MANHA, A

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Nome: Manha, A
Nome Completo: MANHA, A

Tipo: TEMATICO


Texto Completo:
MANHA, A

MANHA, A

 

Semanário carioca de sátira política e de costumes, fundado por Aparício Torelly, também conhecido como Barão de Itararé, em 13 de maio de 1926.

Após deixar a redação do jornal A Manhã, no qual escrevia a coluna de primeira página “A Manhã tem mais...”, Aparício Torelly fundou seu próprio jornal. O primeiro número de A Manha anunciava em seu subtítulo: “Órgão de ataques... de riso”, e já tinha como proposta “morder o calcanhar” das autoridades.

A maior parte dos textos publicados era de autoria de Torelly, que em uma primeira fase do jornal assinava, como diretor-presidente, sob o pseudônimo de Apporely. Entre muitos outros pseudônimos, figuravam em suas colunas alguns escritores conhecidos como Manuel Bandeira, Henrique Pongetti e Mendes Fradique. O jornal era composto de seções bem humoradas de economia, política, denúncias, cotidiano, noticiário policial, esportes e literatura, além de um suplemento de correspondentes estrangeiros, escrito na maneira em que os imigrantes portugueses, italianos e alemães falavam o português.

O projeto gráfico de A Manha acompanhou sempre o tom irreverente de seus textos, utilizando-se de charges, fotografias retocadas e fotomontagens. Como ilustradores, contou com a colaboração de Martiniano, Pedro de Lara, Mollas, Mendes, Hilde e Nássara. Andrés Guevara, diagramador e chargista paraguaio, foi o mais importante colaborador do jornal, atuando desde os primeiros tempos, e mantendo-se no jornal até a década de 1950. Influenciou muitos cartunistas brasileiros e introduziu no país modernos conceitos de diagramação e paginação (tendo sido, também, diagramador da Última Hora, na década de 1950). Guevara manteve a colaboração com Torelly, mesmo residindo na Argentina por longos períodos.

Em 1929, durante a campanha da Aliança Liberal, A Manha circulou por quatro meses como suplemento semanal do Diário da Noite de Assis Chateaubriand, em apoio ao movimento. Na primeira semana, o jornal dobrou sua tiragem, vendendo 15 mil exemplares, até atingir 125 mil exemplares vendidos na data de publicação do programa da Aliança Liberal.

Após a Revolução de 1930, Torelly passou a adotar o pseudônimo de barão de Itararé, alusão irônica à batalha de Itararé, embate que seria decisivo para os rumos da revolução e que não chegou a ocorrer.

Por causa dos constantes ataques ao governo instalado pela Revolução de 1930, Aparício Torelly foi preso em setembro de 1932. No ano seguinte, o jornal engrossava a campanha antifascista, ironizando o lema dos integralistas, “Deus, Pátria e Família”, que era lido como “Adeus, Pátria e Família”. Em 1934, ainda nos primeiros momentos do regime nazista na Alemanha, Aporelly já se referia em seu jornal à “carnificina dos campos de concentração, onde se encontram presos os adversários do regime (...) e milhares de judeus que curtem o crime de não terem nascidos arianos puros”. Em dezembro de 1935, Torelly seria preso novamente, por suas atividades como fundador e militante ativo da Aliança Nacional Libertadora (ANL), no contexto da onda de repressão que se abateu sobre os aliancistas após a insurreição armada da ANL, realizada sob a liderança do Partido Comunista do Brasil (PCB). Algumas das reuniões da ANL, na época de sua fundação, foram, inclusive, realizadas na redação de A Manha. Desses encontros tomaram parte Roberto Sisson, Francisco Mangabeira, Carlos Lacerda, Manuel Venâncio Campos da Paz e Benjamim Soares Cabello, entre outros.

A Manha deixou de circular até que em dezembro de 1936 Torelly, já solto, reabriu o jornal. Mas, só conseguiu funcionar por um ano, sob censura. Nesse período, o jornal concentrou suas críticas no fascismo de Hitler, Mussolini, Franco e Salazar, evitando um confronto direto com a extrema-direita brasileira. Com o Estado Novo, A Manha foi mais uma vez fechada e seu proprietário voltou a colaborar com o Diário de Notícias.

O jornal voltou a circular em 1945, com o mesmo sucesso anterior. Quando desse relançamento, A Manha vivenciou o clima de instabilidade em que se equilibrava o governo de Getúlio Vargas e que prenunciava a articulação de um golpe para retirá-lo da presidência, noticiando em manchete a frase que, invertida, se tornaria uma das mais célebres de Torelly: “Além dos aviões de carreira há qualquer coisa no ar.”

Nessa nova fase, o jornal contou com a colaboração de José Lins do Rego, Sérgio Milliet, Rubem Braga, Raimundo Magalhães Júnior e Álvaro Lins, entre outros. Arnon de Melo assumiu as tarefas comerciais de A Manha e incentivou o maior aproveitamento da imagem do barão de Itararé como garoto-propaganda na publicidade veiculada pelo jornal. A sociedade com Arnon de Melo foi desfeita pouco depois, quando este passou a apoiar a candidatura de Eduardo Gomes, pela União Democrática Nacional (UDN), nas eleições presidenciais.

Em 1948, A Manha deixaria novamente de ser publicada, em meio às dificuldades financeiras vividas por Torelly. Eleito em 1947 para um mandato de vereador do Distrito Federal, na legenda do PCB, Torelly foi cassado no ano seguinte, juntamente com os demais parlamentares do partido.

Em São Paulo, em 1949, como resultado da sociedade de Torelly com Guevara, surgiu o primeiro Almanaque d’A Manha ou Almanhaque, uma coletânea de textos do jornal. Em 1950, o jornal voltou a circular, também em São Paulo, sendo publicado até 1952, quando deixaria definitivamente de ser editado. Em 1955, Torelly lançou os dois últimos Almanhaques.

Em 1960, A Manha reapareceu pela última vez como encarte de uma página na Última Hora.

Mais recentemente, a partir de 1989, os Almanhaques foram objeto de reedições fac-similares promovidas pela Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo e pela Editora Studioma.

Muza Velasquez

 

FONTES: FIGUEIREDO, C. Duas; KONDER, L. Barão; Manha (13/5/26, 14/10/27, 16/2/28); SODRÉ, N. História; TORELLY, A. Almanhaque.

 

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