FORCA SINDICAL

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Nome: FORCA SINDICAL
Nome Completo: FORCA SINDICAL

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FORÇA SINDICAL

FORÇA SINDICAL

Central sindical fundada em 10 de março de 1991, a Força Sindical é, hoje, a segunda corrente mais importante do sindicalismo nacional. Sua identidade marca-se por duas condições centrais: ter como principal base de sustentação o Sindicato dos Metalúrgicos da Cidade de São Paulo e manter-se em oposição à corrente hegemônica do sindicalismo, a Central Única dos Trabalhadores (CUT). É em torno destes dois eixos que se pode compreender o significado mais profundo da Força Sindical nas cenas política e social brasileiras.

De fato, a história desta central sindical remonta aos idos de 1986, quando Luís Antônio de Medeiros assumiu a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, em substituição a Joaquim dos Santos Andrade, que estivera no poder desde 1965 e se licenciara para assumir a presidência da recém-criada Central Geral dos Trabalhadores (CGT). Com discurso pró-capitalista, em favor do mercado e do “Estado mínimo”, da venda das empresas estatais e, mais importante, pregando o pragmatismo nas relações entre capital e trabalho, com a greve aparecendo como “último recurso” de negociação, Medeiros ganhou farto espaço na mídia. Era a grande “novidade” no cenário sindical, então dominado justamente por um discurso socialista, grevista e estatista, verbalizado pela CUT. Teve grande repercussão, também, sua atitude pró-negociação de pactos sociais, algo que a CUT, uma vez mais, rechaçou desde o princípio.

A emergência de Medeiros trouxe à luz Antônio Rogério Magri, então presidente do Sindicato dos Eletricitários da Cidade de São Paulo e, depois, ministro do Trabalho do governo Fernando Collor de Melo (1990-1992). Em conjunto, tornaram-se pólo de atração de um conjunto crescente de sindicalistas, quase todos articulados na CGT, formando uma nova corrente sindical autodenominada “sindicalismo de resultados”, embrião do que mais tarde seria a Força Sindical. Entre os principais simpatizantes desta corrente estavam os presidentes dos sindicatos de metalúrgicos de Osasco, Cláudio Camargo Crê, e de Guarulhos, Francisco Cardoso Filho, da Federação dos Trabalhadores em Indústrias de Alimentação do Estado de São Paulo, Melquíades de Araújo, e do Sindicato dos Empregados em Centrais de Abastecimento de Alimento do Estado de São Paulo, Enílson de Moura Simões, o “Alemão”. Estas entidades, juntamente com os sindicatos de Metalúrgicos e Eletricitários de São Paulo, representavam mais de um milhão de trabalhadores, apresentando-se, então, como alternativa real de poder no interior da CGT.

Em janeiro de 1988 o grupo mostrou sua força ao expulsar da CGT os militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e, em 1989, ao empossar Magri como presidente da central, rebatizada de Confederação Geral dos Trabalhadores (ainda CGT). Como resultado, nova dissidência aglutinaria Joaquim dos Santos Andrade, o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e o Partido Comunista Brasileiro (PCB) na Central Geral dos Trabalhadores (também CGT). Entretanto, expulsos os grupos de esquerda ou populistas, a CGT de Magri não teve tempo de se tornar o principal terreno de atuação do sindicalismo de resultados. A ida daquele para o Ministério do Trabalho em 1990 esvaziou a entidade, principalmente porque Medeiros se recusou a submeter-se às lideranças pouco expressivas que tinham sobrevivido na confederação. Com isto, enquanto Magri se via às voltas com escândalos de corrupção em seu ministério, Medeiros capitaneava a fundação da Força Sindical, ocorrida em março de 1991.

Este breve percurso histórico serviu o propósito de marcar, de um lado, a descendência da Força Sindical, de linhagem cegetista, porém não atrelada ao ideário estatista e populista desta central, expulso com os grupos de esquerda entre 1988 e 1989. De outro lado, serve para marcar também sua grande dependência da liderança máxima, Luís Antônio de Medeiros, principalmente depois da saída de “Alemão”, ocorrida em fevereiro de 1996 em companhia de mais de trezentas outras entidades. A Força Sindical, desde então, tem cada vez mais a face dos sindicatos de metalúrgicos, em especial o de São Paulo. Mas destacam-se, também, os de Osasco, Guarulhos, São Caetano do Sul, Rio de Janeiro, Volta Redonda e Betim, estes dois últimos amealhados em seguida à privatização, respectivamente, da companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e da Usiminas. Em 1996, conseguiu a filiação de uma dissidência do Sindicato de Metalúrgicos de Santo André, antes importante reduto da CUT. É preciso marcar, porém, que a entidade é mantida principalmente pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, com o qual compartilha sede, burocracia e programas de ação. E é grande sua penetração entre os sindicatos de têxteis do Paraná.

A Força Sindical está organizada em quase todos os estados da Federação. Em 1997, contava 661 sindicatos filiados, representando perto de 5,5 milhões de trabalhadores. Destes, 60% estavam no estado de São Paulo (ver quadro). Na verdade, a central é bastante concentrada territorialmente. Em seu congresso de fundação, em 1991, 70% dos delegados provinham dos estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Seis anos depois, estes mesmos estados contribuíam com 60% das entidades filiadas e com 74% dos trabalhadores representados. Portanto, ainda que distribuída por todo o país, a central tem seu pólo de força concentrado no Centro-Sul.

Desde sua fundação a entidade realizou dois congressos nacionais (agosto de 1994 e agosto de 1997). O congresso é sua instância máxima de deliberação. Ali elege-se a executiva nacional e a direção nacional, além da elaboração dos planos de ação para o triênio seguinte. Internamente, a organização da central reflete suas prioridades de ação na sociedade brasileira. Abaixo da presidência, estão sete vice-presidências “temáticas”: relações intersindicais, integração econômica, saúde do trabalhador, cidadania e direitos humanos, meio ambiente e assuntos previdenciários. Nove secretarias completam o organograma (repetido nos estados da Federação): organização, finanças, educação e formação sindical, políticas públicas, mulher, criança e adolescente, assuntos da juventude, assuntos raciais, assuntos rurais e reforma agrária, e relações internacionais.

Em acordo com os eixos delimitados por vice-presidências e secretarias, a central atua segundo três mecanismos: como grupo de pressão, como corrente de opinião e como representação sindical propriamente dita. A primeira visa o sistema político, principalmente o Congresso Nacional e a Presidência da República. A segunda visa ao público mais amplo, não apenas trabalhadores sindicalizados. Esta é a forma por excelência de se angariar legitimidade para a sustentação da interlocução com o sistema político. E a terceira volta-se para a coordenação da ação, no mercado de trabalho, das entidades filiadas. É em torno deste eixo que encontramos a única publicação oficial da central, a Força-Fax, boletim semanal destinado aos sindicatos filiados e que traz notícias da atuação de suas principais lideranças.

Em razão da coincidência das posições da Força Sindical e dos governos, desde Collor de Melo, em relação à legislação trabalhista (especialmente a flexibilização do mercado de trabalho), ao papel do Estado (em favor das privatizações) e, em menor medida, à organização sindical (hoje em favor do fim da estrutura sindical corporativa), nestes terrenos a atuação política da central tem sido bastante eficaz. Em relação à organização sindical e à legislação trabalhista, principalmente, desempenhou papel de destaque na sugestão de temas, incorporados pelo Ministério do Trabalho na formulação de projetos de lei aprovados sobretudo ao longo de 1997. Desta perspectiva, a Força Sindical consolidou-se como interlocutor estável dos últimos governos, professando, quase sempre, idéias semelhantes em relação a temas como ecologia (desenvolvimento sustentável), previdência (privatização de parte dela), desemprego (apenas o crescimento econômico o promove) e trabalho infantil (francamente contrária). O preço a pagar tem sido a dificuldade que suas principais lideranças, em especial Medeiros, vêm enfrentando para diferenciar-se das elites dominantes com as quais negociam e afirmar interesses autônomos dos trabalhadores. Desde muitos pontos de vista, a central é vista como um aliado do poder, de sorte que mesmo sua principal base de sustentação, os metalúrgicos de São Paulo, acham que a CUT consegue melhores resultados para os trabalhadores.

Adalberto Moreira Cardoso colaboração especial

FONTES: ALVES, V. Trabalho; BOITO JÚNIOR, A. Sindicalismo; CARDOSO, A. Pragmatismo; CARDOSO, A. & COMIN, A. Centrais; COMIN, A. Estrutura; DUARTE, O. Mercadores; FORÇA SINDICAL. Projeto (1993); FORÇA SINDICAL. Resoluções (1997); RODRIGUES, L. M. & CARDOSO, A. Força Sindical.

 

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