LIGA DEMOCRATICA RADICAL (LIDER)

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Nome: LIGA DEMOCRÁTICA RADICAL (Lider)
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LIGA DEMOCRÁTICA RADICAL (LIDER)

LIGA DEMOCRÁTICA RADICAL (Lider)

 

Movimento militar fundado e chefiado pelo coronel do Exército Osneli Leite Martinelli. Surgida após o movimento político-militar de 31 de março de 1964, a liga fazia parte da chamada “linha dura”, setor das forças armadas que pregava a luta sem tréguas à “corrupção” e à “subversão comunista”, ao mesmo tempo em que combatia a devolução do poder aos civis. Membro destacado desse grupo, o coronel Martinelli chefiava o inquérito policial-militar, sobre a atuação dos grupos dos 11, que tinha como principal indiciado o ex-governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola.

Durante o mandato presidencial do general Humberto de Alencar Castelo Branco (1964-1967), foram constantes os atritos entre o governo e os oficiais da “linha dura”, que discordavam da atuação do presidente frente aos elementos ligados ao regime deposto, considerada demasiado branda. A tensão na área militar aumentou sensivelmente em outubro de 1965, depois das eleições para o governo de 11 estados. Em Minas Gerais e na Guanabara, os candidatos apoiados pelo Partido Social Democrático e pelo Partido Trabalhista Brasileiro, que haviam servido de base política ao ex-presidente João Goulart, derrotaram os nomes lançados pela União Democrática Nacional, principal sustentáculo dos militares no Congresso.

A derrota eleitoral do governo em dois dos mais importantes estados da Federação fortaleceu a posição da “linha dura”, que encarou o resultado das eleições — consideradas, aliás, como um risco desnecessário para o regime — como uma vitória “da corrupção e da subversão”. No dia 5 de outubro, os oficiais anticastelistas, sob a liderança do general Afonso Albuquerque Lima, chefe do estado-maior do I Exército, já tinham elaborado um plano para derrubar o presidente. Além da Lider, imediatamente mobilizada por Martinelli, a conspiração contou com a participação de um grupo de oficiais da Marinha, chefiado pelos almirantes Augusto Rademaker e Sílvio Heck.

O complô não foi adiante devido à interferência do ministro da Guerra, general Artur da Costa e Silva que, reunido com os conspiradores na Vila Militar, no Rio de Janeiro, afirmou que “o Exército... se submetia às decisões do presidente”. Por outro lado, porém, Costa e Silva prometeu que o governo aprofundaria o movimento de 31 de março e promulgaria um segundo ato institucional caso a situação política o exigisse.

A decretação do Ato Institucional nº 2 de 27 de outubro, reforçando o caráter autoritário do regime, atendeu por um lado às reivindicações da “linha dura”. Por outro lado, contudo, foi contrabalançada pela punição de diversos conspiradores: em novembro, o general Albuquerque Lima foi transferido para o sul do país, e o coronel Martinelli, que fora preso em outubro, foi transferido do Colégio Militar do Rio de Janeiro para o de Salvador. A Lider não teve destino melhor, sendo dissolvida pelo Decreto Presidencial nº 57.300, datado de 22 de novembro de 1965.

Sérgio Lamarão

 

 

FONTES: FIECHTER, G. Estado; SCHNEIDER, R. Political.

 

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