Maria Raimunda Araújo

Entrevista

Maria Raimunda Araújo

Entrevista realizada no contexto do projeto "História do Movimento Negro no Brasil", desenvolvido pelo CPDOC em convênio com o South-South Exchange Programme for Research on the History of Development (Sephis), sediado na Holanda, a partir de setembro de 2003. A pesquisa tem como objetivo a constituição de um acervo de entrevistas com os principais líderes do movimento negro brasileiro. Em 2004 passou a integrar o projeto "Direitos e cidadania", apoiado pelo Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) do Ministério da Ciência e Tecnologia. As entrevistas subsidiaram a elaboração do livro "Histórias do movimento negro no Brasil - depoimentos ao CPDOC." Verena Alberti e Amilcar Araujo Pereira (orgs.). Rio de Janeiro: Pallas; CPDOC-FGV, 2007. A escolha da entrevistada se justificou por ter fundado o Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN), e por seus cargos como primeira vice-presidente e presidente do CCN.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.
Entrevista em áudio disponível na Sala de Consulta do CPDOC.
Entrevista em vídeo disponível na Sala de Consulta do CPDOC.
Entrevista publicada em livro.
Referência completa: Histórias do movimento negro no Brasil - depoimentos ao CPDOC. Verena Alberti e Amilcar Araujo Pereira (orgs.). Rio de Janeiro: Pallas; CPDOC-FGV, 2007.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Verena Alberti
Amilcar Araujo Pereira
Data: 10/9/2004
Local(ais):
São Luís ; MA ; Brasil

Duração: 4h30min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Maria Raimunda Araújo
Formação:
Atividade: Professora/Pesquisadora. Fundadora do Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN), primeira vice-presidente da entidade (1980-1982), presidente no mandato seguinte (1982-1984).

Equipe


Transcrição:  ;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes; Marco Dreer Buarque;

Sumário: Gabriel Cardoso;

Temas

Alemanha;
Atividade profissional;
Dança;
Discriminação racial;
Educação;
Ensino primário;
Ensino secundário;
Escravidão;
Família;
Gilberto Alves (Gil);
Golpe de 1964;
História;
Infância;
Literatura;
Magistério;
Maranhão;
Militância política;
Movimento negro;
Museu Nacional;
Música;
Obras literárias;
Pesquisa científica e tecnológica;
Propriedade de terra;
Questão agrária;
Racismo;
Rio de Janeiro (cidade);
Rio de Janeiro (estado);

Sumário

Entrevista: 10.09.2004

Fita 1-A: Origens familiares; a infância; o trabalho do pai; o ambiente letrado na família e o estímulo dos pais da entrevistada à educação; o início da vida escolar; o encontro dos pais da entrevistada e a organização familiar; comentários sobre a avó paterna e sua influência; a ajuda na criação das irmãs e irmãos mais novos.
Fita 1-B: O interesse por música e as boas lembranças da infância; o processo de admissão e o ingresso no Ginásio Estadual do Instituto de Educação, em 1957; a discriminação do Instituto de Educação na separação das turmas; as mudanças no Instituto a partir de 1959; a rigidez e o ambiente repressivo do Instituto de Educação; a importância da diretora Oceanira Crisóstomo Galvão de Sousa na modernização do Instituto de Educação; o destaque da família no Instituto de Educação; a relação com as colegas de classe alta, todas brancas; a pouca presença de colegas negras no colégio; comentários sobre as festas e danças na juventude (primeira parte).
Fita 2-A: A proibição de negros se associarem nos clubes sociais no Maranhão; comentários sobre as festas e danças durante a juventude (segunda parte); comentário sobre ter aprendido a costurar desde cedo; o reconhecimento da entrevistada como negra; o início da atividade docente no Instituto dos Ferroviários do Maranhão, em 1964; o início do trabalho na véspera do Golpe Militar de 1964 e o choque pelas perseguições e prisões dos trabalhadores ligados à União dos Ferroviários, presidido por Benedito Teixeira; a oportunidade de lecionar para crianças negras no início da carreira e a libertação da timidez pelo magistério; a passagem de recreadora para professora; o início da abordagem da questão racial e do racismo em sala de aula; a mudança dos irmãos para estudarem no Rio de Janeiro; os relatos de racismo contados pelo irmão nas visitas que fazia do Rio e a percepção de que o racismo opera também de forma sutil; a influência do irmão no início das discussões sobre a questão racial; as diferenças e semelhanças entre o Rio de Janeiro e o Maranhão; a tomada de consciência sobre a questão racial; a inspiração em Ângela Davis.
Fita 2-B: A viagem ao Rio de Janeiro, em 1967; comentários sobre ter parado de alisar o cabelo e o racismo sofrido por isso; a viagem à Alemanha, em 1975; o enfrentamento individual ao racismo cotidiano; a influência do médico Cesário Coimbra; comentário sobre a recepção das crianças do Instituto Ferroviário ao cabelo natural da entrevistada; o início do curso de Comunicação Social, em 1971; comentários sobre a ida da irmã para a Alemanha; o aprendizado e as pesquisas de campo na época da faculdade; a ida para o Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais (IPES) do Estado do Maranhão como técnica em Comunicação Social; o ambiente de trabalho no Instituto; o início do trabalho de investigação e pesquisa em comunidades negras no interior do Maranhão.
Fita 3-A: A ida para a comunidade de Cruzeiro, no município de Dom Pedro, em 1977; comentários sobre os impactos dessa primeira visita a uma comunidade negra; a ida a outras comunidades, como Cajueiro, em 1979; comentários sobre as nomenclaturas e designações das comunidades; a memória da escravidão em algumas comunidades; comentários sobre a aquisição e o acesso à terra das comunidades; o contato com Alfredo Wagner e outros cientistas sociais ligados ao Museu Nacional; comentários sobre a grande presença de comunidades remanescentes de quilombos no Maranhão; as diversas histórias de origem das comunidades no Maranhão; a contradição dos históricos de cada comunidade com o Artigo 68 da Constituição Federal.
Fita 3-B: A relação com Cesário Coimbra; o mito da democracia racial; o conhecimento do Movimento Negro Unificado (MCU), a partir de jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro; a leitura de uma bibliografia referente à questão racial; a importância do professor Isidoro Cruz Neto para o movimento negro no Maranhão; comentários sobre a formação de um grupo de discussão e a primeira reunião organizada para o debate das questões raciais no Maranhão, em 1979, e suas repercussões; a participação de Gilberto Gil em uma das reuniões; a primeira dissidência no grupo; a viagem ao Rio de Janeiro e o intercâmbio com entidades negras e outras pensadoras, como Lélia Gonzalez; a formalização do grupo e a criação do Centro de Cultura Negra (CCN), com a entrevistada sendo a vice-presidente; a criação da Semana do Negro no Maranhão, em 1980.
Fita 4-A: A eleição da primeira diretoria do Centro de Cultura Negra (CCN) durante a I Semana do Negro, em 1980; a organização da I Semana do Negro; comentários sobre a programação, as diversas atividades da Semana do Negro e a recepção na periferia e no interior do estado; a participação da entrevistada no primeiro encontro do Memorial Zumbi em Alagoas, em 1980; a pesquisa da entrevistada no Arquivo Público do Maranhão e a utilização de documentos em palestras e debates nas escolas; o intercâmbio com entidades do movimento negro de outros estados e sua importância para o CCN; o convênio do CCN com a Secretaria de Educação, em 1982 e sua relação com os órgãos do estado; comentários sobre o rápido crescimento e o desenvolvimento do CCN; o estudo e a constante atualização da entrevistada; a influência dos blocos afros de carnaval.
Fita 4-B: A criação do bloco afro Akomabu, em 1984; a continuidade das pesquisas iniciadas em 1980; a ida para o Arquivo Público, em 1985, e o trabalho de pesquisa sobre a escravidão; a coordenação do projeto de mapeamento cultural das comunidades de Alcântara e a coordenação do Guia de Fontes para a História da África e da Escravidão Negra; a atuação como diretora do Arquivo Público, de 1991 a 2003; a elaboração de um projeto que resulta no livro Breve memória das comunidades de Alcântara; comentários sobre o início do CCN e a luta pela propriedade da terra das comunidades negras; o I Encontro de Comunidades Negras Rurais do Maranhão, em 1986; o foco maior do CCN na questão rural a partir de 1988; comentários sobre o projeto Vida de Negro; comentários sobre as atividades no período do centenário da abolição; a articulação dos movimentos negros no Maranhão com as questões nacionais; a participação da entrevistada no movimento atualmente; a saída do Arquivo Público e os trabalhos atuais, como o livro Histórias de quilombos e quilombolas no Maranhão e a pesquisa Apontamentos para a história do Movimento Negro.
Fita 5-A: O trabalho nos Apontamentos para a história do movimento negro e sobre festas e danças de preto; as discussões sobre ações afirmativas no Maranhão; a luta da população negra na zona rural; a necessidade de um debate que envolva uma variedade de temas e questões; a participação da família no movimento negro; a criação da biblioteca Eugênio Araújo, com o acervo da entrevistada e o arquivo do CCN; o nome da biblioteca em homenagem ao pai da entrevistada; comentários sobre o III Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros; a importância do trabalho atual de pesquisa e a necessidade de contar as histórias ainda não contadas; comentário sobre a prática de palestrante.
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