LIGA PAULISTA PELA CONSTITUICAO E PELA ORDEM

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Nome: LIGA PAULISTA PELA CONSTITUIÇÃO E PELA ORDEM
Nome Completo: LIGA PAULISTA PELA CONSTITUICAO E PELA ORDEM

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LIGA PAULISTA PELA CONSTITUIÇÃO E PELA ORDEM

LIGA PAULISTA PELA CONSTITUIÇÃO E PELA ORDEM

 

Organização política paulista fundada em maio de 1931 com o objetivo de lutar pela reconstitucionalização do país, apoiando porém o interventor federal em São Paulo, João Alberto Lins de Barros, destacado líder tenentista.

Os revolucionários de 1930, ao mesmo tempo em que abalaram a força política do Partido Republicano Paulista (PRP), frustraram as esperanças do Partido Democrático (PD) de São Paulo, que havia aderido à Aliança Liberal e à revolução. Sentindo-se lesado em seu direito à interventoria no estado com a nomeação de João Alberto para o cargo, o PD passou a mover cerrada oposição ao governo estadual. Em 8 de abril de 1931, ocorreu o rompimento oficial entre o PD e o interventor.

Após esse episódio, iniciou-se realmente a campanha pela reconstitucionalização do país, considerada um passo decisivo para a mobilização dos paulistas em torno da defesa da autonomia do estado. Lançada por profissionais liberais congregados no Instituto de Engenharia de São Paulo, no Instituto da Ordem dos Advogados e na Sociedade de Medicina e Cirurgia, a campanha pró-constituinte deu origem a vários movimentos e organizações, que se multiplicaram no estado de São Paulo no decorrer de 1931 e nos primeiros meses de 1932. Por outro lado, reunidos em legiões e clubes, os “tenentes” se opunham à tese constitucionalista, argumentando que o momento exigia ainda a consolidação da obra revolucionária.

Nesse quadro, em 17 de maio de 1931, foi publicado o manifesto de lançamento da Liga Paulista pela Constituição e pela Ordem. Assinado por 122 “paulistas de nascimento”, o documento, apesar de engrossar a campanha reivindicatória pró-constituinte, declarava irrestrita solidariedade ao interventor João Alberto, considerado pelos signatários “intérprete de seus desejos perante o governo revolucionário da União”.

Segundo o Correio da Manhã (edição de 20 de maio de 1931), o grupo que lançou o manifesto era ligado ao Automóvel Clube, onde correra com exclusividade a lista de adesões. Entre os assinantes figuravam Alves de Lima, Caio Prado, Afrodísio Sampaio Coelho e Antônio Queirós Teles, além de vários elementos que, como Alfredo Pujol, haviam tido destacada atuação no Congresso da Lavoura de 1929.

A reação da imprensa de oposição ao governo estadual diante do manifesto foi veemente. A Liga Paulista pela Constituição e pela Ordem foi denunciada como “insincera” por ainda acreditar no interventor. Foi também acusada de esconder sob a bandeira da constituição — um mero pretexto — sua idéia central, que era hipotecar solidariedade a João Alberto.

O interventor, por sua vez, no dia 19 de maio, agradeceu “aos paulistas de nascimento”, afirmando que seu manifesto era uma conquista dos princípios da Revolução de 1930.

Diante do repúdio do PD, os membros da liga tentaram atrair a simpatia do PRP, na esperança de que conviesse a esse partido reviver seu antigo prestígio aliando-se à João Alberto. No entanto, a investida não alcançou os resultados esperados, pois, como o apontaram alguns perrepistas, entre os quais o ex-presidente estadual Altino Arantes, o próprio manifesto da liga “estabelecia restrições intoleráveis (para o PRP) quanto à elegibilidade dos futuros constituintes”.

De fato, ao apelar para “as forças novas do Brasil”, o manifesto considerava inelegíveis “a) todos aqueles que desempenharam mandato perante as câmaras legislativas federal e dos estados no último exercício; b) o chefe do Governo Provisório, os interventores nos estados e, respectivamente, seus ministros, secretários e chefes de polícia; c) os presidentes, ministros, secretários e chefes de polícia do governo federal e dos estados no último exercício constitucional”.

Embora o manifesto previsse a dissolução da liga na data da promulgação da nova constituição, não houve mais menção à entidade após a saída de João Alberto da interventoria, em julho de 1931.

Vera Calicchio

 

 

FONTES: BORGES, V. História; CARONE, E. República nova; Correio da Manhã (20/5/31); Estado de S. Paulo (17 e 20/5/31); NOGUEIRA FILHO, P. Ideais.

 

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