MANHA, A (1935)

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Nome: MANHÃ, A (1935)
Nome Completo: MANHA, A (1935)

Tipo: TEMATICO


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MANHÃ, A (1935)

MANHÃ, A (1935)

 

Jornal carioca diário e matutino lançado em 26 de abril de 1935 por Pedro Mota Lima para ser porta-voz da Aliança Nacional Libertadora (ANL), movimento de frente ampla contra o fascismo, o imperialismo, o latifúndio e a miséria. Deixou de circular sete meses depois, em 27 de novembro de 1935, ao eclodir no Rio de Janeiro a Revolta Comunista.

 

Atuação

Além de Pedro Mota Lima, trabalharam em A Manhã Osvaldo Costa, Paulo Mota Lima e Sadi Garibaldi. O primeiro número do jornal trazia na capa uma ilustração de Di Cavalcanti, que foi um colaborador assíduo, da mesma forma que Hermes Lima, Jorge Amado, Brasil Gérson, Maurício de Lacerda, Anísio Teixeira, Álvaro Moreira, Rubem Braga, Carlos Lacerda, Josué de Castro, Léo Gondon, Francisco Mangabeira, Newton Freitas, Sá Pereira, Durval Pereira e outros.

A maior ênfase do noticiário de A Manhã era dada às atividades da ANL, em contraste com os demais órgãos de imprensa, que ignoravam ou hostilizavam o movimento. O jornal publicava um relatório diário dos acontecimentos na área sindical, informando sobre assembléias de classe, promovendo campanhas salariais, como a campanha nacional pró-salário mínimo, e dando grande destaque às greves que então se realizavam. Divulgava ainda movimentos políticos ou culturais de esquerda, como a União dos Negros do Brasil, o Centro de Defesa da Cultura Popular, o Clube da Cultura Moderna, a União Feminina do Brasil e a Frente Única Popular Antiintegralista. O noticiário internacional focalizava basicamente o movimento operário e as manifestações antifascistas em todo o mundo.

A Manhã sempre se colocou contra o fechamento da ANL, proposto por setores da imprensa e por grupos políticos e militares, sob a alegação de que se tratava de um movimento comunista. Em 5 de julho de 1935, o jornal publicou o manifesto de Luís Carlos Prestes, presidente de honra da aliança. Quando a ANL foi fechada por decreto do governo em 11 de julho, A Manhã continuou a circular, evitando contudo durante algum tempo atacar diretamente Getúlio Vargas pelo ato de força. Segundo Robert Levine, o jornal preferiu acusar “agentes estrangeiros” como a família Guinle, Assis Chateaubriand, Roberto Simonsen e o British Intelligence Service.

Em agosto de 1935, a principal campanha de A Manhã foi contra o integralismo. No dia 2 desse mês, o jornal publicou uma extensa reportagem sobre corrupção envolvendo Plínio Salgado, chefe supremo da Ação Integralista Brasileira, acusado de ter vinculações com o fascismo italiano. Insistindo ainda na tese de que a ANL fora fechada “por influência de polícias estrangeiras”, o matutino publicou em setembro uma reportagem sobre os festejos do dia da independência intitulada “Estiveram brilhantes os desfiles militares”, com elogios ao Exército e à Marinha. No editorial desse mesmo dia, o jornal conclamava civis e militares a lutar contra o imperialismo.

Ainda no mês de setembro de 1935, foi lançado o suplemento cultural de A Manhã, editado aos domingos. Combatendo os estrangeirismos, o suplemento defendia a cultura nacional e dava grande destaque às escolas de samba. Segundo Barreto Leite Filho, A Manhã trouxe as escolas de samba da zona Norte para o centro da cidade no carnaval, promovendo concursos e dando cobertura às suas exibições. Ao lado do noticiário sindical e cultural, o noticiário esportivo — voltado sobretudo para o futebol — garantia uma grande popularidade ao jornal, que chegou a ser um dos matutinos mais vendidos da cidade do Rio de Janeiro.

A partir de outubro de 1935, refletindo o abandono da política de frente ampla até então defendida pela esquerda, os editoriais de A Manhã iniciaram uma série de ataques frontais a Getúlio Vargas e a seu governo, acusando-o abertamente de fascista. Essa radicalização se intensificou até o dia 23 de novembro, quando eclodiu a Revolta Comunista em Natal. Submetido à censura assim como toda a imprensa carioca, A Manhã apenas noticiou o fato, sem comentá-lo. No dia 27 de novembro, a cidade do Rio de Janeiro amanheceu sitiada, pois nessa madrugada haviam-se sublevado o 3º Regimento de Infantaria da Praia Vermelha e a Escola de Aviação Militar do Campo dos Afonsos, em apoio à revolta de Natal. A Manhã havia preparado uma edição conclamando a população a aderir ao levante comunista, mas antes que pudesse colocá-la em circulação teve sua sede invadida e empastelada pela polícia e todos os seus exemplares destruídos. A grande maioria dos funcionários e colaboradores do jornal foi presa, escapando apenas os que saíram do país. O jornal deixou de circular.

No início de 1936, os deputados Abguar Bastos e Domingos Velasco solicitaram o título de A Manhã, numa tentativa de ressuscitar o jornal. Pouco depois, contudo, ambos foram presos, acusados de vinculação com o PCB por terem defendido a ANL e seu porta-voz na imprensa.

Helena Gasparian

 

 

FONTES: ENTREV. LEITE FILHO, B.; ENTREV. LIMA, P.; LEVINE, R. Vargas; Manhã, Rio; SILVA, H. 1935.

 

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