FORUM SINDICAL DE DEBATES DE SANTOS

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: FORÚM SINDICAL DE DEBATES DE SANTOS
Nome Completo: FORUM SINDICAL DE DEBATES DE SANTOS

Tipo: TEMATICO


Texto Completo:
FÓRUM SINDICAL DE DEBATES DE SANTOS

FÓRUM SINDICAL DE DEBATES DE SANTOS

 

Organização intersindical de trabalhadores, não reconhecida pelo Ministério do Trabalho, constituída na cidade de Santos (SP) em 1960. Foi dissolvida pelo movimento político-militar de 31 de março de 1964.

A intensificação da mobilização operária durante o governo de Juscelino Kubitschek provocou o surgimento de algumas organizações paralelas às associações sindicais oficiais de trabalhadores. Assim, em 1958, foram criadas a Comissão Permanente de Organizações Sindicais (CPOS), no Rio de Janeiro, e o Conselho Sindical dos Trabalhadores (CST) de São Paulo, que veio substituir o Pacto de Unidade Intersindical (PUI).

Ainda em 1958, os marítimos, os ferroviários e os portuários do Rio de Janeiro lançaram-se em campanhas conjuntas, que dariam origem, três anos depois, ao Pacto de Unidade e Ação (PUA). Em 1960, foi criado em Santos o  Fórum Sindical de Debates (FSD).

No mês de julho de 1960, o FSD convocou uma greve de um dia, conseguindo paralisar os mais importantes setores da indústria, do comércio e dos transportes de Santos, em protesto contra a transferência obrigatória de 31 empregados do Moinho Paulista para fábricas localizadas em outros estados.

Em 1962 o FSD apoiou a greve geral de 24 horas deflagrada em 5 de julho pelo Comando Geral de Greve (CGG) em protesto contra a indicação do senador Auro de Moura Andrade para substituir Tancredo Neves no cargo de primeiro-ministro. No final do mês, nove sindicatos santistas, por discordarem da participação do FSD na greve, desligaram-se da organização, ingressando no Movirnento Sindical Democrático, de orientação anticomunista. O FSD foi uma das organizações que, no mês de agosto, participaram da criação do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT).

No início de setembro de 1963, enfermeiras e funcionários de hospitais em Santos deflagraram uma greve por aumento salarial. Ao contrário dos quatro principais hospitais da cidade, a Santa Casa recusou-se a atender às reivindicações dos grevistas. O FSD convocou então uma greve geral de solidariedade. Uma vez iniciado o movimento, o governador Ademar de Barros enviou tropas da Polícia Militar para dispersar uma reunião do FSD no Sindicato dos Portuários, prendendo cerca de duzentos participantes. Mesmo assim, o FSD continuou a coordenar o movimento, que recebeu ainda a adesão de novos setores como o dos funcionários da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Com o firme propósito de acabar imediatamente com a greve, o ministro da Guerra, Jair Dantas Ribeiro, enviou um representante a Santos. O FSD concordou em conclamar os trabalhadores a retomarem suas atividades.

Ainda no mês de setembro, juntamente com o CGT e o PUA, o FSD foi acusado pelo general Peri Bevilacqua, comandante do II Exército, de haver sustentado a Revolta dos Sargentos da Força Aérea e da Marinha, ocorrida em Brasília.

Com a repressão desencadeada pelo movimento político-militar de março de 1964, o FSD foi fechado, assim como todas as organizações intersindicais.

Mônica Kornis

 

 

FONTES: DULLES, J. Unrest; ERICKSON, K. Sindicalismo; GRIECO, J. Union; HARDING, T. Political.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados