Otto Gottlieb

Entrevista

Otto Gottlieb

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984). A escolha do entrevistado se justificou por sua participação na criação do laboratório de Química de Produtos Naturais no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), em 1967, com financiamento da Fapesp.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Nadja Vólia Xavier
Ricardo Guedes Pinto
Simon Schwartzman
Data: 19/3/1977 a 13/4/1977
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil
São Paulo ; SP ; Brasil

Duração: 7h10min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Otto Richard Gottlieb
Nascimento: 31/8/1920; Brno; --; Tchecoslováquia;

Formação: Química Industrial pela Escola Nacional de Química da Universidade do Brasil (1945); Doutor em Química Orgânica pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ - 1966).
Atividade: Trabalhou na fábrica de seu pai, a Ornstein & Cia., produtora de óleos essenciais (1945-1960); ingressou no Instituto de Química Agrícola do Ministério da Agricultura, como bolsista do CNPq (1955); estagiou no Instituto Wizmann de ciências em Rehovoth, Israel (1960); foi efetivado no quadro químicos tecnologistas do Instituto de Química Agrícola (1962-1963); organizou e foi professor titular do departamento de química orgânica do Instituto Central de Química da UnB (1963); estagiou na Universidade de Indiana, nos EUA e foi professor visitante da Universidade Sheffield, na Inglaterra (1964); demitiu-se da UnB em 1965; livre docente de química orgânica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1966); organizou o laboratório de produtos naturais e foi professor assistente do Instituto de Química da USP (1967); foi professor titular, por concurso, na cadeira de química orgânica dessa universidade (1975).

Equipe

Levantamento de dados: Patrícia Campos de Sousa;
Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Amazônia;
Argentina;
Atividade acadêmica;
Bolsas de estudo e de pesquisa;
Botânica;
Ciência e tecnologia;
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
Cooperação científica e tecnológica;
Cooperação internacional;
Desenvolvimento científico e tecnológico;
Ensino secundário;
Ensino superior;
Escola Nacional de Química;
Exportação;
Formação de professor;
Governo João Goulart (1961-1964);
História da ciência;
Magistério;
Mercado de trabalho;
Otto Gottlieb;
Pesquisa científica e tecnológica;
Política científica e tecnológica;
Política educacional;
Política salarial;
Pós - graduação;
Professores estrangeiros;
Química;
Recursos vegetais;
Universidade de Brasília;

Sumário

Sumário da 1ª entrevista:
Fita 1: o interesse pela química: a influência familiar; os primeiros estudos na Tchecoslováquia e na Inglaterra; a vinda para o Brasil em 1939; a continuação dos estudos no Colégio Universitário; o ingresso na Escola Nacional de Química; a primeira experiência no magistério; o início da vida profissional na fábrica de óleos essenciais de seu pai; os primeiros trabalhos publicados: o método de titrimetria gasométrica; o ingresso no Instituto de Química Agrícola (IQA) em 1955: a bolsa do CNPq; a contribuição de Carl Djerassi ao desenvolvimento da química orgânica: a introdução de modernos equipamentos nos laboratórios; Walter Mors e a evolução da química orgânica no país; o xenofobismo da Universidade do Brasil e suas conseqüências para o desenvolvimento da química no Rio de Janeiro; a influência de Fritz Feigl no Brasil; o corpo docente da Escola Nacional de Química; o ingresso no IQA e o início de suas pesquisas sobre as plantas da Amazônia; as condições de pesquisa e a produção científica desse instituto: a publicação de trabalhos em revistas internacionais; o programa de colaboração entre Djerassi e Walter Mors: a vinda de Benjamim Gilbert, Bernard Tursch e Keith Brown para o IQA; a contribuição de Roderick Burnes à química brasileira; a tentativa frustrada de estabelecimento de um convênio entre a Universidade de Indiana e a UnB; a formação e a carreira de Ricardo de Carvalho Ferreira; o prestígio do IQA; as gestões de Taigoara Fleuri de Amorim e de Fausto Gai; as pesquisas aplicadas realizadas no Instituto.

Fita 2: a importância das pesquisas sobre a química de produtos naturais desenvolvidas no IQA; a participação nas comemorações do cinqüentenário da Associação Argentina de Química; a química orgânica na Argentina; o estágio de alunos da Escola Nacional de Química no IQA; a extinção do Instituto durante o governo de João Goulart; o estágio no Instituto Weizmann de Ciências, em Israel: as bolsas dó CNPq e do Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH), os trabalhos sobre os princípios anticancerígenos das curcubitáceas, as experiências com o espectrômetro de ressonância magnética nuclear, a orientação de David Lavie; a visita à Universidade de Bristol e o contato com William David Ollis; a volta ao Brasil e a divulgação da técnica de ressonância magnética nuclear; o Instituto de Antibióticos de Recife: a orientação de Osvaldo Gonçalves de Lima; a extinção do IQA; a exportação de produtos naturais brasileiros; a colaboração prestada ao Departamento de Química Orgânica da Faculdade de Filosofia da UFMG; a química orgânica em Belo Horizonte: Alaíde Braga de Oliveira e Marília Ottoni Pereira; o intercâmbio entre os químicos: a atuação da Associação Brasileira de Química; a carência de revistas nacionais de química; os Anais da Academia Brasileira de Ciências; a organização do laboratório de química orgânica da UnB : o recrutamento dos pesquisadores, o auxílio do Conselho Britânico; os estágios nas Universidades de Sheffield e Indiana; a crise da UnB em 1965: o expurgo de professores e a interferência do embaixador norte-americano em favor dos docentes demitidos.

Fita 3: a demissão da UnB, juntamente com a maioria do corpo docente; o modelo universitário brasileiro: a falta de infra-estrutura e o isolamento dos professores; a colaboração com cientistas estrangeiros: os trabalhos realizados com Ollis; a contratação pela UFRRJ para colaborar com Fausto Gai na organização da Escola de Química Industrial; a contribuição à implantação da pós-graduação na UFPE; o ensino de química no Brasil; a falta de mercado de trabalho para o químico industrial; os custos da pesquisa química contemporânea; o subdesenvolvimento da química brasileira: a ausência de massa crítica; os sistemas de financiamento do CNPq e da FAPESP; a falta de recursos para a continuação de suas pesquisas; a colaboração do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) ao laboratório de produtos naturais da USP; a situação atual da Escola de Química da UFRRJ: a transformação do curso de química em engenharia química, o não reconhecimento do curso de pós-graduação em química orgânica e a conseqüente evasão dos pesquisadores; a contratação pela USP e o contato mantido com a Universidade Rural.

Sumário da 2ª entrevista:
Fita 4: a colaboração de Gottlieb ao laboratório de fitoquímica do INPA: o curso de especialização em química de produtos naturais; a carência de botânicos no país e a organização do curso de pós-graduação em botânica do INPA; os trabalhos sobre o jacarandá e outras plantas brasileiras; as linhas de pesquisa do INPA; a decadência do laboratório de fitoquímica durante a gestão de Warwick Kerr; o fim do intercâmbio entre o INPA e a USP; o interesse do entrevistado pelo estudo das algas; a química dos produtos naturais; o trabalho desenvolvido no INPA; a organização do laboratório de produtos naturais da USP, a convite da FAPESP; a colaboração prestada à UFMG; o prestígio dos docentes na USP e nas universidades federais; as condições de pesquisa do laboratório de produtos naturais da USP; a carência de técnicos para a manutenção dos equipamentos; o ensino pós-graduado no país; o sistema de seleção dos docentes nas universidades brasileiras; os salários dos professores universitários.

Fita 5: a institucionalização da pós-graduação nas universidades e suas conseqüências para a atividade científica; o curso de pós-graduação em química da USP: o modelo norte-americano; a formação dos docentes do Instituto de Química da USP; os critérios de avaliação da produtividade dos pesquisadores; o aproveitamento dos pós-graduados pela universidade e pela indústria; o desenvolvimento de uma nova técnica de classificação de plantas: a sistemática bioquímica; as perspectivas de trabalho do laboratório de produtos naturais da USP; o projeto integrado de química, botânica e farmacologia de produtos naturais do CNPq; o divórcio entre os órgãos planificadores de tecnologia e a universidade; a reação dos botânicos à técnica de classificação das espécies segundo sua constituição química; a importância de suas pesquisas sobre a evolução das substâncias orgânicas; o desprestígio da ciência no Brasil.

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