TV CULTURA

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Nome: TV Cultura
Nome Completo: TV CULTURA

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TV CULTURA

TV CULTURA

Emissora de televisão fundada por Roberto Costa de Abreu Sodré, então governador do estado de São Paulo, em 1969. A Cultura não é, porém, uma televisão governamental. A TV Cultura é mantida pela Fundação Padre Anchieta, entidade de direito privado instituída pelo governo do estado de São Paulo, e custeada por dotações orçamentárias legalmente estabelecidas e recursos próprios obtidos junto à iniciativa privada, sob a forma de apoios, licenciamentos, serviços e co-produções.

A Fundação Padre Anchieta — Centro Paulista de Rádio e TVs Educativas — é administrada por um conselho constituído por representantes natos de instituições educativas e culturais públicas e privadas do país (Universidade de São Paulo, Universidade Estadual de São Paulo, Universidade de Campinas, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Faculdades Mackenzie, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Associação Brasileira de Imprensa, entre outras), formado por três membros vitalícios, representantes de segmentos da sociedade, eleitos pelo próprio conselho, e por um representante dos empregados. A diretoria é eleita, com mandato de três anos, pelo conselho.

A TV Cultura tem tido como princípio não veicular comerciais. Os anunciantes, através de apoio cultural ou projeto especial, vinculam seu produto ou marca diretamente a um programa específico previamente selecionado. A participação tem sido em forma de chancelas de seis segundos, exibidas na abertura, intervalo e encerramento do programa.

A TV Cultura vem tendo uma posição relevante no contexto da televisão brasileira, com um nível de audiência pouco habitual entre as televisões educativas e culturais do país. Sua programação, de caráter alternativo à das redes comerciais, busca contribuir para a formação do público, por meio de quatro tópicos: educação, cultura, informação e entretenimento.

Como complementação educacional para adultos, a TV Cultura tem oferecido cursos de línguas, de história, de ciências e programas dirigidos a professores e estudantes em geral, tais como: Nossa língua portuguesa, Olhando para o céu, Vestibulando, Energia, entre outros.

A TV Cultura tem dedicado também especial atenção aos temas da infância. Oprimeiro passo em direção à produção própria de programas infantis aconteceu ainda na década de 1970, quando a emissora adaptou a série Vila Sésamo, em parceria com a TV Globo e a Children’s Television Workshop. Desde então, passou a investir em programas infanto-juvenis, como o Revistinha, o Cocoricó, o X-tudo, o Glub-glub e o Castelo Rá-tim-bum, sendo que o último já lhe rendeu vários prêmios, incluindo o do Festival Internacional de Nova Iorque. Nesse setor, a TV Cultura desenvolveu estilo e linguagem próprios.

No jornalismo, foi a primeira emissora brasileira a retransmitir a CNN (Cable News Network). Diariamente apresenta os telejornais Jornal da Cultura (em duas edições) e Opinião nacional, a revista cultural Metrópolis e o informativo ecológico Repórter eco.

O programa semanal Roda viva registrou importantes debates na televisão ao entrevistar presidentes, senadores, deputados, governadores, acompanhando as discussões políticas em diferentes momentos vividos pelo país.

No ano de 1975, o jornalista Vladimir Herzog da TV Cultura foi encontrado morto em sua cela nas dependências do DOI-CODI. Herzog havia sido incluído numa leva de cidadãos detidos para prestar depoimentos sobre supostas atividades subversivas. A versão oficial para sua morte foi a de suicídio por enforcamento. A manifestação pública de oito mil pessoas que compareceram ao culto ecumênico em sua memória, na catedral da Sé, adquiriu o sentido de protesto contra a repressão do governo militar.

Sucessivos governos tentaram mexer nos rumos da emissora. Logo após sua posse em 1979, o governador Paulo Maluf resolveu exigir espaço na programação. Em seguida, seu vice, José Maria Marin — empossado para que Maluf concorresse à Câmara dos Deputados —, tentou por meio de dois decretos extinguir o conselho curador, nomear novos membros e afastar a diretoria executiva. Os decretos foram publicados no Diário Oficial de 30 de agosto de 1982, mas a emissora reagiu. Dezoito membros do conselho, entre eles o ex-ministro Dílson Funaro, o ex-governador Abreu Sodré e membros da consultoria jurídica, impetraram mandado de segurança contra o governo estadual. O Superior Tribunal de Justiça deu ganho de causa à Fundação Anchieta, derrubando os decretos de José Marin por 23 votos a zero.

O ex-governador Orestes Quércia, quando assumiu seu mandato, tentou novamente nomear o presidente da Fundação. Quércia mandou publicar a nomeação, mas recuou após ter sido alertado sobre o funcionamento da TV Cultura.

Em 1986, um incêndio destruiu quase todas as instalações e equipamentos na sede da emissora, localizada no bairro de Água Branca, que teve de ser praticamente reconstruída. Com as obras de reconstrução, a empresa ganhou uma unidade independente, o auditório Zampari, no Bexiga.

Em 1992, a TV Cultura instalou uma nova antena retransmissora, no Sumaré, que ampliou em 50% o alcance de sua imagem na Grande São Paulo, até então seu ponto fraco. A nova antena, uma torre de 480 toneladas de aço com 159 metros de altura, tornou-se um novo ponto de referência na paisagem da cidade.

Em fevereiro de 1993, a TV Cultura adquiriu um canal no satélite Brasilsat, que lhe forneceu condições técnicas para atingir todo o território nacional via antena parabólica. Anteriormente, apenas 443 cidades paulistas recebiam o sinal da emissora, por meio de linhas telefônicas. Esse canal via satélite era utilizado pela TV Jovem Pan, que o perdeu por falta de pagamento.

Na ocasião, o presidente da Fundação Padre Anchieta, Roberto Muylaert, declarou que a TV Cultura esperou sete anos para conseguir o canal no Brasilsat, já que a requisição à Embratel datava de 1986. A demora, segundo Muylaert, teria sido motivada por razões políticas, visto que a emissora exibira no programa Roda viva uma entrevista com o então governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola. O ministro das Comunicações na época, Antônio Carlos Magalhães, seria o responsável pelo boicote à TV Cultura, por não ter aprovado a entrevista com Brizola.

Em 1995, o governador Mário Covas promoveu um corte de 40% na verba destinada à Fundação, alegando dificuldades financeiras no orçamento do estado. O corte, além de causar a demissão de duzentos funcionários da emissora, prejudicou grande parte da programação.

Essas medidas econômicas impostas à TV Cultura repercutiram nos meios de comunicação, gerando um debate público em defesa da emissora. O governador Mário Covas aceitou, então, a proposta de acordo feita pela Rede Cultura e diminuiu, por 120 dias, os cortes no orçamento da emissora, evitando novas demissões. Durante esse período, a TV Cultura teve que se reestruturar para diminuir os custos, buscando outras fontes de recursos.

Nessa situação, a emissora procurou apoios culturais de empresas públicas e privadas e buscou realizar co-produções e aprovar projetos por meio da Lei de Incentivo Fiscal, que permitia abatimento no imposto de renda de pessoas e empresas que investissem em cultura. Nesse sentido, a TV Cultura conseguiu firmar contrato de apoio cultural com a empresa de aviação VASP, patrocínio do Banco de Boston para o programa Roda viva e da General Motors para o Jornal da Cultura, entre outros.

No início de 1996, o governo do estado de São Paulo assinou acordo com a Fundação Padre Anchieta para a criação do 1º Projeto de Integração Cinema-TV. Ficou estabelecido que a TV Cultura financiaria a produção, finalização e exibição de longas-metragens cinematográficos com recursos oriundos da Secretaria de Estado da Cultura.

O projeto teve inspiração no relacionamento instaurado entre cinema e televisão pelo cineasta Roberto Rossellini na década de 1960, na Itália. A prefeitura de São Bernardo do Campo (SP), que também apoiou o projeto, colocou os estúdios da indústria cinematográfica Vera Cruz à disposição da secretaria.

A partir de 1995, a Fundação Padre Anchieta, anteriormente dirigida pelo jornalista Roberto Muylaert, passou a ser presidida pelo escritor e jornalista Jorge da Cunha Lima. A diretoria executiva, nesse mesmo ano, foi ainda composta por Renato A. Bittencourt, diretor superintendente, Bete Carmona, diretora de programação (segundo mandato consecutivo), Francisco A. S. Emílio, diretor financeiro-administrativo, e José Munhoz, diretor técnico.

            Em 1999 foi criada a Rede Pública de Televisão (RPTV). Um acordo para conciliar os horários e programação da TVE e da TV Cultura. A rede foi formada por vinte emissoras públicas educativas e culturais e 938 retransmissores. A RPTV alcança 1.300 municípios. Neste mesmo ano, a TV Cultura começou a incorporar à sua programação, propagandas comerciais selecionadas em filmes de até 30 segundos.

                Em 2003 a TV Cultura, juntamente com a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Mackenzie e a TV Globo, participou dos testes de instalação do modelo japonês de TV digital.

                No ano de 2005, houve uma mudança no estatuto da Fundação Padre Anchieta que definiu nova forma para seu Conselho Curador: 47 membros, sendo três vitalícios, 20 natos, 23 eletivos e um representante dos funcionários da Fundação.

                Em 2007, Paulo Markun, diretor e apresentador do programa "Roda Viva”, foi empossado presidente da Fundação Padre Anchieta. A TV Cultura passou a ser organizada de acordo com faixas de programação, estimulando a fidelidade dos telespectadores e facilitando a formação de rede.

                Em agosto de 2009, a TV Cultura recebeu autorização para fazer uso "em caráter científico e experimental"  da multiprogramação (recurso da TV digital que permitia a transmissão de vários programas ao mesmo tempo). Em março, a TV Cultura havia colocado no ar, dois canais digitais: o da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) e o Multicultura, mas foi obrigada a retirá-los do ar, pois, de acordo com norma baixada pelo ministério das Comunicações em 27 de fevereiro, a multiprogramação só estava autorizada para as emissoras públicas federais.

 

Colaboração Especial Márcia Paiva/

 

 

FONTES: Almanaque Abril; Estado de S. Paulo (12 e 18/6, 5/8/95, 9/1 e 22/3/96); Folha de S. Paulo (11 e 15/2/93, 19/4, 11 e 13/6/95, 8/1/96); Globo (online) 06 maio 2009. Dis- ponível em :  <http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2009/05/06/tv-cultura-autorizada-fazer -multiprogramacao-em-carater-experimental-755724155.asp>. Acesso em : 24 nov. 2009; Jornal do Brasil (8/6/95); Portal TV Cultura. Disponível em : <http://www.tvcultura. com.br>. Acesso em : 15 nov. 2009.

 

 

 

 

 

 

 

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