VOZ OPERARIA

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Nome: VOZ OPERÁRIA
Nome Completo: VOZ OPERARIA

Tipo: TEMATICO


Texto Completo:
VOZ OPERÁRIA

VOZ OPERÁRIA

 

Jornal carioca, inicialmente semanal e depois mensal, fundado em fevereiro de 1949 pelo Partido Comunista Brasileiro então Partido Comunista do Brasil (PCB). Circulou regularmente até fevereiro de 1959, quando foi fechado por iniciativa do próprio PCB. Voltou a circular, na clandestinidade, entre 1964 e 1975 e, de então até agosto de 1979, foi editado no exterior. Teve alguns números editados clandestinamente durante o ano de 1980.

 

Criação

Com o fechamento do jornal A Classe Operária, em 1949, tornou-se necessário criar um novo periódico que desempenhasse o papel de porta-voz oficial do PCB. Para preencher essa função, foi fundada a Voz Operária, jornal destinado à divulgação e à discussão das principais teses do PCB entre seus próprios militantes, mas também voltado para um noticiário mais amplo, preocupado com as condições de vida dos trabalhadores e com sua mobilização política.

 

Atuação

Em 1951, A Classe Operária voltou a circular como órgão oficial do PCB, sendo vendida nas bancas. A Voz Operária não perdeu porém suas atribuições, continuando a sair com regularidade e sendo também vendida legalmente.

No ano seguinte, A Classe Operária foi definitivamente fechada, e a Voz Operária sofreu modificações substanciais. Na verdade, constatou-se a necessidade de dar ao jornal uma linha mais aberta e popular, capaz de atrair “um público amplo, sem fronteiras estreitas e objetivos limitados”, abrangendo “todo o povo, do médico à dona-de-casa, do cientista ao operário”.

Em setembro de 1952, portanto, iniciou-se uma reforma geral na Voz Operária, tanto do ponto de vista gráfico quanto do ponto de vista do conteúdo jornalístico. A apresentação das matérias foi modificada, ampliando-se o uso de fotografias e de caricaturas, dentro do propósito de tornar a leitura mais amena. O noticiário foi aberto a novos temas, de interesse mais geral e redigidos numa linguagem mais acessível. Foram inauguradas seções de literatura, cinema, teatro e artes em geral. Foram também introduzidas seções variadas de passatempo, com palavras cruzadas e partidas de xadrez.

Essa reformulação foi bem-sucedida, resultando numa ampliação considerável da circulação do jornal. Mesmo assim, alguns de seus redatores, com o apoio do diretor Áidano do Couto Ferraz, consideravam as alterações insuficientes e defendiam uma abertura ainda maior do noticiário.

Ao longo do ano de 1955, começaram a surgir novos tipos de reportagens, que nem sempre enfocavam a realidade sob a ótica da cúpula do PCB. Essa atitude da redação do jornal foi severamente criticada pela direção do partido, que a qualificou de reformista. Desse modo surgiram as primeiras divergências entre a Voz Operária e o partido.

Em fevereiro de 1956, com a divulgação do Relatório Kruschev denunciando o stalinismo, o culto à personalidade e o funcionamento do Partido Comunista na URSS, as divergências entre a Voz Operária e o PCB se acentuaram. Enquanto os chamados “abridistas” reivindicavam a abertura dos debates nas colunas do jornal e dentro do próprio partido, os “fechadistas” defendiam a discussão com limites definidos. Essa situação abriu o caminho ao questionamento da própria democratização interna do PCB e da autonomia da imprensa comunista.

As páginas da Voz Operária refletiram nesse período os conflitos latentes dentro do PCB, bem como as divergências entre sua própria direção e o comitê central do partido. Em maio de 1957 a cisão se consumou, e grande parte da equipe da Voz Operária, na qual se incluíam Agildo Barata, Áidano do Couto Ferraz e Osvaldo Peralva, entre outros, se desligou tanto do jornal como do partido.

A partir desse momento, o semanário entrou em crise, enfrentando dificuldades para se reorganizar. Continuou, entretanto, a circular como órgão oficial do PCB, sob a direção de Mário Alves.

Em 1959, dentro de um processo de reformulação de sua política editorial, o PCB decidiu fechar a Voz Operária e fundar um novo jornal, que recebeu o título de Novos Rumos.

Com o movimento militar de 1964 e o conseqüente fechamento de Novos Rumos, o PCB fez ressurgir a Voz Operária como seu órgão oficial, editado agora clandestinamente e em condições precárias. O jornal passou a ser mensal e mimeografado. Em 1965, ainda ilegal, a Voz Operária melhorou sua apresentação gráfica, passando a circular com regularidade.

Durante o ano de 1967, por ocasião dos preparativos para o VI Congresso do PCB, a Voz Operária teve papel de destaque, publicando um suplemento denominado Tribuna de Debates. Esse suplemento era aberto ao pensamento das correntes conflitantes no partido, lideradas por Mário Alves, Jacó Gorender, Carlos Marighella, Apolônio de Carvalho e outros, que questionavam as teses a serem votadas durante o congresso.

Em dezembro de 1974, com a invasão pela polícia das gráficas do PCB no Rio e em São Paulo e com a prisão de toda a equipe do jornal, tendo à frente o ex-deputado federal Marco Antônio Coelho, a Voz Operária saiu de circulação. Nesse momento estava sendo preparado o nº 120, comemorativo de dez anos de circulação clandestina.

Em 1976, o jornal foi relançado no exterior sob a direção de Armênio Guedes, passando a funcionar como o veículo através do qual eram discutidas as questões que abriram o caminho para a eclosão da chamada luta interna no PCB. Essa luta opunha, de um lado, aqueles que se identificavam com uma nova orientação comunista conhecida como “eurocomunismo” e, de outro, o grupo ortodoxo liderado pelo secretário-geral do partido, Luís Carlos Prestes.

Em 1979, com a perspectiva de decretação da anistia e a conseqüente possibilidade de o PCB vir a agir abertamente, a edição de um jornal clandestino perdeu o sentido. O PCB decidiu então suspender a publicação da Voz Operária no mês de setembro, para dar lugar à criação de um novo periódico denominado Voz da Unidade, que foi lançado em março de 1980.

Com a publicação de uma carta de Prestes ainda em março de 1980 denunciando a falência da direção do PCB e sua conseqüente destituição do cargo de secretário-geral do partido, a Voz Operária voltou a circular clandestinarnente, editando alguns números. Nessa fase o jornal deu apoio a Prestes e acusou a direção do PCB de ser “direitista” e seguir uma política de “conchavos de cúpula”.

Marieta de Morais Ferreira

 

 

FONTES: CHILCOTE, R. Partido; ENTREV. FERRAZ, A.; ENTREV. GAZZANEO, L.; Voz Operária.

 

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