Jurema Batista

Entrevista

Jurema Batista

Entrevista realizada no contexto do projeto "História do Movimento Negro no Brasil", desenvolvido pelo CPDOC em convênio com o South-South Exchange Programme for Research on the History of Development (Sephis), sediado na Holanda, a partir de setembro de 2003. A pesquisa tem como objetivo a constituição de um acervo de entrevistas com os principais líderes do movimento negro brasileiro. Em 2004 passou a integrar o projeto "Direitos e cidadania", apoiado pelo Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) do Ministério da Ciência e Tecnologia. As entrevistas subsidiaram a elaboração do livro "Histórias do movimento negro no Brasil - depoimentos ao CPDOC." Verena Alberti e Amilcar Araujo Pereira (orgs.). Rio de Janeiro: Pallas; CPDOC-FGV, 2007. A escolha da entrevistada se justificou por ser uma importante militante do Movimento Negro desde o início da década de 1980.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.
Entrevista em áudio disponível na Sala de Consulta do CPDOC.
Entrevista em vídeo disponível na Sala de Consulta do CPDOC.
Entrevista publicada em livro.
Referência completa: Histórias do movimento negro no Brasil - depoimentos ao CPDOC. Verena Alberti e Amilcar Araujo Pereira (orgs.). Rio de Janeiro: Pallas; CPDOC-FGV, 2007.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Verena Alberti
Amilcar Araujo Pereira
Data: 26/4/2004 a 11/11/2004
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 2h20min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Jurema da Silva Batista
Nascimento: 9/8/1957; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Formação: Licenciada em Letras (Português/Literatura) - Universidade Santa Úrsula (1983).
Atividade: Militante do Movimento Negro desde o início da década de 1980. Foi vereadora do Município do Rio de Janeiro por três mandatos. Atualmente é deputada estadual do Rio de Janeiro (2002/2006) e é presidente da comissão de combate às discriminações e preconceitos de raça, cor, etnia, religião e procedência nacional da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Foi fundadora da Associação de Moradores e Amigos do Morro do Andaraí e dirigente da Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de janeiro.

Equipe

Levantamento de dados: Amilcar Araujo Pereira;
Pesquisa e elaboração do roteiro: Verena Alberti;Amilcar Araujo Pereira;

Transcrição: Amilcar Araujo Pereira; ;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes; Marco Dreer Buarque;

Sumário: Gabriel Cardoso;

Temas

Assembleia Legislativa;
Atividade profissional;
Câmara dos Deputados;
Câmara Municipal;
China;
Cidadania;
Cultura brasileira;
Discriminação racial;
Ensino;
Ensino primário;
Ensino superior;
Família;
Feminismo;
Gênero;
História;
Identidade;
Militância política;
Movimento negro;
Movimentos sociais;
Obras de referência;
Obras literárias;
Partido dos Trabalhadores - PT;
Política;
Racismo;
Religião;
Representações;
Rio de Janeiro (cidade);

Sumário

1° Entrevista: 26.04.2004

Fita 1-A: Origem; a infância no morro do Andaraí, no Rio de Janeiro, e a perda precoce da irmã mais nova; o trabalho da mãe como empregada doméstica e as vezes em que a entrevistada teve que dormir na casa das patroas da mãe; os estudos e o interesse pela leitura e escrita; o ingresso na Universidade Santa Úrsula, em 1980, e a possibilidade dada na época de permanecer na faculdade; a ingenuidade quando da entrada na faculdade; a visão de mundo cristã; comentários sobre o início do trabalho de alfabetização de adultos e a conscientização político-partidária e sobre o Movimento Negro; a filiação ao PT; o método Paulo Freire e as discussões sobre a realidade da comunidade do Andaraí; o assassinato de um trabalhador pela polícia e a criação e a presidência da Associação de Moradores do Morro do Andaraí, em 1981; a entrada na política de forma não planejada, em um momento de ebulição no país; a participação em um debate no Centro Acadêmico de História Luís Gama da Universidade Santa Úrsula, com Carlos Alberto Medeiros, Lélia Gonzalez e Hermógenes de Almeida Silva Filho; a tomada de consciência da questão racial; a criação do N’zinga Coletivo de Mulheres Negras, junto a Lélia Gonzalez, e a participação no I Encontro Feminista Latino-Americano, no Peru; a militância política; a primeira candidatura a vereadora no Rio Janeiro; as conquistas à frente da Associação de Moradores do Morro do Andaraí; a militância no Instituto de Pesquisa das Culturas Negras (IPCN); comentário sobre a necessidade de ocupar os espaços políticos.
Fita 1-B: O acesso à informação com a entrada na universidade; o contato com o Método Paulo Freire e a inscrição para ser educadora do MOBRAL; a militância aguerrida no Movimento Negro; comentários sobre o trabalho como assessora da então vereadora Benedita da Silva, de 1983 a 1985; a eleição para vereadora, em 1992; o trabalho pela prefeitura do Rio de Janeiro de supervisão das creches comunitárias municipais; comentários sobre a importância da Marcha de 1988, no centenário da abolição, e do Encontro Estadual da Mulher Negra, também em 1988; a naturalização do racismo durante a juventude; comentário sobre a passagem pela presidência do diretório Municipal do PT, em 1993; comentários sobre a presidência das CPIs das chacinas da Candelária e de Vigário Geral, durante o mandato na Câmara Municipal; a entrada no Movimento Negro Unificado (MNU); comentário sobre a passagem da militância para a atuação político-partidária; o início da terapia, em 1989, e o processo de autoconhecimento; comentários sobre a família.

2° Entrevista: 11.11.2004

Fita 2-A: O primeiro mandato como vereadora no Rio de Janeiro, em 1992; a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal; o aprendizado adquirido no primeiro mandato; a construção de diálogos entre pessoas, parlamento e instituições; comentários sobre a composição do mandato com militantes comunitários, do movimento negro e representantes dos grupos de apoio a campanha; o mandato como um laboratório para se tentar coisas novas; comentários sobre as comissões do parlamento e a atuação na presidência da Comissão de Direitos Humanos; comentário sobre a disputa na Comissão de Direitos Humanos e a sua cooptação por partidos de direita; comentários sobre a atuação nas comissões e a relação com os governos; a experiência do primeiro mandato e a eleição para o segundo; a terceira eleição para a Câmara Municipal, em 2000, após um hiato; a eleição para deputada estadual, em 2002; comentário sobre as negociações dentro do parlamento; o machismo dentro do parlamento; a discriminação racial velada no parlamento; comentário sobre a amplitude adquirida via movimento negro no trabalho como deputada estadual; o mandato como deputada englobando outras questões e não somente a questão racial; comentário sobre o projeto Favela-Bairro.
Fita 2-B: Comentário sobre o texto publicado no Jornal do Brasil contra a intervenção militar nas favelas cariocas e a origem do projeto Favela-Bairro; os projetos durante o mandato como vereadora; a identidade e a cidadania adquiridas com a discussão sobre a questão racial; a participação em debates em escolas de segundo grau; o crescimento do movimento negro; comentário sobre o racismo estrutural no Brasil; comentário sobre o projeto quesito cor e a sua importância na melhor destinação de recursos públicos; comentário sobre o projeto de capacitação de funcionários públicos, na tentativa de desconstrução do racismo; comentários sobre a autodeclararão e a construção da autoestima da comunidade negra; o encontro promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir a questão da mulher no mundo, em Beijing, na China, em 1995; a participação no encontro em Beijing e o início das legislações sobre equidade de gênero; comentários sobre a força e a presença de mulheres negras nos espaços de debate e representação.
Fita 3-A: Comentário sobre a conferência de Durban e suas repercussões no Brasil; a participação na marcha de Zumbi; comentário sobre a implementação da lei que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e a luta do movimento negro pela sua regulamentação nos estados; comentários sobre a política de cotas; os privilégios dos brancos no Brasil; a necessidade de uma reparação por parte do Estado brasileiro e a falsa ideia de meritocracia; comentário sobre a importância da representatividade; a ascensão social do negro no Brasil e a necessidade de cotas para além do ensino superior; as melhorias na condição de vida em relação às décadas passadas e o legado deixado para as próximas gerações; comentário sobre o trabalho em uma metalúrgica na juventude.


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