José Leite Lopes

Entrevista

José Leite Lopes

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984). A escolha do entrevistado se justificou por ser um dos maiores nomes da ciência brasileira e um físico internacionalmente reconhecido.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Tjerk Franken
Data: 7/7/1977
Local(ais):
Estrasburgo ; -- ; França

Duração: 6h35min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: José Leite Lopes
Nascimento: 28/10/1918; Recife; PE; Brasil;

Falecimento: 12/6/2006; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Formação: Química Industrial pela Escola de Engenharia de Pernambuco (1939); Física pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (1942); doutor em Física pela Universidade de Princeton, EUA (1946).
Atividade: Bolsista da fundação Zerrener, freqüentou os cursos no departamento de física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP (1943); assumiu interinamente a cátedra de física teórica da Faculdade Nacional de Filosofia (1946); alcançou a cátedra em 1948; recebeu o título de doutor em ciências da Universidade do Brasil; estagiou no Instituto de Altos Estudos de Princeton, como bolsista da fundação Guggenheim (1949); participou da fundação, foi professor titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e chefiou o departamento de física teórica desse centro (1949-1955); foi membro da Comissão de Energia Atômica do CNPq (1955-1956); trabalhou com Richard Feynman no Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos EUA (1956-1957); foi diretor científico do CBPF (1960); organizou e dirigiu o Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB) (1962-1964); foi professor visitante da Faculdade de Ciências de Orsay, em Paris (1964-1967); chefiou a divisão de física teórica do CBPF (1967); dirigiu o Instituto de Física da UFRJ (1967-1969); foi demitido do CBPF, seguiu para os EUA como professor visitante da Carnegie-Mellon University, em Pittsburg (1969); professor visitante (1970) e professor titular (1974) da Universidade Louis Pasteur, em Estrasburgo, França; foi sub-diretor do centro de pesquisas nucleares de Estrasburgo e diretor do Departamento de Altas Energias dessa Instituição (1975); reintegrou ao corpo docente da UFRJ (1969); atuação na criação da Comissão Nacional de Energia Nuclear e do Ministério da Ciência e Tecnologia; lecionou também na USP.

Equipe

Levantamento de dados: Patrícia Campos de Sousa;
Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Acordos e tratados nucleares;
Atividade acadêmica;
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico;
Bolsas de estudo e de pesquisa;
Capitalismo;
Carreira acadêmica;
Ciência e tecnologia;
Comissão parlamentar de inquérito;
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
Darcy Ribeiro;
Dependência econômica;
Desenvolvimento científico e tecnológico;
Dwight Eisenhower;
Energia nuclear;
Ensino superior;
Estados Unidos da América;
Europa;
Física;
Formação profissional;
Fundação Rockefeller;
Governo Getúlio Vargas (1934-1937);
História da ciência;
Instituições acadêmicas;
Instituições científicas;
João Alberto Lins de Barros;
José Leite Lopes;
Matemática;
Ministério da Educação e Cultura;
Pesquisa científica e tecnológica;
Política científica e tecnológica;
Política nuclear;
Política salarial;
Pós - graduação;
Professores estrangeiros;
Química;
Recursos minerais;
UNESCO;
Universidade de Brasília;
Universidade de São Paulo;
Universidade do Brasil;

Sumário

Fita 1: os estudos secundários no Colégio Marista de Recife e a opção pela química; a preparação para o vestibular da Escola de Engenharia de Pernambuco: as aulas de Mário Gesteira e Newton Maia; o ambiente político brasileiro em 1935; o corpo docente da Escola de Engenharia; o contato com Luís Freire e a influência deste professor em sua opção pela física e pela matemática; os primeiros trabalhos publicados; a participação no Congresso Sul Americano de Química de 1937: o trabalho apresentado, o contato com o ambiente científico do Rio de Janeiro; as relações com Mário Schenberg; a visita à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP: o contato com Luigi Fantappié, Gleb Wataghin e Marcelo Damy de Souza Santos; a influência de Osvaldo Gonçalves Lima em sua formação; a conclusão do curso de química industrial e a obtenção de bolsa da Indústria Peixe para prosseguir os estudos no Rio de Janeiro; o ingresso no curso de física da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil; o corpo docente dessa faculdade: os professores italianos; o convite de Luigi Sobrero para tornar-se assistente da cadeira de física matemática e o veto do reitor Leitão da Cunha à sua nomeação; a sobrevivência no Rio de Janeiro como professor do Instituto Lafayette; o ingresso do país na guerra e o afastamento dos professores italianos; a obtenção de bolsa de estudos do governo norte-americano, por indicação de Santiago Dantas; o estágio no Departamento de Física da USP: a bolsa da Fundação Zerrener, os cursos de Wataghin e Schenberg, o trabalho publicado com este cientista; a ida para os EUA; a pós-graduação na Universidade de Princeton: a orientação de Ladenburg e J. M. Jauch; a opção pela física teórica; a física experimental e a física teórica em São Paulo: os trabalhos de Gleb Wataghin, Mário Schenberg e Marcelo Damy; os estudos pós-graduados em Princeton; os seminários de Einstein, Weyl, von Neumann e outros grandes cientistas no Instituto de Altos Estudos de Princeton; o trabalho sobre a teoria dos pares de mésons escalares, realizado em colaboração com Jauch; a tese de doutoramento sob a orientação de Wolfgang Pauli; as relações entre professores e alunos nas universidades norte-americanas; o Instituto de Altos Estudos de Princeton: polo de atração de grandes cientistas; o retorno ao Brasil em 1946 para assumir interinamente a cátedra de física teórica da Faculdade Nacional de Filosofia; a física no Rio de Janeiro na época: Joaquim Costa Ribeiro e Bernhard Gross; os cursos ministrados na Faculdade Nacional de Filosofia e o trabalho realizado com Jayme Tiomno; a obtenção da cátedra de física teórica dessa faculdade; a viagem à Argentina, a convite da Associação Física Argentina: o contato com Ricardo Guns; a nomeação de Robert Oppenheimer para a direção do Instituto de Altos Estudos de Princeton após a guerra; a volta a Princeton para estagiar com Oppenheimer naquele instituto: a bolsa da Fundação Guggenheim; a atividade científica e o regime de trabalho dos docentes na USP e na Universidade do Brasil; o apoio da Fundação Rockefeller à física brasileira: a atuação de Harry Miller Jr.

Fita 2: o fracasso do acordo firmado entre a Função Rockefeller e a Universidade do Brasil para a contratação de Leite Lopes, Carlos Chagas Filho e Álvaro Vieira Pinto em regime de tempo integral; a troca de correspondência com Cesare Lattes; as descobertas de Lattes e seu sucesso no Brasil e no exterior; a criação da cadeira de física nuclear na Faculdade Nacional de Filosofia, com o objetivo de atrair Cesare Lattes para o Rio de Janeiro; João Alberto Lins de Barros e a criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF); os recursos iniciais do CBPF; o auxílio da Confederação Nacional das Indústrias e de Guilherme Guinle; a conquista da subvenção governamental; a fundação do CNPq; sua contribuição ao CBPF; o Simpósio Internacional sobre Novas Técnicas da Física; a expansão do CBPF: a contratação de Richard Feynman, Giuseppe Occhialini, Ugo Camerini, Jayme Tiomno e Guido Beck, o auxílio da UNESCO, os trabalhos de física teórica e física experimental, os bolsistas pernambucanos; a estruturação do CBPF: a carreira docente, o conselho técnico-científico e os departamentos; o Centre Européen de Recherches Nucléaires (CERN); a atração dos argentinos Daniel Amati e Alberto Sirlim pelo CBPF; a equipe de pesquisadores e técnicos dessa instituição; a crise do CBPF em 1954: o desfalque de Álvaro Biffini; a exploração política do episódio: o afastamento de Álvaro Alberto da presidência do CNPq e o arquivamento do projeto de construção do ciclotron; a participação do entrevistado na Comissão de Energia Atômica do CNPq; a política nuclear brasileira: as orientações de Álvaro Alberto e Juarez Távora; a experiência no secretariado científico incumbido de organizar a I Conferência Internacional das Nações Unidas sobre a Energia Atômica; o acordo bilateral, firmado antes da conferência, atrelando o Brasil à política nuclear norte-americana; a derrota do projeto de criação do Laboratório Nacional de Energia Nuclear, defendido pelo entrevistado no CNPq, em favor da criação do Instituto de Energia Atômica (I EA) da USP, proposto por Marcelo Damy; a aquisição do reator de pesquisa norte-americano pelo IEA; o Instituto de Pesquisas Radioativas da UFMG; a "supervalorização" da energia atômica e a oposição do entrevistado à organização de um instituto de pesquisas nucleares na Universidade do Brasil; a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a energia nuclear: os depoimentos de Álvaro Alberto e Leite Lopes; a criação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) em 1956; a orientação da CNEN: os acordos com os EUA, a inexistência de um programa nacional; as possibilidades de utilização do tório para a produção de energia nuclear no país e a falta de apoio governamental ao desenvolvimento dessa tecnologia; o "grupo do tório" de Belo Horizonte; a recusa do convite para integrar a delegação brasileira à II Conferência Internacional sobre as Aplicações Pacíficas da Energia Atômica; a atuação como diretor da Divisão de Ciências Físicas do CNPq; os principais núcleos e institutos de pesquisa física brasileiros; a natureza da atividade científica: o problema da neutralidade e da universalidade da ciência; a política nuclear brasileira: a submissão aos interesses dos EUA e demais países produtores de urânio; a distribuição dos recursos do CNPq entre os físicos; o Programa de Átomos para a Paz de Eisenhower; a participação dos físicos brasileiros nas decisões de política atômica: os simpósios de 1958; a organização da UnB: o seminário da SBPC sobre o projeto da nova universidade, a liderança de Darcy Ribeiro; o papel da SBPC; o contato do CBPF com a universidade: as aulas de Tiomno, Lattes, J. Giambiagi, Guido Beck e Leite Lopes na Faculdade Nacional de Filosofia; as Escolas Latino-Americanas de Física.

Fita 3: a criação do Centro Latino-Americano de Física, no Rio de Janeiro: a iniciativa do entrevistado, o apoio da UNESCO e do governo brasileiro; a nomeação para dirigir o Instituto de Física da UFRJ; sua gestão nessa instituição: o incentivo à volta ao país de professores radicados no exterior, o projeto do acelerador linear; a demissão do cargo em 1969, devido à precariedade das condições de ensino e pesquisa do Instituto; a aposentadoria compulsória da Universidade do Brasil e a contratação como professor visitante da Carnegie-Mellon University; a demissão do CBPF; o papel social dos cientistas; a experiência na direção científica do CBPF; os trabalhos sobre a ciência e a política cientifica na América Latina; suas atuais linhas de pesquisa; o Instituto de Física Teórica de São Paulo; o trabalho do físico teórico e o do físico experimental; a física teórica no Brasil e nos países desenvolvidos; os entraves ao desenvolvimento cientifico do país: a dependência da tecnologia estrangeira; a função social da ciência em países em desenvolvimento: a importância da ciência pura e da ciência aplicada; a superespecialização da física contemporânea; a produção científica nacional no campo da física teórica; a opção do entrevistado pela física teórica: a influência de Luís Freire; as finalidades do CBPF; sua contribuição para o desenvolvimento da pesquisa física no país e para a formação de jovens físicos latino-americanos; a origem da universidade brasileira; João Alberto e a criação do CBPF; a captação de recursos; a gestão de Álvaro Alberto no CNPq: a política defendida na Comissão de Energia Atômica; a crise do CBPF em 1954 e suas conseqüências: as divergências entre Lattes e Tiomno, o estremecimento das relações com o CNPq; o prestígio internacional do CBPF: a visita de pesquisadores estrangeiros, o apoio das fundações norte-americanas de amparo à ciência; as finalidades e a produção científica do CBPF.

Fita 4: Gleb Wataghin e a segunda geração de físicos brasileiros; os discípulos de Mário Schenberg, Cesare Lattes, Guido Beck e Leite Lopes; a motivação para a atividade científica; o mito do gênio; a terceira geração de físicos: Samuel Mac Dowell, Carlos Gomes, Moysés Nussenzveig, Mário Novelli; o incêndio da biblioteca do CBPF e sua reconstrução, com o apoio da Fundação Ford; a participação política dos físicos e seu prestígio na sociedade; as Faculdades de Filosofia da Universidade do Brasil e da USP: as condições de pesquisa, o regime de trabalho, os salários dos docentes, a contratação de professores estrangeiros; os recursos do CBPF e a importância de sua vinculação à universidade; a pesquisa científica na universidade e nos institutos isolados; o modelo francês: o Centre National de Ia Recherche Scientifique (CNRS); Ernesto de Oliveira Júnior e a Comissão Supervisora do Planejamento dos Institutos (COSUPI); o Conselho de Pesquisas da UFRJ; as relações com Alberto Galvão Coimbra; o auxílio do BNDE à ciência brasileira; a falta de recursos do Instituto de Física da UFRJ; a dependência econômica e tecnológica brasileira e o papel da ciência no país; a concepção e as linhas de pesquisa do CBPF; suas relações com a indústria: o auxílio da Confederação Nacional das Indústrias; o projeto de instalação de um acelerador atômico no Rio de Janeiro; a proposta de Amaral Peixoto de subordinar o CNPq ao Ministério de Educação e Cultura e a luta do entrevistado e de outros cientistas pela criação do Ministério de Ciência e Tecnologia; a perda de prestígio e a burocratização do CNPq; a atividade científica no Brasil, nos EUA e na Europa.

Fita 5: a dependência tecnológica nacional e a política científica do governo; as áreas de especialização da física teórica; o planejamento científico e a liberdade dos pesquisadores; a crise da universidade; ciência e capitalismo; a SBPC e a Academia Brasileira de Ciências; a atuação da Sociedade Brasileira de Física: a Revista Brasileira de Física; a troca de pré-publicações entre os físicos.
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