria e Comércio, Marcus Vinícius Pratini de Morais.

O resultado mais importante da reunião foi a divulgação da Carta econômica da Guanabara, redigida por Mário Henrique Simonsen, Aldo Franco, Murilo Guimarães e José Carlos Farah. Nesse documento encontram-se as medidas propugnadas pelas classes produtoras para a dinamização cada vez maior do comércio interno e externo, com a conquista de novos mercados mundiais.

Entre os pontos analisados pelo documento figuravam a inflação, a política demográfica e empresa privada.

Os empresários viam como principal problema do modelo de crescimento econômico adotado a partir de 1964 o aumento crescente da taxa de inflação, causado principalmente pelo mecanismo da correção monetária e pelo próprio crescimento acelerado a curto prazo. Ao mesmo tempo, a manutenção desse ritmo de crescimento foi justificada na medida em que sustentava o alto nível de empregos exigido pelo crescimento demográfico acelerado, e que sua diminuição causaria uma crise de demanda de conseqüências imprevisíveis.

Embora reconhecendo que o ônus de uma política antiinflacionária não deveria recair apenas sobre as classes assalariadas, a Carta afirmava que não seria através de um aumento no salário mínimo real que se chegaria à política de estabilização econômica desejada.

Com relação à política demográfica, de acordo com os empresários, uma melhor distribuição de riquezas requereria um menor crescimento demográfico. Este não deveria se concretizar, porém, através da planificação familiar obrigatória imposta pelo Estado, e sim através da melhoria do nível educacional da população.

Ainda segundo a Carta, a concentração das grandes empresas nas mãos do Estado ou dos capitais estrangeiros em detrimento da empresa privada nacional vinha preocupando tanto os empresários como os analistas econômicos.

As empresas de capital familiar (fechado), que atuavam nos setores onde as grandes empresas eram necessárias, eram vistas como um problema a ser corrigido. Para isto, propunha a III Conclap um novo modelo de empresa privada nacional, cujos pré-requisitos seriam a melhoria dos métodos de administração, o aperfeiçoamento do apoio à iniciativa privada, e a ampliação das fusões e das aberturas de capital. Além dessa política, que visava à formação de grandes empresas privadas nacionais nesses setores, a Carta defendia o apoio governamental às pequenas e médias empresas nacionais quando sua existência não significasse um entrave ao desenvolvimento da economia brasileira.

Além desses temas, constavam do documento duas reivindicações fundamentais: a aplicação de medidas relativas à educação e à tecnologia que permitissem manter os níveis de desenvolvimento econômico e a manutenção e ampliação da política vigente de estímulos fiscais e financeiros para a integração nacional das regiões Norte e Nordeste do país, a partir do revigoramento da Sudene e da Sudam. Foram sugeridas igualmente medidas para a dinamização do setor rural.

A questão do comércio externo foi também bastante importante nas reuniões da III Conclap, já que, para os congressistas, o aumento das exportações asseguraria o crescimento da atividade industrial interna: de um lado, possibilitando o aumento da produção e a baixa dos custos unitários, e, de outro, fornecendo divisas que permitiriam o aumento das importações (especialmente de equipamentos, de matérias-primas e de técnica) exigidas pelo desenvolvimento. De fato, o aumento nas exportações era apontado como o principal mecanismo para a manutenção dos níveis de crescimento econômico do país.

Ao término da III Conclap, seus participantes elaboraram um documento em que recomendavam a criação de um organismo permanente de integração das classes empresariais, a fim de que estas mantivessem uma consulta recíproca e uma ação conjunta. Foi igualmente sugerida a realização de conferências a intervalos de três anos, propondo-se que a IV Conclap se reunisse em Brasília no ano de 1975.

 

 

FONTES: Comércio e Mercados (4/72); Diário Econ. Financeiro (22/3/72).

 

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