MILICIA INTEGRALISTA

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: MILÍCIA INTEGRALISTA
Nome Completo: MILICIA INTEGRALISTA

Tipo: TEMATICO


Texto Completo:
MILÍCIA INTEGRALISTA

MILÍCIA INTEGRALISTA

 

Seguindo o modelo paramilitar do fascismo europeu, a Ação Integralista Brasileira (AIB) organizou uma milícia. Conforme a estrutura organizacional definida pelo I Congresso Integralista de Vitória, o departamento de milícia “dirige e controla todas as forças integralistas” e caracteriza-se como “um dos departamentos fundamentais da AIB”. Posteriormente, em 1936, com a reformulação implantada pelo II Congresso Integralista de Petrópolis, o departamento de milícia transformou-se em secretaria de educação (moral, cívica e física). O comandante da milícia era o historiador Gustavo Barroso, sendo que o capitão Olímpio Mourão Filho exercia as funções de chefe do estado-maior da mesma.

A milícia se organizava subdividindo-se em “comando” e “tropas”, o primeiro como órgão de direção e o segundo de execução. A direção suprema da milícia pertencia ao chefe nacional, enquanto chefe das “forças integralistas de terra, mar e ar”, contando com a colaboração da secretaria nacional responsável pela milícia integralista e pela tropa de proteção, bem como do chefe do estado-maior, com a responsabilidade pela “preparação e execução das decisões do alto comando”. Esta mesma estrutura se reproduzia em nível regional com suas ramificações locais.

A milícia se estruturava em quatro seções: a primeira seção ocupava-se da correspondência, controle da organização (estatística, efetivo, disciplina e justiça, inquéritos e promoções); a segunda seção, do serviço de informações; a terceira seção, da instrução militar e elaboração dos planos de operações militares, e a quarta seção, do setor de material e serviços. Portanto, a função da milícia não era apenas de preparar os integralistas para os desfiles e a cultura física, mas desenvolver um verdadeiro treinamento militar, desde a instrução de “técnica, tática e moral” até a elaboração de planos de combate. Aliás, a instrução militar era compatível com as cinco armas militares que constituíam a “tropa” integralista: infantaria, cavalaria, engenharia, artilharia e aviação.

A tropa organizava-se em três categorias: o militante de primeira linha, o militante de segunda linha e a juventude. A hierarquia da milícia distinguia três escalões: os graduados (subdecurião, decurião e submonitor), os oficiais (monitor, bandeirante e mestre de campo) e os oficiais-generais (brigadeiro-tenente e chefe nacional),

A estrutura da milícia implantada em 1934 previa as seguintes unidades: decúria (formada por dez militantes sob o comando de um decurião), o terço (três decúrias sob o comando de um monitor), a bandeira (quatro terços comandados por um bandeirante) e, finalmente, a unidade mais importante da milícia, a legião, constituída por quatro bandeiras, sob o comando de um mestre de campo.

Esta estrutura seria transplantada, em 1936, para a organização da juventude (os “plinianos”), quando o departamento da milícia transformou-se em secretaria de educação. Nessa ocasião, ao lado das atividades paramilitares, desenvolviam-se atividades esportivas, cívicas e de mobilização eleitoral. A linguagem militar era substituída por uma nova terminologia, mas o essencial dos objetivos permanecia o mesmo. As unidades denominavam-se então “turma, escola, bandeira, academia”, e duas novas unidades foram criadas: os “grupos de academias”, sob o comando de um governador de região, e a “província”, sob a direção do secretário provincial de educação. O conselho técnico nacional substituiu o antigo estado-maior, mas as atribuições dos quatro “setores” permaneceram as mesmas das “seções”: o primeiro setor se ocupava do pessoal, arquivos, disciplina e justiça; o segundo, da proteção ao chefe e das reuniões integralistas, bem como dos “serviços de investigação, vigilância e informação”; o terceiro, da instrução, planos de operação e desfiles, e o quarto, dos serviços de saúde, material, comunicação e transportes.

Os ritos de iniciação à militância no movimento começavam a se desenvolver na organização da juventude (“plinianos”). O processo de iniciação começava aos quatro anos de idade e continuava até os 15 anos, época de ingresso definitivo na milícia. Durante esse período, os “plinianos” passaram por quatro grupos diferentes, conforme sua idade: de quatro a seis anos inscreviam-se na categoria dos “infantes”; de seis a nove anos nos “curupiras”; de dez a 12 anos, no grupo dos “vanguardeiros” e de 13 a 15 anos, tornavam-se “pioneiros”.

Todo integralista, com a idade de 16 a 42 anos, era obrigado a inscrever-se nas forças integralistas, optando pela categoria em que desejava engajar-se. Se pretendia inscrever-se como “militante de primeira linha”, devia fazer instrução de miliciano durante 60 dias e depois integrar-se numa “decúria”. Após ter preenchido uma ficha, onde ficavam registradas todas as aptidões do militante, o candidato prestava o seguinte juramento diante do comandante da milícia e de algumas testemunhas: “Assentando praça na milícia integralista, em nome de Deus e pela minha honra eu juro: primeiro, absoluta disciplina aos meus chefes e perfeita solidariedade aos meus camaradas; segundo, dar a minha vida, se necessário, pela causa da revolução integralista; terceiro, amar, respeitar e fazer respeitar o chefe nacional.”

Os militantes da AIB usavam um uniforme constituído de camisa verde, gravata preta, calça preta ou branca, casquete verde e sapatos pretos, e o emblema do movimento (a letra grega sigma) colocado sobre o braço direito e no casquete. A obrigatoriedade de usar o uniforme nas manifestações integralistas era tão rigorosa que o artigo 32 dos protocolos e rituais dispunha que “todo integralista é obrigado a ter sempre pronta, para ser vestida a qualquer momento, a sua camisa verde”. Mesmo que ele fizesse uma viagem de caráter particular devia levar “na mala sua camisa verde”. Os protocolos previam que no caso de um integralista ser preso deveria solicitar à autoridade para tirar a camisa antes de entrar na prisão, “salvo se fosse uma prisão de caráter político”.

Hélgio Trindade colaboração especial

 

 

FONTES:

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados