Celso Amorim I

Entrevista

Celso Amorim I

Entrevista realizada no contexto da pesquisa “A política externa brasileira em transição”, parte integrante do projeto “Brasil em transição: um balanço do final do século XX”, desenvolvido pelo CPDOC com participação da Universidade Federal Fluminense (UFF) e com apoio do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex), entre janeiro de 1997 e dezembro de 2000. O projeto resultou na publicação de diversos artigos, na organização dos arquivos de Tancredo Neves, Azeredo da Silveira e Paulo Nogueira Batista; além da constituição de um acervo de entrevistas. A escolha do entrevistado justificou-se por ter sido ecretário-geral das Relações Exteriores (1993), ministro das Relações Exteriores (1993-1994), e representante permanente do Brasil junto à Organização das Nações Unidas - ONU (1995-1999).
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Alexandra de Mello e Silva
Data: 29/11/1997
Local(ais):
Nova Iorque ; -- ; EUA

Duração: 2h10min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Celso Luiz Nunes Amorim
Nascimento: 3/6/1942; Santos; SP; Brasil;

Formação: Instituto Rio Branco (1965). Pós-graduação em Relações Internacionais - Academia Diplomática de Viena (1967). Doutorado em Relações Internacionais - London School of Economics (1971).
Atividade: Professor de Língua Portuguesa no Instituto Rio Branco (1976); professor de ciências políticas e relações internacionais na Universidade de Brasília- UNB (1977); membro permanente do Departamento de Assuntos Internacionais do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo; secretário de Assuntos Internacionais no Ministério da Ciência e Tecnologia (1985-1988); diretor geral do Departamento Cultural no Ministério das Relações Exteriores (1989-1990); diretor geral do Departamento Econômico no Ministério das Relações Exteriores (1993); secretário-geral das Relações Exteriores (1993); Ministro das Relações Exteriores (1993-1994); representante permanente do Brasil junto à ONU (1995-1999); representante permanente do Brasil junto à Organização das Nações Unidas e demais organismos internacionais em Genebra (1999-2001).

Equipe


Transcrição: Lia Carneiro da Cunha;

Conferência da transcrição: Maurício Silva Xavier;

Copidesque: Ignez Cordeiro de Farias;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Sumário: Alexandra de Mello e Silva;

Temas

Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT);
Argentina;
Conselho de Segurança da ONU;
Diplomacia;
Estados Unidos da América;
Governo Fernando Collor (1990-1992);
Governo Fernando Henrique Cardoso (1995-1998);
Governo Itamar Franco (1993-1994);
Governo José Sarney (1985-1989);
Liga das Nações;
Mercosul;
Ministério das Relações Exteriores;
Organização das Nações Unidas;
Paulo Nogueira Batista;
Política nuclear;
Relações econômicas internacionais;
Relações internacionais;

Sumário

Entrevista: 29.11.1997
Mudanças introduzidas pelo governo Fernando Collor (1990-92) na política externa brasileira, nas áreas comercial e nuclear, adoção de discurso "voluntarista" pró-Primeiro Mundo; mudanças na política econômica externa e liberalização comercial durante os governos José Sarney (1985-90) e Collor; repercussões do fim do protecionismo comercial para as negociações brasileiras no GATT (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio), com abandono de postura excessivamente defensiva; caráter retórico do discurso diplomático de Collor em relação à orientação do governo anterior e ausência de participação institucional do Itamarati na formulação daquele discurso; preocupação do Itamarati em defender competências do ministério na área econômica e comercial face à criação do Ministério da Economia, e em garantir que mudanças liberalizantes não fossem concessões unilaterais; papel positivo do Ministério das Relações Exteriores no processo de redefinição do modelo de desenvolvimento no sentido de manter coerência da diplomacia frente às pressões externas; postura nacionalista do Ministério da Ciência e Tecnologia naquele mesmo processo; evolução da política nuclear brasileira, com medidas tomadas pelos governos Sarney, Collor e Itamar Franco (1992-95); obstáculos à revisão da legislação referente à propriedade intelectual, necessidade de readaptação do Itamarati ao novo modelo de desenvolvimento e abertura do debate dentro e fora do ministério.
Papel do Itamarati em assegurar que abertura econômica e comercial fosse aproveitada para aprofundar integração regional; avanço rápido nas negociações do MERCOSUL como projeto audacioso do Estado; papel do Brasil, dentro do MERCOSUL, em assegurar a adoção da TEC (Tarifa Externa Comum) face à resistência argentina; convite para a secretaria geral do Ministério das Relações Exteriores e ascensão ao cargo de ministro no governo Itamar; orientação geral daquele governo de imprimir moderação ao tratamento de certos temas da política externa; novas ênfases introduzidas pelo governo Itamar no tocante à reforma do Conselho de Segurança da ONU e à criação da ALCSA (Área de Livre Comércio Sul-americana); proposta da ALCSA como sinalização do aprofundamento da integração na América do Sul e alternativa à proposta norte-americana da ALCA (Área de Livre Comércio Americana); lançamento da CPLP (Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa), que reincorpora a África ao discurso e prática diplomática do Brasil; viagens a países africanos durante sua gestão à frente do Itamarati; importância da viagem à Cuba e da adoção de uma política de "mão estendida" em relação à ilha; influência brasileira sobre novas posições assumidas pelo governo cubano; luta interna no Itamarati entre "neoliberais" e "neodesenvolvimentistas" durante governo Itamar; críticas do embaixador Paulo Nogueira Batista à política externa de Collor e oposição à adoção da TEC; abstenção brasileira na votação do Conselho de Segurança da ONU em relação à intervenção no Haiti (1994).
Desastre da reforma administrativa do Itamarati realizada pelo governo Collor; orientação do governo Itamar de corrigir "excessos" de cosmopolitismo ocorridos no governo anterior, mas preservando aspectos positivos; interesse e participação do presidente Itamar Franco no processo decisório da política externa, especialmente no episódio do voto na ONU sobre a intervenção no Haiti; avaliação que levou ao lançamento da candidatura brasileira a membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, em 1994; importância desse tema nos contatos diplomáticos brasileiros em 1994 e primeiros apoios recebidos; evolução e complexificação das perspectivas de reforma do Conselho e diferentes tratamentos dados pelos governos Itamar e Fernando Henrique Cardoso (1995-99 e 1999-2003) à questão; atributos que embasariam a ambição brasileira de integrar o Conselho e comparação com outros momentos em que tal aspiração também se colocou, como na Liga das Nações e na criação da ONU; naturalidade da candidatura do Brasil em função do peso de sua presença internacional; importância da incorporação da América Latina na representação permanente do Conselho de Segurança; posição dos países latino-americanos, especialmente México e Argentina, em relação à ampliação do Conselho e à candidatura brasileira; dificuldades conceituais de implantação da proposta argentino-mexicana de rotatividade dos novos membros permanentes.
Posição dos países latino-americanos quanto à proposta de rotatividade dos novos membros permanentes do Conselho de Segurança; comparação entre candidatura brasileira atual e à época da Liga das Nações e da criação da ONU; candidatura brasileira como representante da América Latina; críticas à noção de "consenso regional" como critério de escolha dos novos membros permanentes do Conselho; questão do direito de veto para os novos membros permanentes; situação do projeto de reforma do Conselho de Segurança apresentado pelo Grupo de Trabalho da ONU (Projeto Razali); principais divergências dentro da coalização majoritária de estados-membros que apóia a ampliação do Conselho; análise da crise diplomática Brasil/Argentina provocada pela entrevista do presidente Carlos Menem ao jornal O Estado de S. Paulo (17/08/1997); oposição na própria Argentina à proposta daquele país de rotatividade dos novos membros permanentes; conversa pessoal com o chanceler argentino Guido di Tella, durante o governo Itamar, sobre as diferentes vocações geopolíticas de Brasil e Argentina; possíveis contradições entre a posição do Brasil como representante de si mesmo ou da América Latina no Conselho.
Peso dos argumentos normativos e/ou pragmáticos nos pronunciamentos brasileiros na ONU; visão e atuação brasileira em relação à reforma geral da ONU; paralelo entre a reforma da ONU e a tendência mundial de reforma do Estado e repercussões políticas e organizacionais da primeira; posição dos EUA frente à reforma da ONU.
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