Oscar Sala

Entrevista

Oscar Sala

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984). A escolha do entrevistado se justificou por seu cargo como presidente da Sociedade Brasileira de Física, sendo o primeiro presidente da mesma, e presidente da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência, entre outras coisas.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Tjerk Franken
Ricardo Guedes Pinto
Carla Costa
Data: 25/1/1977 a 26/1/1977
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 6h10min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Oscar Sala
Nascimento: 26/3/1922; Milão ; --; Itália;

Formação: Física pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP (1945).
Atividade: Auxiliou Gleb Wataghin nas pesquisas no campo dos raios cósmicos; foi assistente da cadeira de física geral e experimental, regida por Marcelo Damy (1945); estagiou na Universidade de Illinois, nos EUA, com bolsa da fundação Rockfeller (1946); estagiou na Universidade de Wisconsin, nos EUA (1948); construiu o van der graaf (1949-1954); organizou e dirigiu o laboratório do acelerador eletrostático do departamento de física da Faculdade de Filosofia da USP; catedrático de física nuclear dessa faculdade (1962); instalou no instituto de física dessa universidade um novo acelerador eletrostático - o pélletron (1971).

Equipe

Levantamento de dados: Patrícia Campos de Sousa;
Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Acordo Nuclear Brasil - Alemanha (1975);
Ademar de Barros;
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social;
Bolsas de estudo e de pesquisa;
Cooperação científica e tecnológica;
Desenvolvimento industrial;
Ensino secundário;
Ensino superior;
Exército;
Física;
Força Aérea Brasileira;
Fundação Rockefeller;
História da ciência;
Intercâmbio cultural;
Máquinas e equipamentos;
Marcas e patentes;
Marinha;
Mercado de trabalho;
Oscar Sala;
Pesquisa científica e tecnológica;
Política científica e tecnológica;
Política nuclear;
Pós - graduação;
Professores estrangeiros;
São Paulo;
Universidade de São Paulo;

Sumário

Sumário da 1ª entrevista:
Fita 1: o interesse pela física; os estudos secundários no Colégio Universitário; o contato com Gleb Wataghin em Bauru, durante as experiências da Expedição Compton; o ingresso no curso de física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP; as pesquisas sobre raios cósmicos realizadas com Wataghin: a responsabilidade pela construção dos aparelhos de detecção; as experiências desenvolvidas com Elza Gomide na Faculdade de Medicina da USP e em Campos de Jordão; a continuação das pesquisas nos aviões da FAB e a obtenção da primeira medida do coeficiente de absorção das radiações cósmicas; o auxílio do governador Ademar de Barros às pesquisas de Wataghin; o incentivo de Wataghin ao desenvolvimento da física experimental na Universidade; a criação dos Fundos Universitários de Pesquisa da USP durante a gestão de Jorge Americano; a participação do Departamento de Física no esforço de guerra: a construção de sonares para a Marinha e de transmissores portáteis para o Exército; o conseqüente desenvolvimento da indústria eletroacústica nacional; a aquisição do bétatron da USP e sua importância para o desenvolvimento da física nuclear no país; a contratação como assistente de Marcelo Damy; a especialização em física nuclear com M. Goldhaber na Universidade de lllinois: os trabalhos sobre o isomerismo nuclear; o estágio na Universidade de Wisconsin com R. Herb: o estudo dos aceleradores eletrostáticos; o projeto do acelerador Van der Graaf da USP; a construção do aparelho: a participação da Cia. Bardela e do Parque de Aeronáutica de SP, a colaboração de Ernesto Hamburger, Moysés Nussenzveig, Phillip Smith e John Cameron; o programa de pesquisa do Van der Graaf: a contribuição de Paulo Saraiva de Toledo e de Shigueo Watanabe, o auxílio da Fundação Rockefeller e da Força Aérea Americana; o programa de cooperação científica entre o laboratório do acelerador eletrostático da USP e as Universidades de Oxford e Wisconsin; o auxílio da Fundação Nacional de Ciências dos EUA.

Fita 2: a importância do Van der Graaf para o desenvolvimento da física nuclear no país; a política de treinamento dos jovens pesquisadores no exterior; a contribuição do entrevistado à física brasileira; a inexistência de infra-estrutura para a pesquisa científica no país; o prestígio da física após a guerra; a massificação da pós-graduação e suas conseqüências para a atividade científica; o êxito de Wataghin no Departamento de Física da USP e a frustração dos professores estrangeiros contratados pela Unicamp; a atual dispersão dos programas de pesquisa no campo da física; a aquisição e instalação do pélletron do Instituto de Física da USP: o auxílio do BNDE; a importância da computação para a física nuclear; a interface do sistema de aquisição de dados elaborado por Tretino Paula, Cláudio Mammana e Sílvio Pacciornic; a tecnologia nacional para a construção de aceleradores; o programa de pesquisas do laboratório do pélletron: o intercâmbio com cientistas estrangeiros; a carência de técnicos especializados; o mercado de trabalho para os físicos pós-graduados; a formação do físico na USP; o curso de tecnologia de vácuo do Instituto de Física.

Fita 3: a importância da pesquisa básica nos países em desenvolvimento; o papel da universidade brasileira e suas relações com a indústria: a experiência da USP; o modelo das universidades norte-americanas.

Sumário da 2ª entrevista:
Fita 3 (continuação): a criação da Sociedade Brasileira de Física; a gestão de Oscar Sala nessa entidade; a experiência como diretor-científico da FAPESP de 1969 a 1974; os recursos e a administração dessa fundação; o programa de amparo à bioquímica: o projeto Bioq-FAPESP; a política de financiamento da FAPESP: o assessoramento da comunidade científica; o convênio com a Secretaria de Agricultura de SP; a origem do projeto Bioq-FAPESP; o auxílio da FAPESP à construção de analisadores de aminoácidos na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto; a resistência dos industriais à produção de equipamentos científicos; a viabilidade de fabricação das aparelhagens na própria universidade; o sistema de patentes no Brasil; a falta de intercâmbio entre os cientistas brasileiros; as reuniões anuais da SBPC; a criação da Interciência, sob a presidência da SBPC.

Fita 4: o papel da Academia Brasileira de Ciências e da Sociedade Brasileira de Física; a luta da SBPC pela institucionalização da carreira de pesquisador em São Paulo e contra a transformação dos institutos de pesquisa em sociedades anônimas; a responsabilidade social dos cientistas; a atuação da S13PC e suas relações com o governo; a carreira de pesquisador e a carreira universitária; a representatividade da Academia Brasileira de Ciências; a Academia de Ciências de São Paulo.

Sumário da 3ª entrevista:
Fita 4 (continuação): os entraves ao desenvolvimento da tecnologia nuclear no país: as relações entre os órgãos federais e a universidade; o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha; a proposta de utilização do Van der Graaf da USP para a tomada de dados nucleares e a falta de apoio do governo a essa iniciativa; o "grupo do tório" do Instituto de Pesquisas Radioativas da UFMG; a participação da comunidade acadêmica no programa nuclear brasileiro; a importância da ciência dos materiais para o desenvolvimento da tecnologia nuclear; o prestígio do físico no Brasil após a guerra; o reconhecimento da ciência como fator de desenvolvimento econômico e social e as relações do governo com a comunidade científica; o financiamento à ciência no Brasil; a oposição do entrevistado à criação do Ministério de Ciência e Tecnologia; a falta de infra-estrutura para a pesquisa científica no país; o difícil acesso às publicações internacionais; as bibliotecas do Instituto de Física da USP; a Revista Brasileira de Física; a opção dos físicos pela publicação de trabalhos em revistas internacionais; a revista Ciência e Cultura; a divulgação científica no Brasil: a contribuição de José Reis.

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