José Israel Vargas I

Entrevista

José Israel Vargas I

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984).
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Nadja Vólia Xavier
Ricardo Guedes Pinto
Simon Schwartzman
Data: 1/7/1977
Local(ais):
Belo Horizonte ; MG ; Brasil

Duração: 5h15min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: José Israel Vargas
Nascimento: 9/1/1928; Paracatu ; MG; Brasil;

Formação: Bacharel e Licenciado em Química pela Universidade Federal de Minas Gerais em 1952, ingressando no Corpo Docente em 1953; Física (USP, não concluído), Radioquímica e Química Nuclear (Chile); Ph.D. pela Universidade de Cambridge, Inglaterra em 1959.
Atividade: 1960 – Chefe da Divisão de Física Nuclear e diretor do IPR/UFMG. 1966 – colaborador do Comissariado de Energia Atômica (CEA) em Grenoble, França. 1972 – Assessor da Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento. Planejamento empresarial e estratégico, CBTN 1973 – Chefe do depto. De Química do Instituto de Ciências Exatas da UFMG 1975 - Presidente da Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (CETEC) 1975 - Presidente da Fundação João Pinheiro 1975 - Coordenador da Política de Processamento de Dados do Estado de Minas Gerais 1977 - Secretário de Ciência e Tecnologia (Minas Gerais) 1979 - Secretário de Tecnologia Industrial do Ministério de Indústria e Comércio 1981 - Vice-Presidente da Academia Brasileira de Ciências 1982 - Membro do Conselho Executivo da UNESCO (exerceu cargos de vice presidente e presidente) 1985 - Assessor Especial do Ministro das Minas e Energia Aureliano Chaves 1986 - Membro da Comissão Nacional de Energia 1987 – Presidente do Comitê Consultivo sobre Tecnologia da OIT, Genebra (Suíça) 1990 - Membro do Clube Internacional para a Energia, Moscou. 1992-1998 – Ministro da Ciência e Tecnologia 1995 - Vice-Presidente da Comissão Internacional Independente sobre os Oceanos, da ONU e Presidente da Comissão Nacional.

Equipe

Levantamento de dados: Patrícia Campos de Sousa;
Copidesque: Cristiano Santiago de Sousa;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Acordos e tratados nucleares;
Argentina;
Atividade acadêmica;
Carreira acadêmica;
Centros de pesquisa;
Ciência e tecnologia;
Congressos e conferências;
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
Cooperação científica e tecnológica;
Desenvolvimento científico e tecnológico;
Dwight Eisenhower;
Empresas Nucleares Brasileiras S.A.;
Energia nuclear;
Ensino secundário;
Ensino superior;
Estados Unidos da América;
Física;
Formação profissional;
França;
Governo Emílio Médici (1969-1974);
História da ciência;
Inglaterra;
Instituições científicas;
Instituto Tecnológico da Aeronáutica;
Intercâmbio cultural;
José Israel Vargas;
Matemática;
Metodologia de pesquisa;
Minas Gerais;
Monopólio;
Movimento estudantil;
Pesquisa científica e tecnológica;
Política científica e tecnológica;
Política nuclear;
Química;
Recursos minerais;
Universidade de São Paulo;
Urânio;

Sumário

Fita 1: os primeiros estudos em Paracatu; o aprendizado das técnicas de carpintaria e metalurgia; o interesse pela mecânica e pela química; os estudos secundários no Colégio Marconi; a influência de Artur Versiani Veloso em sua formação; o ingresso na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFMG; a matemática em Belo Horizonte na época: as contribuições de Aguili e Baci; o curso de química da UFMG: a ênfase na química analítica; a transferência para a Faculdade de Filosofia da USP; a formação e a carreira de Aluísio Pimenta e de Herbert Magalhães; o ensino de física e matemática nos cursos de química da UFMG e da USP; o abandono da química pela física; o curso de física da USP; a participação na política estudantil; a volta a Belo Horizonte e o bacharelado em química em 1951; a contratação pelo Departamento de Física do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA); a vinda de David Bohm para o Brasil; a interpretação determinista da mecânica quântica defendida por Bohm e sua divergência com a escola de Copenhague; o ensino e a pesquisa no ITA e no Departamento de Física da USP; o desenvolvimento da física: o estudo das radiações cósmicas, a descoberta dos penetrant showers, o átomo de Bohr, a mecânica ondulatória de Schrádinger, a revolução conceitual de Heisenberg; o método científico; o início da física de aceleradores de partículas; a teoria de Yukawa e a descoberta dos penetrant showers por Gleb Wataghin, Marcelo Damy e Paulus A. Pompéia; a contribuição de Cesare Lattes: a descoberta do mésonPi e a produção artificial de mésons pesados; a Câmara de Wilson e a técnica de emulsões nucleares; a descoberta do pósiton em 1932; o desenvolvimento da física brasileira após a guerra: o prestígio de Cesare Lattes e a criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e do CNPq; o concurso para a cátedra de física do Colégio Municipal de Belo Horizonte; o curso de química nuclear ministrado por Alfred G. Maddock na Universidade de Concepción, no Chile; o reator de água pesada de JoliotCurie, Perrin, Kowaski e Pontecorvo; a criação do Comissariado de Energia Atômica da França, sob a presidência de Joliot-Curie; o Departamento de Química Nuclear da Universidade de Concepción.

Fita 2: a contribuição de Zelman ao desenvolvimento da química nuclear na Argentina; a química nuclear e a física nuclear; o curso de Maddock na Universidade de Concepción; o projeto de Cesare Lattes de construção de um ciclotron no Rio de Janeiro; o bétatron e o Van der Graaf do Departamento de Física da USP; as linhas de pesquisa do CBPF; a crise entre o CBPF e o CNPq e a desativação do projeto do ciclotron; a política nuclear de Álvaro Alberto e sua demissão da presidência do CNPq; as jazidas de urânio de Poços de Caldas; o início da química nuclear no CBPF; a teoria da gota de fissão de Otto Frish; o doutoramento na Universidade de Cambridge: os cursos de Fred Hoyle, Cockcroft e Walton, as conferências noturnas, o sistema de ensino; a construção do transistor no ITA, em colaboração com Nilton Bernardes, Jorge Suzmann, Karl Herman Weiss, Carlos Quadros e Walter Baltensperger; a opção do governo brasileiro pela produção de válvulas e suas conseqüências para o desenvolvimento da eletrônica no país: a desativação do grupo do ITA; a física do estado sólido e a física nuclear; a importância da física de raios cósmicos; os altos custos da física de partículas e a atração dos pesquisadores pela física dos sólidos; os trabalhos de Zillag e Maddock sobre as conseqüências físico-químicas das transformações nucleares; a produção científica do Cavendish Laboratory da Universidade de Cambridge: os trabalhos de William Bragg, Watson, Crick, Kapitza e Fresh; a física do estado sólido; as pesquisas realizadas em Cambridge sobre os efeitos físico-químicos das transformações nucleares; a descoberta do efeito Mössbauer e sua importância para a física; a criação do Instituto de Pesquisas Radioativas (IPR) da UFMG; o Programa de Átomos para a Paz de Eisenhower e a oposição do entrevistado à aquisição de reator de pesquisa norte-americano.

Fita 3: a fundação do Instituto de Tecnologia Industrial (ITI) de Minas Gerais; as linhas de investigação e a equipe de pesquisadores desse instituto; os trabalhos de Djalma Guimarães sobre os minérios atômicos brasileiros; a extinção do ITI e a criação do Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec); as atribuições do Cetec; a produção de álcool de mandioca pelo ITI; Francisco Magalhães Gomes e a fundação do IPR: o apoio do CNPq; o treinamento dos pesquisadores no CBPF e no exterior; o intercâmbio do IPR com a Universidade de Grenoble e o Centro Nuclear de Saclay; o acordo de cooperação técnica entre as Comissões de Energia Atômica da França e do Brasil; a construção do reator argonauta no Rio de Janeiro; a política nuclear defendida por Álvaro Alberto e Marcelo Damy; a criação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e o estabelecimento do monopólio governamental no setor nuclear; a intervenção na CNEN em 1964 e o afastamento de José Israel Vargas desse órgão; o "grupo do tório" de Belo Horizonte; a opção da França pela produção de urânio enriquecido; o acordo bilateral entre os EUA e a Inglaterra: o fornecimento da tecnologia do submarino nuclear em troca da desaceleração do programa inglês de enriquecimento do urânio; a aquisição e instalação do reator Westinghouse, durante o Governo Médici; a desativação do "grupo do tório"; a redefinição das regras de salvaguarda da Agência Internacional de Energia Atômica: a posição defendida pelo Brasil; a atuação da CNEN: o treinamento de pessoal no exterior, a reabertura do laboratório de tratamento de minérios; a decadência do IPR após sua incorporação à Nuclebrás: o êxodo dos pesquisadores; as pesquisas realizadas na Universidade de Grenoble; as linhas de trabalho do Cetec; ciência pura e ciência aplicada; o papel da ciência no desenvolvimento tecnológico nacional; a produção científica da Unicamp.

Fita 4: a massificação da pós-graduação e suas conseqüências para o desenvolvimento científico do país; a formação tecnocrática dos jovens universitários; a ciência brasileira contemporânea: a inexistência de massa crítica, a orientação da Finep; o Laboratório de Aplicações Especiais da Física de Grenoble; as relações universidade-indústria no país: as experiências da Unicamp e do Fundep/UFMG; a atuação da Academia Brasileira de Ciências e da Sociedade Brasileira de Física; a situação atual da física no país; o desenvolvimento da química brasileira; a contribuição científica de Hans Stammreich.
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