Lúcia Maria Xavier

Entrevista

Lúcia Maria Xavier

Entrevista realizada no contexto do projeto "História do Movimento Negro no Brasil", desenvolvido pelo CPDOC em convênio com o South-South Exchange Programme for Research on the History of Development (Sephis), sediado na Holanda, a partir de setembro de 2003. A pesquisa tem como objetivo a constituição de um acervo de entrevistas com os principais líderes do movimento negro brasileiro. Em 2004 passou a integrar o projeto "Direitos e cidadania", apoiado pelo Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) do Ministério da Ciência e Tecnologia. As entrevistas subsidiaram a elaboração do livro "Histórias do movimento negro no Brasil - depoimentos ao CPDOC." Verena Alberti e Amilcar Araujo Pereira (orgs.). Rio de Janeiro: Pallas; CPDOC-FGV, 2007. A escolha da entrevistada se justificou por ter sido uma das fundadoras da Criola, entidade do movimento de mulheres negras.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.
Entrevista em áudio disponível na Sala de Consulta do CPDOC.
Entrevista em vídeo disponível na Sala de Consulta do CPDOC.
Entrevista publicada em livro.
Referência completa: Histórias do movimento negro no Brasil - depoimentos ao CPDOC. Verena Alberti e Amilcar Araujo Pereira (orgs.). Rio de Janeiro: Pallas; CPDOC-FGV, 2007.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Verena Alberti
Amilcar Araujo Pereira
Data: 5/12/2003
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 2h45min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Lúcia Maria Xavier de Castro
Nascimento: 1/1/0001; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Formação: Graduada em Serviço Social - UFRJ (1984).
Atividade: Militante do Movimento Negro desde a década de 1970. Foi fundadora e atualmente é coordenadora de projetos da criola, organização de mulheres negras do rio de janeiro. Há mais de 11 anos dedica-se ao desenvolvimento de ações e projetos de assistência social junto às populações negras e pobres do estado do Rio de Janeiro. Foi vice-presidente do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente no período de outubro de 1996 até outubro de 1997.

Equipe

Levantamento de dados: Amilcar Araujo Pereira;
Pesquisa e elaboração do roteiro: Amilcar Araujo Pereira;

Transcrição: Amilcar Araujo Pereira; ;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes; Marco Dreer Buarque;

Sumário: Maurício Silva Xavier;

Temas

Assistência social;
Associações comunitárias;
Catolicismo;
Chile;
Discriminação racial;
Esquerda;
Gênero;
Indios;
Menor abandonado;
Menor carente;
Menor infrator;
Movimento negro;
Movimentos sociais;
Mulher;
Partido dos Trabalhadores - PT;
Polícia;
Racismo;
Religiões afro-brasileiras;
Serviço social;
Violência;

Sumário

Entrevista: 5/12/2003
Fita 1-A: origens familiares; recordações do envolvimento da mãe com o candomblé; a infância na casa dos avós paternos; lembranças do início da formação escolar; a transferência para um quarto alugado, na Tijuca, com a mãe e as irmãs, aos 12 anos; a formação católica da família paterna e o envolvimento com escolas de samba; o contato com o kardecismo e a umbanda, a partir dos 12 anos, em função da amizade de uma família espírita; a entrada recente no candomblé; programas de juventude na Tijuca: grupo jovem de igreja e cinema; as escolas secundárias freqüentadas pela entrevistada; a relação com a família espírita que ajudou a mãe da entrevistada e suas filhas a terem trabalho e estudo; os primeiros trabalhos da entrevistada, a partir dos 14 anos: em fábrica de materiais religiosos, em imobiliária e em escritório de advocacia; a preparação para o vestibular, em 1979.

Fita 1-B: a opção pelo vestibular para serviço social; características da familia espírita que apoiava a entrevistada; recordações sobre o convívio predominante com negros durante a infância e as instruções da avó para se enfrentar o racismo; a discriminação racial na escola, na Tijuca; o ingresso no movimento negro, em 1981: influências da mãe, do grupo de jovens que freqüentava escolas de samba e bailes soul, e o contato com o grupo Acorda Crioulo, da Cidade de Deus; estágios durante o curso universitário de serviço social, primeiro na Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos, e depois na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); a filiação ao Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN), em 1984.

Fita 2-A: o papel do IPCN na formação da identidade racial da entrevistada; os dilemas da profissão do serviço social; comparação entre as possibilidades de afirmação da identidade racial nos anos 1980 e à época da entrevista; a convivência de diferentes tendências, nos debates do IPCN; razões do rompimento com o IPCN e motivo pelo qual o IPCN está fechado à época da entrevista; a opção pelo movimento de mulheres negras e a importância da questão de gênero dentro do movimento negro; lembrança de algumas militantes do movimento de mulheres negras; origem da organização não governamental Criola, fundada em 1992, com participação da entrevistada; características do Centro de Articulação das Populações Marginalizadas (Ceap), fundado em 1989, e do IPCN, no desenvolvimento de ações sociais; o trabalho da entrevistada com crianças e adolescentes de rua, em articulação com atividades desenvolvidas no IPCN, como capoeira e cozinha afro-brasileira; o desenvolvimento do movimento de mulheres negras no Rio de Janeiro: articulação com associações comunitárias e movimento de favelas, a realização do I Encontro Estadual da Mulher Negra e a formação de organizações de mulheres negras; objetivos da criação da Criola, em 1992, e a importância da discussão sobre a homossexualidade, no movimento.

Fita 2-B: especificidades do movimento de mulheres negras; a falta de apoio da esquerda ao movimento negro; a importância do movimento de mulheres negras na luta contra o racismo: relação com o movimento negro e destaque na III Conferência Mundial de Combate ao Racismo, realizada em Durban, África do Sul, em setembro de 2001; descrição das atividades e da estrutura do grupo Criola: fundação, objetivos, desenvolvimento de oficinas, relato de experiências, o projeto "SOS criolinha", fontes de financiamento; a criação da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Rumo à III Conferência Mundial Contra o Racismo, em 2000.

Fita 3-A: a participação do movimento de mulheres negras na Conferência Regional das Américas, realizada em Santiago do Chile, em dezembro de 2000, como preparação para a Conferência Mundial contra o Racismo: relação com o movimento negro no Brasil, articulação com movimentos da América Latina e Caribe, contatos com o embaixador do Brasil em Santiago, relação com organizações dos povos indígenas; participação nas pré-conferências de Genebra e articulação com organizações africanas e de afro-descendentes; os debates sobre as questões relativas às mulheres negras no mundo: a semelhança de problemas e o surgimento de novas questões antes não cogitadas; a atuação durante a Conferência de Durban, entre 31/8 e 7/9/2001; atuação da Articulação de Organizações de Mulheres Negras: a participação na Conferência de Durban, sua reorganização no Brasil após a Conferência, sua estrutura e seu funcionamento à época da entrevista; a questão racial no Brasil, à época da entrevista: os limites das ações do Estado, as desigualdades raciais e o racismo no cotidiano, o significado das ações do movimento negro.

Fita 3-B: discussão sobre a insituição de cotas para negros nas universidades públicas; comentários sobre a postura da elite brasileira diante da questão racial no Brasil; a importância do trabalho de psicanálise realizado durante 11 anos; relato sobre violência policial sofrida pela entrevistada no Rio de Janeiro, em 1988; o trabalho com crianças de rua na década de 1980 e a opção pela questão de gênero na luta contra o racismo.

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