PENSAMENTO NACIONAL DAS BASES EMPRESARIAIS (PNBE)

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Nome: PENSAMENTO NACIONAL DAS BASES EMPRESARIAIS (PNBE)
Nome Completo: PENSAMENTO NACIONAL DAS BASES EMPRESARIAIS (PNBE)

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PENSAMENTO NACIONAL DAS BASES EMPRESARIAIS (PNBE)

PENSAMENTO NACIONAL DAS BASES EMPRESARIAIS (PNBE)

 

Associação civil voluntária, sem fins lucrativos, com sede em São Paulo, surgiu como movimento informal em 1987 e transformou-se em entidade jurídica em 28 de junho de 1990.

Voltada para a defesa de uma ampla participação dos empresários na política, dentro dos princípios democráticos, e buscando contribuir para a conscientização política do empresário de qualquer setor, região ou porte, também enfatizam a negociação, inclusive com os trabalhadores e a construção de um entendimento nacional. Seu ideário deu ênfase à negociação entre os segmentos da sociedade, o compromisso com a transparência entre as partes e o respeito à diversidade de opiniões, contribuindo para a defesa de uma “sociedade organizada economicamente com base na livre iniciativa, na economia de mercado e num mercado interno forte e integrado competitivamente à economia internacional, na qual o lucro seja um instrumento do desenvolvimento, a eficiência econômica um meio para obtenção da qualidade de vida e onde haja respeito aos patrimônios nacionais, sejam humanos, materiais ou ambientais”.

               

Antecedentes

 

Na década de 1980, vários jovens empresários paulistas, atuantes dentro da FIESP, porém com espaço e ações limitados devido à postura historicamente conservadora da entidade, buscaram novos caminhos para sua atuação. Em meados dos anos 80, houve uma renovação nos quadros de alguns sindicatos e associações da indústria paulista, trazendo novas lideranças sintonizadas com o momento de mudanças democráticas que o país atravessava. Por exemplo, em 1986, os empresários Luiz Carlos Delben Leite e Emerson Kapaz conquistaram a presidência, respectivamente do Sindicato da Indústria de Máquinas (SINDIMAQ) e do Sindicato das Indústrias de Instrumentos Musicais e de Brinquedos (SINDBRINQ), ambos em São Paulo. A idéia de que o empresariado deveria ter não só uma atitude mais ativa, mas, principalmente, que era necessário incluir aqueles empresários que estavam fora do processo político mobilizou uma parcela do empresariado paulista. Incluída nestas demandas estava a proposta de reformulação do processo decisório das entidades patronais que passava pela valorização das bases empresariais.

De acordo com os jornais, Gazeta Mercantil e Folha de São Paulo, em 9 de junho de 1987 aproximadamente 1500 empresários de pequeno e médio porte reuniram-se - no Palácio de Convenções do Anhembi, na cidade de São Paulo - para protestar contra a intervenção do Estado na economia e a favor de uma maior participação do empresariado.   Os líderes do encontro foram Paulo Butori, presidente da ABIFA; Oded Grajew, presidente da ABRINQ; Luis Carlos Delben Leite, presidente da ABIMAQ; Joseph Couri, diretor-presidente do CIESP; Bruno Nardini, da ABIMAQ; Emerson Kapaz, da ABRINQ, além de outros empresários importantes dentro das associações de classe e dos próprios sindicatos como Eduardo Capobianco, Salo Seibel, Luís Peres Michelin, Adauto Pousa Ponte, Fábio Starace Fonseca e Aldo Lorenzetti. Todos compartilharam a idéia de que o empresariado deveria ser mais atuante, principalmente, em função do momento econômico e político que o país atravessava. Este protesto foi o primeiro evento público organizado pelo movimento denominado Pensamento Nacional das Bases Empresariais, PNBE.

 Nesse período o Brasil vivia, economicamente, uma escalada inflacionária e os insucessos da política econômica do governo José Sarney (1985-1990). Politicamente, o país acompanhava os trabalhos da Assembléia Constituinte o que reforçava a idéia defendida pelo grupo de trabalhar com as bases empresariais. No encontro, os empresários protestaram contra a estatização da economia brasileira e os resultados do Plano Cruzado e defenderam a livre iniciativa e a necessidade de instituições sólidas e transparência.

O sucesso da primeira iniciativa resultou em um segundo encontro quatro meses depois, agora com a presença do ministro da Fazenda, Luís Carlos Bresser Pereira. Realizado em 05 de outubro do mesmo ano, também no Palácio das Convenções do Anhembi, participaram dessa audiência pública cerca de mil empresários onde foi discutida a política econômica, especialmente o problema da inflação, e a situação política do país, destacando as propostas de interesse do empresariado para a Assembléia Constituinte. Mais importante do que o debate em si foi a presença, pela primeira vez, de um ministro da Fazenda numa audiência pública com pequenos e médios empresários para discutir os problemas da economia nacional. Outra consequência de sua participação foi o fortalecimento destas novas lideranças empresariais que surgiam com o PNBE. Embora já tivessem organizado um protesto em junho, foi essa reunião, que segundo o Livro do Ano do PNBE, marcaria o nascimento do PNBE. Segundo esta mesma fonte: “Durante os três primeiros anos, o PNBE era um movimento informal. Seus fundadores reuniam-se alternadamente nas sedes de associações das indústrias de brinquedos, fundição e outras. Entre eles, firmou-se a convicção de que o empresariado moderno deveria derrubar um dogma de décadas e articular-se com as lideranças emergentes dos trabalhadores na identificação de causas comuns, como a luta contra a inflação”.

Dessa forma, ao focalizar as principais questões, econômicas e políticas, que o país vivia naquele momento o PNBE inseriu novos temas ao empresariado, como democracia, negociação com governo e trabalhadores e cidadania empresarial, sem deixar de lado as preocupações econômicas como controle da inflação.

Mario Amato, então presidente da FIESP, foi convidado a participar dos encontros promovidos por estes jovens empresários, porém não aceitou, apesar de permitir que o CIESP fosse utilizado, no primeiro encontro, para mobilização do empresariado. Com o segundo encontro foi identificada uma tentativa de enfraquecer o movimento, provavelmente com base no controle da representatividade do empresariado.

Em junho de 1988, um ano após seu surgimento, esse grupo de jovens empresários se opôs a proposta defendida por Amato de mudar o estatuto da CIESP. O objetivo era a criação de um conselho que elegeria um presidente único para as duas entidades, a FIESP e o CIESP. Até então o presidente da FIESP era eleito pelos presidentes dos seus sindicatos e o do CIESP diretamente pelos empresários associados. Essa oposição levou a criação de uma comissão que, buscando uma proposta de consenso, fez algumas mudanças pontuais e manteve o critério de eleições praticamente inalterado, com o CIESP tendo seu presidente eleito através do voto direto de seus associados, e o seu presidente com a prerrogativa de determinar o dia e horário das eleições (podendo ou não ser no mesmo dia das eleições da FIESP).

Nesse mesmo período, membros do PNBE, especialmente Oded Grajew, organizaram uma viagem a Israel junto com sindicalistas, entre eles, os líderes sindicais Luiz Antonio de Medeiros e Gilmar Carneiro com a finalidade de conhecer a experiência deste país no controle da inflação através de um pacto social entre governo, empresários e trabalhadores iniciado em 1985. Membros do PNBE conferiram grande importância à esta viagem, pois era um exemplo de que um entendimento nacional entre estas forças era não apenas possível, mas conduziria a  resultados positivos.

Em janeiro de 1989, a FIESP retaliou com os afastamentos de Paulo Butori do cargo de diretor-adjunto do Departamento de Estatística; de Bruno Nardini do cargo de diretor-adjunto do Departamento de Cooperação Sindical e Oded Grajew da direção- adjunta do Departamento de Expansão Social.

Nesse mesmo ano, o PNBE promoveu audiências públicas com a participação dos candidatos à Presidência da República: Guilherme Afif Domingos, Fernando Collor de Melo, Luís Inácio Lula da Silva, Leonel Brizola e Mário Covas. A intenção era promover a aproximação dos empresários com governantes em oposição às audiências privadas para a elite empresarial. Nesse sentido, o movimento não apoiava nenhum candidato específico, até porque seus líderes possuíam preferências diferentes.

 

Institucionalização

 

Com a falta de espaço para suas idéias dentro da FIESP, em agosto de 1990, os líderes do movimento decidiram realizar a institucionalização do PNBE, sendo que alguns deles como Paulo Butori e Luis Carlos Delben Leite não apoiaram esta iniciativa e continuaram atuando como líderes nos sindicatos e nas associações setoriais, ou seja, nos marcos da Fiesp. Com a institucionalização foram elaborados o estatuto e o ideário da entidade, além da definição de sua estrutura organizacional, procedimentos para inclusão de novos associados e o estabelecimento de uma sede. Os associados seriam os empresários, enquanto pessoa física, e não a empresa, de qualquer setor ou Estado. Inicialmente a maioria de seus associados eram pequenos e médios industriais.

Em termos organizacionais, a nova entidade procurou enfatizar sua postura democrática através da eleição de coordenadores-gerais ao invés de presidente, com mandatos curtos, de seis meses a dois anos, e com a possibilidade de voto à distância. Sendo assim, os membros associados do PNBE reúnem-se em Assembléia Geral Ordinária para eleger o Grupo de Coordenação Nacional (GCN), composto por vinte coordenadores, e o Conselho Fiscal.

Faziam parte do primeiro GCN, constituído em 1990 e formado por 20 coordenadores, os empresários: Emerson Kapaz, Oded Grajew, Adauto Pousa Ponte, Bettina Lenci, Cássio Vechiatti, Cláudio Ryff Moreira, Eduardo Capobianco, Fábio Starace Fonseca, Flávio Mendes Bitleman, Hélio Mattar, Hiram Marques, Jacques Heilman, Joseph Couri, Ladislau Brett, Mario Bernadini, Mario Grobsawm, Mário Simonato, Pedro Camargo Neto, Pedro Wajnstejn e Salo Seibel. Entre as funções do GCN estavam: a fixação de diretrizes gerais de administração do PNBE; a definição de assuntos que devam ser submetidos à consulta aos associados; o debate e posicionamento sobre questões gerais de interesse nacional ou da entidade com consulta aos associados; a criação de Grupos de Trabalho e Forças Tarefa; o estímulo à organização de núcleos locais e regionais; coordenação de ações políticas e de marketing nacionais; a atuação como comissão ética e a aprovação de novos associados. Alem disso, os membros do GCN elegem a Coordenação Executiva da entidade. Esta é composta pelo primeiro e segundo coordenador-geral, e outros três coordenadores executivos, que podem ou não fazer parte do GCN.  Ao primeiro coordenador-geral cabe, entre outras atribuições, a responsabilidade pela representação externa do PNBE. Dessa forma, o GCN se constitui num colegiado, que consulta as determinações da base, e é representado pelo seu coordenador geral.

Oded Grajew foi o primeiro ocupante do cargo de Coordenador-Geral, sendo Emerson Kapaz o Coordenador-Geral. Eles foram reconduzidos à Coordenação Executiva por mais um mandato, mas com inversão de posições de comando. Depois deles, seguiram-se, como primeiro coordenador-geral Sérgio Mindlin e como segundo-coordenador Eduardo Capobianco, que assumiram em dezembro de 1991 e respectivamente Eduardo Capobianco e Hélio Mattar, em julho de 1992; Hélio Mattar e Ricardo Vasconcelos, em dezembro de 1992; Emerson Kapaz e Paulo Anthero Barbosa, por três mandatos entre julho de 1993 a dezembro de 1994; quando foram eleitos Pedro Camargo Neto e Eduardo Schubert; Salo Seibel e Jack Strauss, por dois mandatos entre junho de 1995 a junho de 1996. Eles foram os últimos coordenadores-gerais com mandato de seis meses, a partir de então a duração passou a ser de um ano. Em junho de 1996 o primeiro coordenador-geral eleito foi Ricardo Young. Pela primeira vez, este posto foi ocupado por um empresário da área de serviços, e expressava uma mudança na entidade que passou a contar com a maioria de filiados desta área. Mario E. Humberg foi eleito o segundo coordenador-geral junto com Young. Em julho de 1997 assumiram Eduardo Capobianco e Betty Abramowicz; em julho de 1998 Ricardo Young retornou ao posto e Betty Abramowicz foi reeleita. Seguiram-se: Márcio Valente e Neissan Monadjem (07/1999); Márcio Valente e Fernando de Oliveira Marques (07/2000); Percival Maricato e Gilberto Dibb (maio de 2001, reeleitos em maio de 2002); Mario Ernesto Humberg e Helio Cerqueira Junior (abril de 2003, reeleitos em abril de 2004); Percival Maricato e Livio Giosa (05/2005); José Roberto Romeu Roque e Jorge Hori (maio de 2006); José Roberto Romeu Roque e Livio Giosa (abril de 2007); Mario Ernesto Humberg e Sylvain Kernbaum (abril de 2008) e Percival Maricato e Mario Ernesto Humberg (abril de 2009).

Diversos grupos de trabalho foram criados com o objetivo de ordenar as atividades da entidade e promover o debate de propostas, entre estes grupos estavam os de Relações de Trabalho, Democracia e Cidadania, Articulação Política, entre outros. Um exemplo foi a criação, em dezembro de 1991, do Grupo de Meio Ambiente, coordenado por Percival Maricato, e que possuía uma visão da defesa da ecologia baseada na conquista da cidadania e melhor distribuição de renda. Além disso, com a institucionalização o PNBE criou nos anos seguintes núcleos regionais em Brasília, Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, Presidente Prudente e Vitória.

 

Atuação

 

O PNBE representava inicialmente uma oposição à Fiesp e expressava as questões que uma parte do empresariado vivia em relação a sua representatividade, uma vez que a Fiesp era vista como uma entidade elitista e descolada da sua base. Em sintonia com o momento democrático, o PNBE também advogava a construção de um pacto social nacional para condução do desenvolvimento nacional.

Durante o governo Collor o PNBE ganhou projeção nacional ao atuar como intermediário, principalmente devido a sua ligação com o movimento sindical, no entendimento nacional promovido por este governo. A proposta era construir um entendimento entre o governo e as principais lideranças empresariais e dos trabalhadores, como a FIESP e a CUT (Central Única dos Trabalhadores), buscando, através deste pacto, o controle da inflação, redução de greves e conseqüentemente o estímulo ao desenvolvimento. As reuniões aconteceram entre setembro e dezembro de 1990, quando o pacto acabou sendo extinto, sem obter sucesso devido à falta de comprometimento do governo com as propostas apresentadas.

Mesmo com o fracasso do entendimento nacional, o governo Collor promoveu, de forma unilateral, a criação de câmaras setoriais buscando um tipo de pacto mais específico entre o governo, os empresários e os trabalhadores de diversos setores. A participação do PNBE foi mais uma vez ativa, na medida em que este tipo de ação de negociação era entusiasticamente defendida pela entidade. Em 05 de junho de 1991 foi criada a primeira câmara setorial que era do setor de brinquedos com grande envolvimento dos coordenadores do PNBE, Oded Grajew e Emerson Kapaz, da Abrinq, O PNBE defendia que estas câmaras fossem capazes de discutir com trabalhadores questões mais amplas e não apenas preços.

Como coordenador do PNBE, Emerson Kapaz participou ativamente destas negociações em busca de um acordo entre o governo, os empresários e os trabalhadores. Uma consequência desta projeção foi a inclusão, pela primeira vez, do seu nome na lista de líderes empresariais elaborada pelo jornal Gazeta Mercantil, em 1991, fato que se repetiu nos dois anos subsequentes.

Neste período o PNBE participou de outros canais de negociação, como o criado em 1991, pelo governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury Filho, chamado Fórum Paulista de Desenvolvimento. No ano seguinte esteve presente numa tentaiva de articulação promovida pelo Instituto de Estudos Avançados da USP que reuniu representantes de entidades empresariais e dos trabalhadores: PNBE,  Fiesp, CUT, CGT, Força Sindical e Sociedade Rural. As reuniões resultaram em documentos com pontos de convergência e divergência das entidades, mas sem conseguir ações e prosseguimento das atividades.

Em 1992, com o surgimento das denúncias de corrupção o PNBE participou, junto com outras entidades, do Movimento pela Ética na Política em favor do impeachment do presidente Collor, o que acabou acontecendo em setembro.

Neste mesmo período, Emerson Kapaz disputou as eleições da FIESP e do CIESP contra o empresário Carlos Eduardo Moreira Ferreira, candidato apoiado por Mário Amato. Embora o PNBE tivesse decidido não apoiar oficialmente nenhum candidato, a repercussão interna da candidatura de seu coordenador foi inevitável, levando ao desligamento de alguns membros. Alguns membros discordavam da forma como a candidatura surgiu e não assinaram manifesto de apoio. Outros viram chances reais do candidato vencer no CIESP, já que nela votavam os empresários associados ao contrário da eleição para FIESP onde votam apenas os presidentes dos sindicatos, e a importância desta posição para o PNBE.

A divisão no PNBE em torno da candidatura de Kapaz ocupou toda a campanha, alguns de seus membros como Adauto Pousa Ponte, Cassio Mota Vechiatti e Mário Bernadini, fundadores do PNBE, anunciaram seu apoio a Moreira Ferreira, que se comprometeu a reformular o CIESP, além de acreditarem numa transformação da FIESP. Moreira Ferreira venceu as eleições na FIESP e no CIESP e o grupo do PNBE que o apoiou, conseguiu importantes postos na FIESP.

Ainda em 1992, a entidade criou o Prêmio PNBE de Cidadania como uma forma de homenagear e apoiar iniciativas que se destacassem por sua preocupação com a cidadania. No ano seguinte teve início o projeto Cooperação Empresa/Escola que visava à adoção de escolas públicas promovendo, por exemplo, a recuperação física dos edifícios, investimento em material, assinaturas de jornais, entre outros e participaram junto com Betinho e o IBASE da Campanha Nacional da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida. Atualmente, o Prêmio encontra-se na sua 17ª edição.

No governo Itamar Franco, o PNBE teve uma atuação destacada sempre com seu grande tema em foco, a negociação entre os setores de forma democrática. Para isso sugeriu, assim que Itamar assumiu a Presidência, que fosse criado um Fórum Permanente de União Nacional. Hélio Mattar, então coordenador geral do PNBE, apresentou esta proposta de pacto social visando combater a inflação a partir de um conceito ampliado das câmaras setoriais. A idéia, no entanto, não foi concretizada.

Em 1993, o PNBE e a FIESP manifestaram-se contra a criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira, IPMF, sendo que o PNBE enfatizou a ausência de consulta à sociedade sobre o novo imposto. Numa atitude de aproximação as duas entidades organizaram um seminário sobre ética empresarial, a aproximaçção não significava, no entanto, que compartilhassem as mesmas idéias. Nesse mesmo ano, o PNBE elaborou sua proposta de reforma política baseada no voto distrital misto, cláusula de barreira, fim dos suplentes de senador, voto não obrigatório, adoção da fidelidade partidária entre outros.

Um dos projetos sociais iniciados nesse período foi o “Cooperação Empresa/Escola”, cuja proposta era a adoção de escolas públicas por parte de empresas, que atuavam através de fornecimento de recursos para reformas de prédios, substituição de equipamentos quebrados, cursos de reciclagem para professores, compra de livros e desburocratização da administração, além de enfatizarem a integração entre o empresário, os pais e professores.

Outra iniciativa, implementada em 1994, foi o projeto “Minha Rua, Minha Casa” em parceira com a Organização de Auxílio Fraterno, OAF, e que resultou na criação de um centro de convivência sob um viaduto na Baixada do Glicério, em São Paulo, para atendimento a moradores de rua. O local foi cedido em comodato pela prefeitura. Nesse local ofereciam, entre outras coisas, armários e cofre para documentos desses moradores de rua, lavanderia, telefones comunitários e posto de enfermagem. O desenvolvimento e complexidade deste trabalho promoveram, posteriormente, a criação de uma entidade própria, a Associação Minha Rua, Minha Casa.

Em 1994, foi aplicado pelo então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, o Plano Real, que instituía a Unidade Real de Valor (URV) a ser convertida em uma nova moeda, iniciando um processo de estabilização inflacionária. De acordo com uma pesquisa realizada com os membros do PNBE, a entidade apoiou fortemente o plano, mesmo que tivesse sugerido algumas mudanças, como por exemplo em relação ao controle de preços. Esta posição do PNBE contribuiu para que a maioria dos seus membros apoiasse Fernando Henrique Cardoso, do Partido Social Democrata Brasileiro (PSDB), à Presidência da República, mesmo com restrições a sua aliança com o Partido da Frente Liberal (PFL). Além do fim da inflação, o estreitamento da relação com o PSDB foi percebido com a participação de membros da entidade na gestão de Mário Covas à frente do governo de São Paulo (1995-2001). Emerson Kapaz foi nomeado para a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, Hugo Marques da Rosa para a Secretaria de Recursos Hídricos e Alberto McDowell de Figueiredo para uma diretoria da Nossa Caixa Nosso Banco.

Nem todos os seus membros estavam de acordo com o apoio a política econômica de Cardoso. Outra parte menor do PNBE, no entanto, manteve uma postura de oposição ao governo federal. Dessa forma, a divisão dentro do PNBE refletiu-se nas eleições de 1995 para coordenador geral, que pela primeira vez não teve seu coordenador-geral escolhido por aclamação. O industrial paulista Salo Seibel, identificado com as teses da social-democracia, venceu o empresário da área de filmes, Paulo Antero de Barbosa, mais identificado com o grupo liderado por Oded Grajew, que apoiou a candidatura de Lula. Para Seibel o PNBE tinha como objetivo “ser um movimento nacional, não-setorial, e ligado ao máximo ao que chamamos de base. Seria catalisador do processo de politização do empresariado brasileiro, de participação política e não-corporativa”, e o sucesso da entidade dentro desta proposta é exemplificado por ele no apoio a realização de acordo nacional e o estímulo à negociação direta com os trabalhadores.

Nesse mesmo ano, em relação à eleição para a representação patronal, o PNBE apoiou a reeleição de Carlos Eduardo Moreira Ferreira na FIESP. Nas eleições seguintes, porém, o cenário mudou. A disputa ocorreu entre Horácio Lafer Piva, da empresa de papel e celulose Klabin, candidato apoiado por Moreira Ferreira, e Joseph Couri, um dos fundadores do PNBE. O PNBE não se posicionou, mas vários dos seus membros apoiaram a chapa de Piva, como Emerson Kapaz e Eduardo Capobianco. Com apoio amplo, Piva venceu com facilidade na FIESP e no CIESP e designou para o Departamento de Economia, importante cargo da entidade, um membro do PNBE, a economista Clarice Pechman.

Com este novo cenário, o governo de Cardoso e a gestão de Piva na FIESP, o PNBE adotou uma postura menos oposicionista tanto em relação ao governo quanto à FIESP e voltou-se com mais ênfase para seus projetos sociais e para a discussão de reformas, entre elas, a tributária e política.

Em 1996 foi fundado o Instituto PNBE de Desenvolvimento Social, que teve início com o Grupo de Trabalho de Educação do PNBE, com objetivo de estimular ações sociais e culturais nos diversos campos da educação com ênfase na promoção da cidadania, ética na política e participação social. Além disso, o PNBE realizava ações internas de debates com empresários de sucesso, com a imprensa e com personalidades envolvidas em projetos sociais e ações de cidadania. Participaram, por exemplo, destas atividades Otávio Frias Filho, da Folha de São Paulo; Mino Carta, da Carta Capital e o Movimento Voto Consciente, que fiscalizava a Assembléia Legislativa de São Paulo.

Ainda na gestão de Ricardo Young e Mario Ernesto Humberg (junho/1996 a abril/1997), o PNBE recebeu os ministros Bresser Pereira, Paulo Renato e Raul Jungmann; os governadores Mário Covas (SP), Vitor Buaiz (ES) e João Alberto Capiberibe (AP); os secretários Fábio Feldmann, Walter Barelli e Emerson Kapaz; e os candidatos à prefeitura de São Paulo, Luiza Erundina, Celso Pitta e José Serra.

Em 2001, protestaram ativamente contra as tentativas de evitar a cassação dos senadores Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda, no episódio de violação na do painel eletrônico do Senado Federal, quando da votação da cassação do senador Luiz Estevão. A entidade chegou a enviar pizzas (na verdade, discos de papelão impressos como pizza) a todos os senadores pressionando-os a cassarem os mandatos dos acusados e apesar da iniciativa, o resultado final foi a renúncia dos senadores.

Coma chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder, através da vitória de Lula, o PNBE, que era a única ou uma das poucas entidades empresariais com membros simpáticos a este partido de esquerda sofreu um desgaste interno. Oded Grajew, um dos fundadores do PNBE, participou do primeiro governo Lula, e fundou a Cives (Associação de Empresários pela Cidadania). Nesse período, vários empresários deixaram a entidade.

Em 2003, o PNBE lançou o Projeto Brasil 2022 – do País que temos ao País que queremos, remetendo ao ano que marca os 200 anos da independência do Brasil, com objetivos ousados de transformação nas esferas social, econômica, ambiental, democrática e ética.  Através de grupos de trabalho eles organizaram debates e propuseram metas a serem alcançadas até 2022, entre elas, 100% de alfabetização de pessoas até 21 anos com 12 anos de escola e redução dos tributos  para 20 a 25%, sobre a renda principalmente e não sobre o consumo. O objetivo é conscientizar líderes e cidadãos da importância de se pensar a longo prazo e buscar um “país socialmente justo, economicamente forte, ambientalmente sustentável, democraticamente estável e eticamente respeitável”,

Com uma atuação bem mais discreta, o PNBE continuou expressando suas opiniões, por exemplo, contra lei que instituía taxa do lixo em São Paulo; em 2004 defendendo a divulgação dos nomes dos candidatos que tiveram suas candidaturas impugnadas por antecedentes criminais e; em 2005 quando divulgaram uma carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrando providências em relação às denúncias de corrupção e a crise que o seu governo enfrentou durante este ano. Nesse ano, o PNBe promoveu workshops sob o título “Governança Pública e Combate à Corrupção” para a discussão com autoridades e formadores de opinião sobre o tema em voga, além disso apoiaram a iniciativa do Instituto Ethos de realização de um Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção. Também se pronunciam através de manifestos que defendiam o fim da obrigatoriedade de cobrança do imposto sindical a trabalhadores, a fidelidade partidária

Em 2008 o PNBE completou 21 anos com menor notoriedade política, porém tendo visto muitas de suas idéias incorporadas na sociedade como a aproximação entre empresários e trabalhadores, a responsabilidade social, cidadania e democracia. Na FIESP as mudanças podiam ser percebidas com a presença de sindicalistas em alguns debates da entidade e algumas críticas feitas ao governo. Por outro lado, nesses vinte e um anos o PNBE expandiu-se, tendo criado os núcleos regionais de Marília e Ribeirão Preto, em São Paulo, e Vitória, no Espírito Santo. O número de filiados, que chegou a 400, reduziu-se à metade. Várias novas entidades tiveram origem no PNBE o que fez com que seu, então coordenador-geral Mario Ernesto Humberg, o definisse como um”incubadora de movimentos” e afirmasse “Decidimos que nossa preocupação é lançar idéias que ajudem o País, e não ser donos delas. É um pouco diferente da maior parte dos movimentos”.

 

 

Fabrícia Guimarães

 

FONTES: Bianchi, Alvaro. Hegemonia em Construção: a trajetória do PNBE. São Paulo: Xamã, 2001. Gomes, Eduardo e Guimarães, Fabrícia. “Os empresários entre a tradição e a renovação: O caso do pensamento nacional das bases empresariais (PNBE)”. Revista Internacional de Estudos Políticos, ano 2 – nº1, abril. Rio de Janeiro: UERJ/NUSEG, 2000. PNBE. Livro do Ano 97/98: dez annos de realizações em favor da cidadania. São Paulo, 1998. Pensamento Empresarial, nº2/1993; nº8/1994; Gazeta Mercantil (9/6/87, 6/10/87, 4/1/89, 15/5/92 e 3/7/08); Folha de S. Paulo (10/6/87, 6/10/87, 3/1/88, 2/9/89, 6/6 e 8/11/91, 13/5, 30/7/92, 12 e 13/9/94 e 11/7/95).

http://www.pnbe.org.br

 

 


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