MANCHETE

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Nome: MANCHETE
Nome Completo: MANCHETE

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MANCHETE

MANCHETE

 

Revista lançada em 26 de abril de 1952, por Adolfo Bloch, no Rio de Janeiro.

Adolfo Bloch nasceu na Ucrânia, em uma família de gráficos. Após a Revolução Comunista de 1917, os Bloch decidiram emigrar, chegando ao Brasil em 1922, onde retomaram sua atividade profissional. Iniciaram seu trabalho com pequenas máquinas manuais, na rua Vieira Fazenda, 24, no Rio de Janeiro. Adolfo e seus irmãos Bóris, Arnaldo e Oscar imprimiam cartazes, folhetos, boletins e embalagens. Posteriormente, a gráfica ocupou endereços diferentes: rua Mem de Sá, 285; rua da Constituição, 38; e rua Visconde da Gávea, 26. Durante a permanência neste último endereço foi iniciada a construção do prédio da rua Frei Caneca. Essa nova sede, instalada num moderno edifício de seis andares, funcionou até 1968, quando a empresa mudou-se definitivamente para a rua do Russel.

Após trinta anos de trabalho no meio gráfico, Adolfo Bloch decidiu editar uma publicação no gênero da francesa Paris-Match, para disputar o mercado de revistas ilustradas em cores, liderado por O Cruzeiro, publicação dos Diários Associados.

No início de Manchete, Adolfo Bloch dispunha de uma rotativa Webendorfer, a primeira offset do Brasil, que durante quatro dias da semana imprimia publicações de outras empresas, reservando somente três dias para a impressão da sua revista. Ao lançar Manchete, Bloch estava consciente da importância das imagens coloridas e contratou agências estrangeiras que forneciam material fotográfico de qualidade, o que impulsionou as vendas da revista. Além do apuro gráfico, a redação da revista foi instalada na rua Frei Caneca.

A capa do primeiro número exibia a bailarina Inês Litowski do Teatro Municipal, posando ao lado de uma carruagem do Museu Imperial, em foto de Orlando Machado. Essa edição trazia ainda uma reportagem fotográfica de Jean Manzon, o fotógrafo francês que tinha sido um dos responsáveis pelo sucesso de O Cruzeiro.

No expediente constavam os nomes de Adolfo Bloch, como diretor-presidente; Oscar Bloch, diretor-superintendente; Nélson Alves, diretor-gerente; Henrique Pongetti, diretor-responsável; e Dirceu Torres Nascimento, diretor-secretário. A revista era propriedade de Bloch Editores, dirigida por Bóris e Arnaldo Bloch.

Com a edição número três, Manchete teve seu primeiro problema com a censura: uma reportagem sobre dança africana em Paris foi considerada atentatória aos bons costumes e a revista foi proibida de circular em Minas Gerais e outros estados. Em 1953, uma foto de Marilyn Monroe nua motivou a apreensão de Manchete em todo o Brasil, determinada pela censura federal.

A edição número 23 de Manchete, em 1952, mostrava Juscelino Kubitschek como governador de Minas Gerais e já o anunciava como “provável futuro presidente da República”.

Em julho de 1954, Oto Lara Resende assumiu o cargo de diretor de redação de Manchete. Em agosto, a revista teve cinco números seguidos completamente esgotados. A edição número 121 exibia Carlos Lacerda na capa e reportagem sobre o atentado da rua Toneleros, ocorrido no dia 5 de agosto, no qual o jornalista e líder político antigetulista saiu ferido e o major-aviador Rubens Florentino Vaz foi morto. A edição seguinte trazia a descoberta dos criminosos e sua ligação com Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente Getúlio Vargas. Com o desenrolar dos acontecimentos, setores militares exigiram a saída de Vargas. Manchete já tinha 82 mil capas rodadas com a foto do brigadeiro Eduardo Gomes e quase toda a tiragem da revista pronta, quando Vargas se suicidou no dia 24 de agosto de 1954. Imediatamente, a edição número 123 foi refeita, transformando-se em uma grande reportagem sobre a vida e a morte do presidente morto. Com a tiragem esgotada, foi feita uma Manchete extra sobre os acontecimentos, também totalmente vendida em poucas horas.

Em 1955, na edição número 187, Oto Lara Resende, ainda diretor da revista, publicou uma entrevista com o general Henrique Teixeira Lott sobre o movimento militar de 11 de novembro de 1955, que assegurou a posse de Juscelino, depondo o então presidente em exercício, Carlos Luz, acusado de participar de uma conspiração que visava impedir a posse dos eleitos, Kubitschek e seu vice, João Goulart.

A revista apoiou o novo governo, engajando-se na defesa de suas propostas desenvolvimentistas. Adolfo Bloch deu força ao slogan “50 anos em cinco”, tirando-o de um discurso de Kubitschek e imprimindo 20 mil cartazes com a expressão. Oto Lara Resende deixou a direção da revista em 1956, sendo substituído por Nahum Sirotsky.

Em 1958, Manchete editou um número especial que mostrava a construção de Brasília, apoiando a iniciativa do presidente Kubitschek. Foi também a primeira empresa jornalística a instalar uma sucursal na nova capital, ainda durante as obras. De lá, Murilo Melo Filho e Jáder Neves enviavam reportagens sobre o andamento da construção. Na inauguração de Brasília, os 760 mil exemplares da revista se esgotaram em 48 horas.

Em 1957, Manchete passou a ser impressa em rotogravura, em uma máquina Albertina, então o mais recente modelo da marca alemã Frakenthal.

Quando o presidente João Goulart foi deposto por um movimento militar em 31 de março de 1964, Manchete foi a única revista a publicar a foto de Goulart, em companhia de Eugênio Caillard, no momento em que deixava o Rio de Janeiro.

Em novembro de 1968, a revista transferiu-se da rua Frei Caneca para uma área de 35 mil metros quadrados na rua do Russell, instalando-se em três prédios de 12 andares projetados pelo arquiteto Oscar Niemeyer. A transferência para os novos prédios, entretanto, fez-se por etapas, sendo o primeiro ocupado em 1968, o segundo em 1980 e o terceiro em 1986. No segundo andar das novas instalações, localizava-se o Museu de Arte Brasileira, com obras de artistas nacionais, e o Teatro Adolfo Bloch. Em 1968, Bloch adquiriu do editor José Olímpio alguns terrenos em Parada de Lucas, no Rio de Janeiro, onde construiu um parque gráfico para a impressão de suas revistas.

A forte relação entre Adolfo Bloch e Juscelino levou a viúva Sara Kubitschek à decisão de velar o corpo do ex-presidente na sede de Manchete, quando de sua morte em 22 de agosto de 1976. Anos depois, Bloch ainda publicou três volumes de memórias de Kubitschek: A experiência da humildade, A escalada política e 50 anos em cinco.

Em 1979 Bloch fez melhorias em seu parque gráfico, trazendo da Itália uma rotativa Cerutti capaz de imprimir 42 mil exemplares por hora a quatro cores.

A revista teve algumas edições internacionais publicadas a partir da década de 1970, a maioria em inglês. Em 1988, Bloch editou uma edição de Manchete inteiramente escrita em russo para distribuir em Moscou durante a visita do então presidente José Sarney à União Soviética. Essa edição, escrita pelos próprios redatores da revista, trazia várias reportagens sobre o Brasil. Em 1989, foi feita uma edição especial em francês, distribuída em Paris durante as comemorações do Bicentenário da Revolução Francesa. Em 1992, houve um número especial em inglês sobre a Eco-92. Outro número especial em inglês foi lançado em outubro de 1996 e tinha como tema principal o Brasil no âmbito da globalização.

Também foram diretores da revista Justino Martins, Hélio Fernandes, Nélson Apel de Quadros, Nélson Alves e Roberto Muggiati, que permaneceu no cargo por mais tempo, de 1975 a 1999, sendo substituído por Jamir Holanda.

Entre 1972 e 1995, Adolfo Bloch assinou uma coluna na revista chamada “Adolfo Bloch escreve”, que tornou-se célebre, entre outras coisas, por criticar a ex-União Soviética, chamando os seus chefes pela alcunha de “tróica imperialista”.

Foram colaboradores de Manchete: Carlos Drummond de Andrade, Guilherme Figueiredo, Raimundo Magalhães Júnior, Rubem Braga, Joel Silveira, Orígenes Lessa, Marques Rebelo, Oto Maria Carpeaux, Manuel Bandeira, Lígia Fagundes Teles, Elsie Lessa, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e o ex-presidente Juscelino Kubitschek, entre tantos outros.

Carla Siqueira/Tatiana Murilo

 

FONTES: BAHIA, J. Jornal; Boletim ABI (5/6/76); Comunicação (6 e 12); ENTREV. MURILO MELO FILHO; Manchete — 40 anos (10/92); Manchete — 45 anos (11/97); MORAIS, F. Chatô; PN. Anuário de Imprensa, Rádio e Televisão (1958).

 

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