Mário Schenberg

Entrevista

Mário Schenberg

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984). A escolha do entrevistado se justificou por ser considerado o físico teórico mais importante do Brasil.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Tjerk Franken
Carla Costa
Data: 9/6/1978 a 10/6/1978
Local(ais):
Recife ; PE ; Brasil

Duração: 5h45min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Mário Schenberg
Nascimento: 2/7/1914; Recife; PE; Brasil;

Formação: Engenheiro Eletricista pela Escola Politécnica de São Paulo (1935); Ciências Matemáticas pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo - USP (1936).
Atividade: Foi assistente da cadeira de física teórica de Gleb Wataghin na USP (1936); estagiou no instituto de física de Roma e na Universidade de Zurique (1938); trabalhou com George Gamow na Universidade George Washington, com bolsa da fundação Guggenheim (1940); estagiou no instituto de estudos avançados de Princeton e no observatório astronômico de Yerkes (1940-1942); catedrático de mecânica racional, celeste e superior da Faculdade de Filosofia da USP (1944); elegeu-se deputado à assembléia legislativa de São Paulo na legenda do Partido Comunista do Brasil (1945-1947); foi pesquisador do centro de pesquisas nucleares da universidade de Bruxelas, Bélgica (1947-1953); dirigiu o departamento de Física da Faculdade de Filosofia da USP (1953-1961); integrou o corpo docente do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) (1967); foi cassado pelo AI-5 em 1969; foi anistiado e reintegrado à USP (1979-1983).

Equipe


Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Assembleia Legislativa;
Atividade acadêmica;
Ato Institucional, 5 (1968);
Atos complementares;
Bolsas de estudo e de pesquisa;
Cassações;
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
Cooperação científica e tecnológica;
Cooperação internacional;
Desenvolvimento científico e tecnológico;
Ensino superior;
Escola Politécnica;
Faculdade Nacional de Filosofia;
Física;
Formação profissional;
História da ciência;
Instituições acadêmicas;
Instituições científicas;
Intercâmbio cultural;
Itália;
Mário Schenberg;
Matemática;
Mercado de trabalho;
Partido Comunista Brasileiro - PCB;
Pesquisa científica e tecnológica;
Política salarial;
Pós - graduação;
Professores estrangeiros;
Rio de Janeiro (cidade);
São Paulo;
Sistema educacional;
Universidade de São Paulo;
Universidade Federal do Rio de Janeiro;

Sumário

Sumário da 1ª entrevista:
Fita 1: o interesse pela física e pela matemática; o ingresso na Escola de Engenharia de Pernambuco: o contato com Luís Freire; a transferência para a Escola Politécnica da USP; o bacharelado em ciências matemáticas na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP; a contratação como assistente de Gleb Wataghin; a iniciação na física teórica: os trabalhos sobre os princípios da mecânica quântica e a interação dos elétrons; a influência de Giuseppe Occhialini em sua formação; o estágio com Enrico Fermi no Instituto de Física de Roma: os trabalhos sobre a teoria dos showers de elétrons e as funções singulares; a experiência na Universidade de Zurique com Wolfgang Pauli: o interesse pela astrofísica; o contato com Juliot-Curie e o convite para proferir seminários sobre física nuclear no College de France; o estágio com George Gamow na Universidade George Washington: a bolsa da Fundação Guggenheim, o trabalho sobre o Processo Urca; as pesquisas sobre a teoria da relatividade geral realizadas no Instituto de Altos Estudos de Princeton; a obtenção da cátedra de mecânica racional da Faculdade de Filosofia da USP; os trabalhos sobre a teoria dos elétrons puntiformes realizados com José Leite Lopes; a repercussão internacional de seu trabalho sobre o Processo Urca nos anos 60; as pesquisas sobre a teoria dos elétrons puntiformes desenvolvidas na USP; os trabalhos sobre mecânica estatística realizados na Universidade de Bruxelas: a teoria de partículas indistingüíveis.

Fita 2: o desenvolvimento da física moderna no Brasil: o papel de Gleb Wataghin e da Faculdade de Filosofia da USP, Bernhard Gross e a física do estado sólido, o início da física nuclear, a contribuição de Occhialini e de Cesare Lattes; as condições de pesquisa e o ambiente de trabalho do Departamento de Física da USP; as principais revistas de física da época; o atual gigantismo dos laboratórios de física: as grandes equipes; o seminário sobre a "catástrofe infravermelha" proferido na Universidade de Roma; o contato entre alunos e professores nas universidades européias; a contratação pela USP; os salários dos docentes na época; o convite de Occhialini para trabalhar no Centro de Pesquisas Nucleares da Universidade de Bruxelas; os trabalhos realizados nessa universidade; a volta ao Brasil e a nomeação para a direção do Departamento de Física da USP; a experiência como administrador; os trabalhos sobre mecânica quântica e geometria desenvolvidos após 1955; a instalação dos laboratórios de estado sólido e de emulsões nucleares do Departamento de Física da USP; os trabalhos com fotografias de Câmaras de Boiler; a expansão do Departamento durante sua gestão: a criação de novas cadeiras, a instalação do acelerador Van der Graaf; a captação de recursos: o auxílio do CNPq e do governo de São Paulo; a aposentadoria compulsória em 1969; a participação no congresso de comemoração do 309 aniversário da introdução da teoria dos mésons nas forças nucleares por Hideki Yukawa; os trabalhos sobre a teoria da relatividade geral realizados a partir de 1965; a cassação pelo AI-5 e as conseqüências do Ato Complementar 75; o convite para trabalhar no Centre Européen de Recherches Nucléaires (CE RN) e o veto do governo brasileiro; o contato mantido com o exterior após a aposentadoria; a reintegração à USP em 1979.

Sumário da 2ª entrevista:
Fita 2 (continuação): origem familiar; o contato com Luís Freire na Escola de Engenharia de Pernambuco e a influência desse professor em sua formação; a iniciação na física teórica: os trabalhos sobre os princípios da mecânica racional e a interação dos elétrons; a publicação de trabalhos nos Anais da Academia Brasileira de Ciências; o prestígio dos Anais na comunidade científica internacional; a atual poluição de publicações de física; a Revista Brasileira de Física; os entraves à publicação de trabalhos em revistas internacionais; a física no Rio de Janeiro e em São Paulo; o início da física do estado sólido no Brasil.

Fita 3: as conferências proferidas no Instituto Nacional de Tecnologia e na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil; a demissão do CBPF em 1969; o Instituto de Física Teórica de São Paulo; a física no Rio de Janeiro: o CBPF e a Faculdade Nacional de Filosofia; a contribuição de Occhialini à física brasileira; a física teórica e a física experimental; os entraves ao desenvolvimento da física experimental no país; a instalação do computador da USP e suas aplicações à pesquisa física; a construção das grandes teorias da física; a influência de Occhialini em sua formação; a viagem à Europa em 1938; a participação política como deputado estadual, na legenda do Partido Comunista; a cassação do mandato em 1947 e a transferência para a Bélgica; sua gestão no Departamento de Física da Faculdade de Filosofia da USP: a expansão dos corpos docente e discente, a criação do laboratório de estado sólido, o incentivo às pesquisas de interesse tecnológico; o afastamento do cargo em 1961; os recursos para a pesquisa física no Brasil; a criação das cadeiras de mecânica quântica e física nuclear na Faculdade de Filosofia da USP; o apoio à instalação do acelerador Van der Graaf no Departamento de Física; o intercâmbio do Departamento com cientistas estrangeiros; o treinamento dos pesquisadores nos EUA e na Europa; a burocratização das universidades brasileiras e norte-americanas: o sistema de pós-graduação; a tradição universitária inglesa; os discípulos de Schenberg; a colaboração com João Meyer; os limites ao crescimento das universidades: a importância do contato pessoal entre alunos e professores.

Fita 4: o sistema de pós-graduação adotado no Brasil: suas conseqüências para a formação do jovem pesquisador; a produção científica nacional no campo da física; a atividade científica na universidade e nos institutos isolados; a burocratização da ciência e da universidade norte-americana; o declínio dos institutos de pesquisa isolados após a instituição da pós-graduação; a falta de mercado de trabalho para os profissionais de nível superior; a função da universidade e a crise do atual sistema universitário brasileiro; as antigas universidades européias; a formação dos professores de nível médio no país: o papel das Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras; o papel e a atuação da Academia Brasileira de Ciências e da SBPC; a contribuição do CNPq à ciência brasileira; a atuação da FAPESP; a importância da instituição da carreira de pesquisador, independente da carreira docente; a participação da comunidade científica na distribuição dos recursos do CNPq; a formação do jovem pesquisador no Brasil: os entraves do sistema universitário.
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