Carlos Alberto Medeiros

Entrevista

Carlos Alberto Medeiros

Entrevista realizada no contexto do projeto "História do Movimento Negro no Brasil", desenvolvido pelo CPDOC em convênio com o South-South Exchange Programme for Research on the History of Development (Sephis), sediado na Holanda, a partir de setembro de 2003. A pesquisa tem como objetivo a constituição de um acervo de entrevistas com os principais líderes do movimento negro brasileiro. Em 2004 passou a integrar o projeto "Direitos e cidadania", apoiado pelo Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) do Ministério da Ciência e Tecnologia. As entrevistas subsidiaram a elaboração do livro "Histórias do movimento negro no Brasil - depoimentos ao CPDOC." Verena Alberti e Amilcar Araujo Pereira (orgs.). Rio de Janeiro: Pallas; CPDOC-FGV, 2007. A escolha do entrevistado se justificou por ser importante militante do Movimento Negro desde o início da década de 1970 e, atualmente, um dos maiores especialistas brasileiros em políticas de Ação Afirmativa.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.
Entrevista em áudio disponível na Sala de Consulta do CPDOC.
Entrevista em vídeo disponível na Sala de Consulta do CPDOC.
Entrevista publicada em livro.
Referência completa: Histórias do movimento negro no Brasil - depoimentos ao CPDOC. Verena Alberti e Amilcar Araujo Pereira (orgs.). Rio de Janeiro: Pallas; CPDOC-FGV, 2007.

Tipo de entrevista: História de vida
Entrevistador(es):
Verena Alberti
Amilcar Araujo Pereira
Data: 15/4/2004
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 2h50min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Carlos Alberto Medeiros
Nascimento: 4/8/1947; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Formação: Bacharel em Comunicação e Editoração - UFRJ (1972). Mestre em Sociologia e Direito - UFF (2003).
Atividade: Militante do Movimento Negro desde a década de 1970 e um dos maiores especialistas no Brasil em Políticas de Ação Afirmativa. Participou da SINBA, do IPCN. Assessor da Coordenadoria de Segurança, Justiça, Defesa Civil e Cidadania – Governo do Estado do Rio de Janeiro (2000-2002); Subsecretário Adjunto de Integração Racial- Secretaria de Estados dos Direitos Humanos e da Cidadania/RJ (1999); Assessor Técnico do Senado Federal-Gabinete do Senador Abdias Nascimento (1997-1999); Assessor do Ministro Extraordinário dos Esportes (1995-1996); membro do Grupo de Trabalho Interministerial para a valorização da população negra- Ministério da Justiça (1995-1996); Chefe de Gabinete da Secretaria de Estado Extraordinária de Defesa e promoção das Populações Negras/RJ (1991-1994).

Equipe

Levantamento de dados: Amilcar Araujo Pereira;
Pesquisa e elaboração do roteiro: Verena Alberti;Amilcar Araujo Pereira;

Transcrição: Amilcar Araujo Pereira;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes; Marco Dreer Buarque;

Sumário: Luisa Quarti Lamarão;

Temas

Discriminação racial;
Esquerda;
Estados Unidos da América;
Forças Armadas;
Golpe de 1964;
Jornalismo;
Movimento cultural;
Movimento negro;
Movimentos sociais;
Negros;
Racismo;
Regime militar;
Repressão política;
Rio Grande do Sul;
São Paulo;

Sumário

Entrevista: 15.04.2004

FITA 1-A
Origem familiar; a infância no Rio de Janeiro e, posteriormente, no interior de São Paulo e na capital paulista, acompanhando a mãe, empregada doméstica; lembranças do convívio com a família Giffone; contato com costumes japoneses e árabes no bairro Liberdade, em São Paulo; a segregação racial no Rio Grande do Sul, vivenciada quando visitava a família da mãe, em Porto Alegre, durante a juventude; observação da existência de segregação em outros estados do Brasil e relativização da diferença entre o racismo no Brasil e nos Estados Unidos; a experiência como aluno da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, em Barbacena (MG) (1964-1968), e seu afastamento da escola por suspeita de comunismo; comentários sobre a presença de negros como oficiais das forças armadas; o grupo de leitura organizado por alguns alunos da Escola Preparatória de Cadetes do Ar; acidente de avião sofrido durante a formação na escola de cadetes do ar; o processo de desligamento da escola, em 1968.

FITA 1-B
O desligamento da Escola Preparatória de Cadetes de Ar (continuação); a preparação para o vestibular para comunicação, em 1969; lembranças dos padrinhos, com quem morou no Rio de Janeiro; o trabalho como revisor no Jornal do Brasil, paralelo à faculdade de comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro; a compra de exemplar da revista norte-americana Ebony, como parte do processo de afirmação da negritude, e a adoção do cabelo afro, em 1969, no Rio de Janeiro; descrição dos bailes soul no Clube Renascença, animados por Asfilófio de Oliveira Filho, o Filó; a crítica ao movimento cultural Black Rio por parte de intelectuais de esquerda e de direita; defesa do soul enquanto manifestação cultural: a afirmação da negritude, a influência sobre outras formas musicais e a diferença em relação ao samba; a identificação do entrevistado como especialista de soul e black music; lembrança de congresso afro-brasileiro realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, no início da década de 1970, sem a participação de negros brasileiros; a participação nas reuniões do Centro de Estudos Afro-Asiáticos (CEAA) da Faculdade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, a partir de 1974; as formas de apropriação, pelo movimento negro no Brasil, das experiências dos negros norte-americanos e africanos, nos anos 1970; referência à criação, no Rio de Janeiro, da Sociedade de Intercâmbio Brasil-África (Sinba), em 1974, e do Instituto de Pesquisa das Culturas Negras (IPCN), em 1975.


FITA 2-A
A fundação do IPCN (1975) (continuação): participação de artistas negros, de membros da Sinba e de participantes das reuniões do CEAA; breve comentário sobre a utilização de artistas brancos em papel de negros, como no caso da novela Gabriela, veiculada pela TV Globo na década de 1980; participação de membros do IPCN na fundação da Escola de Samba Quilombo; o audiovisual Passado africano, produzido pelo entrevistado e pelo IPCN, como estratégia de discussão da questão racial, em 1975; o trabalho com Filó na empresa de vídeo Cor da Pele, na década de 1980; o convite feito por Abdias do Nascimento para trabalhar na Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção da População Negra (Sedepron), no estado do Rio de Janeiro, em 1991; o processo de compra da sede do IPCN, com financiamento da Interamerican Foundation, na década de 1970; recordações da comemoração do primeiro aniversário do IPCN, na cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1976); menção ao ato público contra o racismo, nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, ocorrido em julho de 1978; análise da relação entre o movimento negro e os órgãos de repressão do regime militar; a atuação de tropas do Exército durante a "Marcha contra a farsa da abolição", realizada em 11 de maio de 1988, na Candelária, no Centro do Rio de Janeiro, para evitar que os manifestantes chegassem à estátua de Duque de Caxias; a defesa da ação afirmativa a partir do início da década de 1990: organização de seminário na prefeitura de São Paulo, junto com Hédio Silva Júnior, em 1992.


FITA 2-B
As diferentes identidades raciais atribuídas ao entrevistado em diferentes contextos, e considerações sobre a "arbitrariedade do signo racial"; breve menção ao conceito de "modernidade líquida" de Zigmund Baumann; as origens da idéia de ação afirmativa no movimento negro contemporâneo no Brasil; ocasiões em que o entrevistado foi aos Estados Unidos, a partir de 1991; iniciativas de empreendimentos de empresários negros brasileiros e norte-americanos desenvolvidas no Brasil à época da entrevista; razões pelas quais negros norte-americanos gostam de vir ao Brasil, à época da entrevista, e razões pelas quais o entrevistado também gosta de estar nos Estados Unidos; respostas às críticas contra a ação afirmativa, especialmente contra as cotas para negros nas universidades; avaliação dos resultados das políticas de ação afirmativa nos Estados Unidos.

FITA 3-A
Respostas às críticas contra a ação afirmativa, especialmente contra as cotas para negros nas universidades (continuação); o desempenho dos alunos cotistas no primeiro semestre de 2003, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj); considerações sobre os critérios utilizados na diferenciação racial entre negros e brancos; análise da relação entre o movimento negro e instâncias do poder público, ao longo das últimas décadas; a experiência de trabalho na Sedepron, no estado do Rio de Janeiro, no início dos anos 1990; exemplos de medidas de ação afirmativa implementadas pelo Estado nos Estados Unidos; crítica a propostas de políticas voltadas para os pobres, como forma de atingir os negros; a experiência como assessor do ministro Extraordinário dos Esportes na gestão de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, de 1995 a 1996; menção à participação no Grupo de Trabalho Interministerial de Valorização da População Negra, criado pelo governo federal em 1995; a informação, obtida no kardecismo, de que o entrevistado tem uma missão relacionada à questão racial; o trabalho como assessor do senador Abdias do Nascimento, entre 1997 e 1999.


FITA 3-B
Atuação como assessor de Abdias do Nascimento no Senado (continuação); o mestrado em sociologia e direito na Universidade Federal Fluminense, a partir de 2001; relato de fiscalização feita em shopping do Rio de Janeiro pelo movimento negro, levantando o número de lojas que empregavam funcionários negros; a III Conferência Mundial contra o Racismo, realizada em Durban, África do Sul, em setembro de 2001: convite para integrar a delegação brasileira, elaboração do vídeo O Brasil em Durban e os efeitos da Conferência no Brasil; descrição de como o governador Anthony Garotinho sancionou, em novembro de 2001, a Lei nº 3.708, aprovada pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), instituindo cotas para negros no acesso às universidades públicas estaduais; discussão sobre a pouca diferença que existe entre os pontos de vista da direita e da esquerda em relação ao movimento negro; a importância da Lei nº 10.639, sancionada em janeiro de 2003, tornando obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nos ensinos fundamental e médio; balanço da trajetória do movimento negro: a ação afirmativa como bandeira comum, o respeito mútuo entre os militantes como sinal de maturidade e a distância do entusiasmo dos anos 1970; recordações das reuniões do IPCN no prédio do Instituto Cultural Brasil-Alemanha, no Centro do Rio, na década de 1970.

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