Mariléia Santiago

Entrevista

Mariléia Santiago

Entrevista realizada no contexto do projeto "História do Movimento Negro no Brasil", desenvolvido pelo CPDOC em convênio com o South-South Exchange Programme for Research on the History of Development (Sephis), sediado na Holanda, a partir de setembro de 2003. A pesquisa tem como objetivo a constituição de um acervo de entrevistas com os principais líderes do movimento negro brasileiro. Em 2004 passou a integrar o projeto "Direitos e cidadania", apoiado pelo Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) do Ministério da Ciência e Tecnologia. As entrevistas subsidiaram a elaboração do livro "Histórias do movimento negro no Brasil - depoimentos ao CPDOC." Verena Alberti e Amilcar Araujo Pereira (orgs.). Rio de Janeiro: Pallas; CPDOC-FGV, 2007. A escolha da entrevistada se justificou por sua participação na reestruturação do Centro de Estudos Brasil-África (Ceba) e por ter fundado e presidido o Conselho de Entidades Negras do Interior do Estado do Rio de Janeiro (Cenierj).
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.
Entrevista em áudio disponível na Sala de Consulta do CPDOC.
Entrevista em vídeo disponível na Sala de Consulta do CPDOC.
Entrevista publicada em livro.
Referência completa: Histórias do movimento negro no Brasil - depoimentos ao CPDOC. Verena Alberti e Amilcar Araujo Pereira (orgs.). Rio de Janeiro: Pallas; CPDOC-FGV, 2007.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Verena Alberti
Amilcar Araujo Pereira
Data: 11/12/2003
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 2h0min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Mariléia Santiago
Nascimento: 31/7/1948; Duque de Caxias; RJ; Brasil;

Formação: Formada em Pedagogia pela Suec, atual Universo (Universidade Salgado de Oliveira).
Atividade: Militante do movimento negro desde a década de 1980; liderança no Centro de Estudos Brasil-África; professora da rede Estadual de Ensino desde 1982; coordenadora de Escolas Diferenciadas da Secretaria Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro.

Equipe

Levantamento de dados: Amilcar Araujo Pereira;
Pesquisa e elaboração do roteiro: Amilcar Araujo Pereira;

Transcrição:  ;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes; Marco Dreer Buarque;

Temas

Casamento;
Dança;
Discriminação racial;
Educação;
Ensino feminino;
Ensino fundamental;
Ensino superior;
Família;
Movimento negro;
Movimentos sociais;
Mulher;
Negros;
Pedagogia;
Racismo;
Religião;
Religiões afro-brasileiras;
Rio Grande do Sul;
Volta Redonda;

Sumário

Entrevista: 11.12.2003

FITA 1-A
Origens familiares; trajetória escolar; transferência da família para Porto Alegre, aos sete anos; recordações da irmã Plácida, professora em Porto Alegre, que valorizava a cor da entrevistada, única menina negra na escola; a discriminação racial no Rio Grande do Sul, durante a juventude da entrevistada: os bailes "para morenos", o impedimento de freqüentar clube de brancos; o ingresso da família na Sociedade Beneficente Cultural Floresta Aurora, um clube "para morenos", em Porto Alegre; a importância dos clubes para negros para o fortalecimento da identidade racial; políticos negros do Rio Grande do Sul que funcionavam como referenciais para a comunidade negra; lembranças da vida social na Sociedade Beneficente Cultural Floresta Aurora: bailes e concursos de miss.

FITA 1-B
Relato de preconceito sofrido pelo pai da entrevistada em desfile de 7 de Setembro, em Porto Alegre; formação na Escola de Música Palestrina, em Porto Alegre; o primeiro casamento e a mudança para Volta Redonda; a transferência para Itaboraí, onde fundou uma escola de música e, posteriormente, uma escola regular; a trajetória acadêmica da entrevistada na área de pedagogia; ingresso na Secretaria Estadual de Educação e o exercício da função de coordenadora das Escolas Diferenciadas, à época da entrevista; contraste entre a vida no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, no que diz respeito à preocupação com as roupas e com a boa aparência; a opção pela militância no movimento negro, no início da década de 1980; as reuniões, no Teatro Opinião, de formação do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN), em 1975; a criação do Centro de Estudos Brasil-África (Ceba), em São Gonçalo (RJ), em 1975; o ingresso da entrevistada no Ceba, no início da década de 1980, e a organização de atividades para os jovens.

FITA 2-A
As atividades do Ceba em direção à valorização do jovem: festas, dança afro, produção de material, apresentações; as dificuldades de representatividade do Ceba em reuniões do movimento negro na cidade do Rio de Janeiro, por se tratar de um grupo considerado do interior; a fundação do Conselho de Entidades Negras do Interior do Estado do Rio de Janeiro (Cenierj), em meados da década de 1980; as rivalidades entre o movimento negro da capital do Rio de Janeiro e do interior, quando da fundação do Cenierj; considerações sobre a migração de muitos jovens negros para as religiões evangélicas; a função política das roupas e dos cabelos afro usados pelos militantes na década de 1980; a participação do Cenierj em eventos nacionais, como o tombamento da Serra da Barriga (1986) e o I Encontro Nacional de Entidades Negras (Enen) (1991); atuação do Cenierj e das entidades do movimento negro do interior do estado do Rio de Janeiro à época da entrevista.


FITA 2-B
Participação do Cenierj na "Marcha contra a farsa da abolição", realizada no Rio de Janeiro, em 1988, e na recepção ao arcebispo sul-africano Desmond Tutu, ao Rio de Janeiro; a relação entre o Ceba e outras entidades do movimento mistas e o movimento de mulheres negras, no final da década de 1980; o significado da III Conferência Mundial de Combate ao Racismo, realizada em Durban, África do Sul, em setembro de 2001, à qual a entrevistada compareceu como delegada do Cenierj; análise dos avanços do movimento negro; o processo de implementação das cotas para negros nas universidades públicas do estado do Rio de Janeiro, a partir a Lei nº 3.708, de 2001, aprovada pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj); a divisão de funções dentro do movimento negro: o exemplo do grupo dedicado a avançar na discussão sobre as cotas; a formação e a profissionalização das filhas, em administração e biblioteconomia; observações sobre a conscientização racial da neta de seis anos; opinião sobre a Lei nº 10.639, sancionada em janeiro de 2003, tornando obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nos ensinos fundamental e médio; crítica à criação de órgãos de governo voltados para a questão racial quando não lhes são garantidos recursos necessários; Zumbi dos Palmares e o continente africano como importantes referenciais na vida da entrevistada; a discriminação racial sofrida no exercício do cargo de coordenadora das Escolas Diferenciadas da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro à época da entrevista.
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