Ivanir dos Santos

Entrevista

Ivanir dos Santos

Entrevista realizada no contexto do projeto "História do Movimento Negro no Brasil", desenvolvido pelo CPDOC em convênio com o South-South Exchange Programme for Research on the History of Development (Sephis), sediado na Holanda, a partir de setembro de 2003. A pesquisa tem como objetivo a constituição de um acervo de entrevistas com os principais líderes do movimento negro brasileiro. Em 2004 passou a integrar o projeto "Direitos e cidadania", apoiado pelo Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) do Ministério da Ciência e Tecnologia. As entrevistas subsidiaram a elaboração do livro "Histórias do movimento negro no Brasil - depoimentos ao CPDOC." Verena Alberti e Amilcar Araujo Pereira (orgs.). Rio de Janeiro: Pallas; CPDOC-FGV, 2007. A escolha do entrevistado se justificou, entre outros, por sua participação na comissão de organização do I Encontro Nacional de Entidades Negras (Enen).
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.
Entrevista em áudio disponível na Sala de Consulta do CPDOC.
Entrevista em vídeo disponível na Sala de Consulta do CPDOC.
Entrevista publicada em livro.
Referência completa: Histórias do movimento negro no Brasil - depoimentos ao CPDOC. Verena Alberti e Amilcar Araujo Pereira (orgs.). Rio de Janeiro: Pallas; CPDOC-FGV, 2007.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Verena Alberti
Amilcar Araujo Pereira
Data: 1/12/2003
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 2h0min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Carlos Alberto Ivanir dos Santos
Nascimento: 12/7/1954; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Formação: Graduado em Educação pela Faculdade Notre Dame (1979).
Atividade: Militante do Movimento Negro desde a década de 1970. Representa uma grande liderança, pois participou de todo o processo de crescimento e organização do Movimento Negro do Rio de Janeiro na década de 1980. Foi Subsecretário de Direitos Humanos e Cidadania do Estado do Rio de Janeiro. Foi fundador do Centro de Articulação das Populações Marginalizadas (CEAP) e, atualmente, é seu presidente. Fundou a Associação dos Ex-alunos da FUNABEM (ASSEAF). Participou da Comissão de Organização do I Encontro Nacional de Entidades Negras (ENEN).

Equipe

Levantamento de dados: Amilcar Araujo Pereira;
Pesquisa e elaboração do roteiro: Amilcar Araujo Pereira;

Transcrição: Amilcar Araujo Pereira; ;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes; Marco Dreer Buarque;

Sumário: Luisa Quarti Lamarão;

Temas

Classe média;
Discriminação racial;
Ensino;
Falecimento;
Família;
Movimento negro;
Negros;
Partidos políticos;
Polícia;
Política;
Racismo;
Religião;
Religiões afro-brasileiras;
Trajetória política;

Sumário

1ª Entrevista: 1/12/2003
Fita 1-A: origens familiares; a busca do pai, que conheceu após 40 anos; possíveis causas do falecimento da mãe em meados da década de 1960; separação da mãe, aos cinco anos, e internação no Serviço de Assistência ao Menor (SAM); a trajetória no SAM e na Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (Funabem); importância do professor de música da Funabem, Luís Gonzaga Pires, para a formação do entrevistado; atividades de resistência desenvolvidas na Funabem: criação de jornal (1971) e formação de grêmio.

Fita 1-B: os primeiros empregos, após desligamento da Funabem: professor de música em uma escola e trabalho em uma gráfica; o contato com a política partidária, por influência do professor Luís Gonzaga Pires; causa do falecimento da mãe, em meados da década de 1960; a visita ao padrasto, na ilha Grande, no início dos anos 1970; o contato com iniciativas do movimento negro contemporâneo, no início da década de 1970, no Rio de Janeiro; o processo de fundação da Associação dos Ex-alunos da Funabem (Asseaf), em 1979; o ingresso no curso de educação da Faculdade Notre Dame, em Ipanema, no Rio de Janeiro, em 1979; o trabalho como professor de música da Funabem, em diversas localidades, no Rio de Janeiro; contato com Togo Ioruba no Instituto Padre Severino e engajamento no movimento negro; o estigma que sofrem alunos e ex-alunos da Funabem e a especificidade da atuação do entrevistado no movimento negro decorrente dessa origem; contatos com militantes e instituições do movimento negro; comentário sobre grupos divergentes no Instituto de Cultura e Pesquisas Negras (IPCN), no Rio de Janeiro; lembrança de entrevistas com Beatriz Nascimento e Abdias do Nascimento, que chamaram sua atenção para a questão racial; as dificuldades do movimento negro em incorporar a seu discurso sobre a questão racial a situação dos alunos da Funabem, das prostitutas e de outros marginalizados; a luta contra a violência policial e grupos de extermínio; menção ao "passeato", passeata e ato público que constituiu a primeira manifestação de rua da Asseaf no Rio de Janeiro (1984); a criação do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap), em 1989, e a crítica de lideranças do movimento negro ao financiamento dessa entidade por recursos da cooperação internacional; a participação, primeiro, da Asseaf e, depois, do Ceap na organização dos I e II Encontros de Negros Sul-Sudeste e no I Encontro Nacional de Entidades Negras (Enen) (1991); menção à ausência do Movimento Negro Unificado (MNU) do I Enen; os planos do entrevistado para dar continuidade ao projeto do Enen, e sua decisão de se concentrar nas atividades do Ceap; a atuação do Ceap.

Fita 2-A: a qualidade do ensino na Escola Quinze, no Rio de Janeiro, e a caracterização de sua clientela; a participação do entrevistado, via Ceap, no processo de articulação do I Enen, em 1991; o lançamento da campanha de ação afirmativa do Ceap, baseada no símbolo das camélias, em novembro de 2003; mudanças de perspectiva, dentro do movimento negro, a respeito da questão das cotas para negros nas universidades públicas; a inserção da reserva de vagas para negros no relatório oficial que o governo brasileiro levou para a III Conferência Mundial de Combate ao Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, realizada em Durban, África do Sul, em setembro de 2001; a primeira lei de cotas do Brasil, Lei nº 3.708 aprovada pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) em 2001; a defesa de políticas de ação afirmativa como estratégia política do movimento negro; a importância do debate suscitado pela instituição de cotas em universidades públicas; a atuação política do movimento negro, em comparação com a atuação de partidos políticos, especialmente de esquerda; o significado da ação do movimento negro no Brasil à época da entrevista; os efeitos do ingresso de militantes do movimento negro na academia; relato da aproximação com o candomblé; comentário sobre sua origem e a relação com o pai, depois de encontrá-lo; os cinco filhos e dois netos do entrevistado e o aprendizado da convivência em uma casa, com família, em contraste com sua experiênica de crescer em alojamentos.

Fita 2-B: críticas ao discurso da Funabem à época em que era interno; a trajetória individual do entrevistado como típica, na sociedade brasileira; a busca das origens maternas; a realização da "Marcha contra a farsa da abolição", em 11/5/1988, na Candelária, no Centro do Rio de Janeiro: a reação do Exército e a repercussão do evento; os efeitos da "Marcha Zumbi dos Palmares contra o racismo, pela cidadania e a vida", realizada em 20/11/1995, em Brasília; o significado da inscrição de Zumbi no livro dos heróis nacionais, em 20/11/1996; a necessidade de envolvimento de toda a sociedade brasileira nas políticas de ação afirmativa; a importância da Lei nº 10.639, sancionada em janeiro de 2003, tornando obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nos ensinos fundamental e médio; a origem da idéia de que o 20 de Novembro fosse o dia nacional da consciência negra; avaliação da trajetória e dos avanços conquistados pelo movimento negro; a importância da ação afirmativa como estratégia do movimento e a repercussão da campanha baseada no símbolo da camélia, lançada pelo Ceap à época da entrevista; opinião sobre a criação da Secretaria Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial (Seppir), em março de 2003; a dificuldade de conciliar a vida familiar com as atividades da militância do movimento negro; o significado da militância no movimento negro para a trajetória pessoal do entrevistado.
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