Manuel Villaverde Cabral

Entrevista

Manuel Villaverde Cabral

Entrevista realizada no contexto do projeto “Cientistas sociais de países de Língua Portuguesa: histórias de vida”, com financiamento do Programa de Cooperação em matéria de Ciências Sociais para os países da comunidade de Língua Portuguesa (Programa Ciências Sociais CPLP) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Para ter acesso à transcrição e ao vídeo da entrevista clique aqui.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.
Entrevista em vídeo disponível na Sala de Consulta do CPDOC e trechos no portal.

Tipo de entrevista: História de vida
Entrevistador(es):
Helena Maria Bousquet Bomeny
Celso Castro
Maria das Dores Guerreiro
Antonio Firmino da Costa
Data: 11/5/2010 a 9/9/2010
Local(ais):
Lisboa ; PT ; Portugal

Duração: 7h18min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Manuel Villaverde Cabral
Nascimento: 1/1/0001; Ponta Delgada; ; Açores;

Formação: Licenciatura em Letras pela Universidade de Paris (1968); Doutoramento em História na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales-Université de Paris I (1979).
Atividade: Desde 1990 tem lecionado, a nível de Pós-Graduação, várias disciplinas de Ciências Sociais em diversas instituições universitárias, tais como: o ICS (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa), ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa ), a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, dentre outros. Foi vice-reitor da Universidade de Lisboa de 1998 a 2002 e Diretor da Biblioteca Nacional de Lisboa entre os anos de 1985 e 1990.

Equipe


Transcrição: Maria Izabel Cruz Bitar;

Conferência da transcrição: Carlos Subuhana ;

Técnico Gravação: Marco Dreer Buarque; Bernardo de Paola Bortolotti Faria;

Sumário: Tatiane Carla Oliveira da Silva;Tereza Azambuja;

Temas

América Latina;
Antropologia;
Assuntos familiares;
Assuntos pessoais;
Atividade acadêmica;
Atividade científica;
Atividade profissional;
Bahia;
Bibliotecas públicas;
Bolívar Lamounier;
Bolsas de estudo e de pesquisa;
Brasil;
Carreira acadêmica;
Ciência política;
Ciências Sociais;
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa;
Comunismo;
Congressos e conferências;
Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos;
Desigualdade social;
Ditadura;
Emigração;
Ensino;
Ensino superior;
Espanha;
Esquerda;
Fernando Henrique Cardoso;
Formação acadêmica;
Formação escolar;
Formação profissional;
França;
Guerra civil espanhola (1936-1939);
História;
Imigração;
Instituições acadêmicas;
Instituições científicas;
Instituições de ensino;
Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa ;
Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj);
Intercâmbio científico e tecnológico;
João Freire;
José Guilherme Merquior;
Língua estrangeira;
Língua portuguesa;
Mário Soares;
Minas Gerais;
Obras de referência;
Perseguição política;
Pesquisa científica e tecnológica;
Política;
Política nacional;
Portugal;
Produção intelectual;
Regime militar;
Relações internacionais;
Religião;
Religiões afro-brasileiras;
Revolução dos Cravos (1974);
Rio de Janeiro (cidade);
São Paulo;
Segunda Guerra Mundial (1939-1945);
Sociologia;
Viagens e visitas;

Sumário

1ª Entrevista: 11.05.2010

Arquivo em áudio 1: As origens familiares do entrevistado: a “descendência intelectual”; o ramo familiar espanhol, materno, basco e catalão; a história do bisavô, especialista em Morse, autor e tradutor de livros; a história do avô, engenheiro de telecomunicações; a história da família no contexto da Guerra Civil Espanhola; menção à ajuda recebida pela família por parte do, então “Ministro da Gobernacíon, Julián Zugazagoitia para fugir da Espanha; origens do ramo familiar paterno; semelhanças e diferenças entre os dois ramos genealógicos; memória e influências da família do pai; a história de vida do avô, Joaquim Manuel Cabral – médico, militar, republicano, positivista e maçon – e a sua Memória, escrita pelo entrevistado; menção ao fato de pertencer a uma família composta por “altos funcionários públicos”; comentários acerca da união matrimonial dos pais, sob o contexto da Segunda Guerra Mundial; menção à como os pais se conheceram; o regresso da mãe à Barcelona; o seu nascimento em Ponta Delgada, Portugal; a posição política de esquerda da sua família; a formação de famílias republicanas liberais de tendência esquerdista como reação ao fascismo; comentários acerca da sua infância e juventude; os primeiros anos de estudo; os estímulos à leitura, através do pai; a influência do livro, O Émile, de Jean Jacques Rousseau, na sua educação; a relação carinhosa com o irmão mais novo e a mãe e a relação um pouco mais afastada com o pai; o estudo como um refúgio para os problemas em família; a politização prematura, por influência do pai; comentários acerca do processo da escolha profissional; a indecisão inicial para escolher o curso; o interesse pela arquitetura, a sua entrada e saída do curso; a mudança curricular do curso de Arquitetura durante a ditadura; o primeiro emprego, no setor de contabilidade da Federação Nacional dos Produtores de Trigo (FNPT); a transferência do setor de contabilidade para o da Biblioteca e Informação, onde teve contato com o livro: História econômica geral, de Max Weber; a experiência no Movimento dos Cineclubes; o contato com o pintor Mequias Capinan; a entrada no Partido Comunista Português (PCP); o contato com o escritor Mário Henrique Leiria; a sua primeira reunião como militante; comentários acerca do funcionamento do partido comunista luso e dos papéis que ocupou; mais comentários sobre a carreira profissional na FNPT; os trabalhos como tradutor; menção ao breve namoro com Maria Emília Dias Coelho; o emprego na editora Europa-América, substituindo um companheiro de partido, que estava desaparecido; menção à visita do papa Bento XVI à Portugal e breves críticas a atuação de Joseph Ratzinger enquanto Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé; menção à criação do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP) e da participação de Durão Barroso, em sua criação; o exílio político de 1963 em Paris; os precedentes do exílio; a tentativa de captura pela Polícia Internacional e de Defesa de Estado (Pide)..........pp. 1-40.
Arquivo em áudio 2: A fuga com a esposa com destino à Madri, para viajar para Paris no dia seguinte; o exílio político de 1963 em Paris; observações acerca do serviço militar português na época da ditadura; comentários sobre o grande número de imigrações de jovens portugueses do sexo masculino durante o Estado Novo; o primeiro contato com as ciências sociais; menção ao papel fundacional de Adérito Sedas Nunes, com relação à sociologia portuguesa; os empregos em editoras de Paris; a entrada na Faculdade de Letras na França e os motivos que o levaram a escolher o curso; menção a fundação da Frente Ação Popular (FAP), em Portugal; participação no Comitê Marxista-Leninista Português (CMLP) e na Revista Revolução popular; a influência de Ernesto de Souza, e o trabalho na revista A Imagem; os encontros com Luis Buñuel; a licenciatura em literatura francesa e comparada, concluída em 1968; o primeiro Comitê Marxista-Leninista, em sua casa, no ano de 1965; a influência de Georg Lukács e Antonio Gramsci; a publicação da revista Cadernos de Circunstância; comentários acerca do trabalho como tradutor; a dissolução do grupo da revista; mais comentários sobre a experiência do Maio de 1968, na França; observações acerca de João Freire; a sua primeira pesquisa histórica, sobre a questão da reforma agrária – menção á interiorização do “vírus acadêmico”, nos termos de Pierre Bourdieu; a dissolução do grupo da revista e o destino de cada um dos membros; breve introdução sobre sua tese de doutorado...........pp.41-62.

2ª Entrevista: 14.05.2010

Arquivo em áudio 1: O primeiro ano de doutorado na École Pratique des Hautes Études, com Fernando Medeiros; o curso do economista e historiador Charles Bettelheim, abandonado em seguida; a aproximação com Pierre Villar; comentários acerca da tese, produzida em conjunto com Fernando Medeiros; menção a participação no grupo “Potere Operaio”, e à influência do seu líder Toni Negri; a ida para Londres, e a divisão entre trabalho e atividade política revolucionária; lembrança do exílio na França e do grupo dos “Cadernos de circunstância”; a influência do pensamento e dos movimentos ultra-esquerdistas, em Portugal; a importância do filósofo José Gil e a amizade com seu irmão, Fernando Gil; a distinção entre “exilados”, “emigrantes” e “expatriados”, e a importância dessas categorias na história de Portugal, sobretudo desta última; breves comentários sobre o colonialismo português e a gestão do império português antes e durante o Governo Salazar; a Revolução dos Cravos e suas repercussões; a versão portuguesa de O desenvolvimento do capitalismo, escrita por ele; a tese de História sobre o século XIX; a importância da dependência de Portugal à Inglaterra, para manutenção de seus territórios; a ida à Portugal por ocasião da revolução em 25 de Abril, de 1974; a entrada no ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa) como professor; a decisão de, iniciada a carreira acadêmica no ISCTE, abandonar a carreira política; menção aos trabalhos de Salazar, anteriores ao Estado Novo português; a bolsa de estudos em Oxford; a origem da bolsa e a experiência vivida por causa desta; ; a entrada para o Gabinete de Investigações Sociais (GIS), em 1976; o curso, dado pelo entrevistado, de sociologia rural e a questão da articulação do urbano com o rural em Portugal; comentários acerca dos temas de pesquisa e publicações feitas pelo entrevistado; menção à saída do ISCTE; o papel que exerceu na informatização da Biblioteca Nacional de Portugal; o trabalho na Biblioteca Nacional de Portugal; o Clube de Esquerda Liberal – grupo criado por ele e outros estudiosos; breves comentários sobre a relação com Adérito Sedas Nunes; a saída da Biblioteca Nacional; a relação com o Brasil: a ida ao Brasil em 1979 por ocasião da criação do IDESP (Instituto de Estudos Econômicos, Sociais e Políticos de São Paulo) por Bolívar Lamounier; a relação com os amigos brasileiros, Sérgio Miceli e José Guilherme Merquior; o trabalho apresentado na IPSA (Instituto de Pesquisas Sociais Aplicadas) , em 1982, sobre o fascismo português..................................pp.1-38.


3ª Entrevista: 09.09.2010

Primeiro contato com o Brasil a partir do Centro de Estudos Latino-Americanos em Oxford; o contato com Fernando Henrique Cardoso; relações políticas no Brasil; o convite de Bolívar Lamounier a Manuel Villaverde para a primeira ida ao Brasil, em 1981; publicações sobre o tema do regime de Salazar; a criação do Instituto de Estudos Econômicos, Sociais e Políticos de São Paulo (IDESP); o encontro de sociologia em Higienópolis, São Paulo, organizado por Bolívar Lamounier; a origem da ciência política portuguesa; a emancipação dos campos da história e da ciência política; a colaboração entre o Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), o Instituto de Ciências Sociais (ICS) e o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE); o encontro com Renato Lessa; a investigação científica em Portugal; o Clube da Esquerda Liberal e o presente de Mário Soares a Villaverde Cabral, a Biblioteca Nacional; a volta ao Brasil, em 1982, para o Congresso Mundial de Ciência Política na Universidade Cândido Mendes e concessões no IUPERJ; o congresso Luso-Afro-Brasileiro em 1990; a importância do Brasil para os Portugueses; as colaborações entre Brasil e Portugal ao nível das ciências sociais; o intercâmbio luso-brasileiro de teorias; sociólogos importantes de Portugal, a exemplo de José Machado Pais; avaliações sobre as ciências sociais no Brasil e em Portugal; a bolsa Afro-Brasileira oferecida pelo ICS; a conexão com o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR); projetos realizados com brasileiros; o Centro de Estudos Sociais (CES) da América Latina, sediado em Minas Gerais; momentos marcantes de passagens pelo Brasil; o encontro de sociologia e antropologia, em 2000; o contato com o candomblé em Salvador, Bahia e na baixada fluminense, Rio de Janeiro; a escolha de exercer apenas a carreira de pesquisador, e não mais lecionar; a entrada de Villaverde Cabral na carreira de sociólogo; o problema das publicações internacionais e o inglês como língua científica hegemônica;o ensino da sociologia em Portugal; as críticas de João Freire; a criação da Associação Portuguesa de Sociologia (APS), a partir do ISCTE, que engloba todas as instituições de sociologia; a qualidade do ensino da sociologia em Portugal, relacionada a um corpo docente constantemente ligado à pesquisa; avaliações sobre o Brasil hoje; a questão dos imigrantes brasileiros em Portugal; o problema da massificação do ensino das ciências sociais; a utopia do ensino massificado e de qualidade; o problema do capital humano relacionado às desigualdades sociais; a possível emigração qualificada de portugueses ao Brasil.






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