Sérgio Porto

Entrevista

Sérgio Porto

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984). A escolha do entrevistado se justificou por ter sido membro da sociedade americana de física e da sociedade de ótica da América, entre outras coisas.
Forma de Consulta:
Entrevista datilografada disponível na Sala de Consulta do CPDOC.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Tjerk Franken
Ricardo Guedes Pinto
Francisco Lara
Nilton Bernardes
Data: 25/3/1977
Local(ais):
Campinas ; SP ; Brasil

Duração: 5h20min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Sérgio Pereira da Silva Porto
Nascimento: 19/1/1929; Niterói; RJ; Brasil;

Formação: Bacharel e licenciado em Química pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (dezembro-1946-1947), PHD em Física pela Universidade de Johns Hopkins, em Baltimore (E.U.A.) (junho-1954).
Atividade: Professor de química no Instituto de Educação de Niterói e instrutor de química orgânica da Faculdade de Filosofia em 1946. Tornou-se auxiliar de ensino da cadeira de físico-química dessa faculdade em 1948, foi contratado como professor assistente do instituto tecnológico da Aeronáutica-Ita em 1954, passando a professor associado em 1956. Em 1960 deixou o ita para integrar a equipe técnica dos laboratórios da Bell Telephone Company, em New Jersey, EUA onde trabalhou até 1965 quando foi convidado para chefiar o grupo de laser da Southern California University. Em 1974 regressou ao Brasil contratado como coordenador geral dos institutos de ciências da Unicamp. Proferiu seminários e colóquios em várias sociedades Científics e universidades brasileiras e norte-americanas e participou de inúmeras conferências internacionais de espectroscopia, nas quais apresentou mais de cinqüenta trabalhos. Foi membro da sociedade americana de física e da sociedade de ótica da América. Publicou cerca de noventa trabalhos em revistas nacionais e estrangeiras no campo da especstropia molecular - efeito Raman e aplicação de laser à física, à química e à medicina.

Equipe

Levantamento de dados: Patrícia Campos de Sousa;
Técnico Gravação: Celina Moreira Franco;

Temas

Arnon de Mello;
Bolsas de estudo e de pesquisa;
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
Cooperação científica e tecnológica;
Desenvolvimento científico e tecnológico;
Empresas estrangeiras;
Energia nuclear;
Engenharia;
Ensino superior;
Estados Unidos da América;
Faculdade Nacional de Filosofia;
Financiadora de Estudos e Projetos;
Física;
Formação profissional;
História da ciência;
Instituições científicas;
Instituto Tecnológico da Aeronáutica;
Intercâmbio cultural;
Máquinas e equipamentos;
Marcas e patentes;
Pensamento político;
Pesquisa científica e tecnológica;
Política científica e tecnológica;
Política salarial;
Pós - graduação;
Professores estrangeiros;
Química;
Reis Veloso;
Sérgio Porto;
Universidade do Brasil;

Sumário

Sumário da entrevista:
Fita 1: os físicos brasileiros mais citados na literatura científica mundial; os primeiros estudos no Colégio Brasil; origem familiar; o ingresso na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil; o interesse pela físico-química; a vocação científica; a influência dos professores Paulo Pinheiro Guedes, Horácio Pacheco e Otacílio Alemand em sua formação; o início da vida profissional como instrutor de físico-química da Faculdade de Filosofia e professor do Instituto de Educação de Niterói; o doutoramento em física na Universiade Johns Hopkins: a bolsa do Instituto de Educação Internacional, a tese sobre a molécula de hidrogênio, a orientação de Gerhard Dieke; a opção pela física do estado sólido; as debilidades do curso de química da Faculdade Nacional de Filosofia; a importância de João Cristóvão Cardoso em sua formação científica; a bolsa do CNPq para prosseguir o doutoramento nos EUA; a contratação pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) em 1954; a influência na formação de Rogério de Cerqueira Leite, João Bosco da Siqueira, Geraldo Tupinambá, Anísio dos Santos, José Ripper e outros físicos; a importância da física dos sólidos e da física atômica; a contribuição ao desenvolvimento dessas áreas científicas no país; a construção do primeiro espectrômetro de microondas brasileiro no ITA; a utilização, pioneira no Brasil, de computadores na pesquisa física; os trabalhos publicados; a luta pela transformação do ITA numa fundação: o apoio do brigadeiro Casemiro Montenegro Filho; o auxílio da Força Aérea Americana às suas pesquisas; a demissão do ITA; a contratação pela Bell Telephone Company.

Fita 2: os primeiros trabalhos sobre lasers novos e a aplicação de laser ao efeito Raman; a descoberta do efeito térmico do índice de refração com Cerqueira Leite; os salários na Bell Company; o estágio na Universidade do Colorado; a repercussão de seus trabalhos sobre a aplicação do laser ao efeito Raman: a filiação à Sociedade Americana de Física e Sociedade de ótica da América; a demissão da Bell Company para chefiar o grupo de laser da Southern California University; a situação da física brasileira nos anos 60: a falta de recursos e a evasão dos pesquisadores; a campanha do governo brasileiro pelo retorno dos cientistas ao país: a iniciativa do senador Arnon de Melo, o discurso na Câmara Federal; a volta ao Brasil em 1974 para coordenar os institutos de ciências da Unicamp; o desprestígio do cientista brasileiro junto à comunidade internacional; os discípulos de Sérgio Porto; a resistência inicial dos cientistas à aceitação de seus trabalhos; o interesse pelo desenvolvimento de técnicas de aplicação de laser à medicina; o sucesso das operações de vista e ouvido realizadas na Unicamp; a falta de recursos para suas pesquisas; as linhas de investigação do grupo de estado sólido da Unicamp; o prestígio do físico após a guerra; o "estrelismo" dos físicos brasileiros; a vinda de Cerqueira Leite, José Ripper, Sobral Júnior, Carlos Arguello e Sérgio Teles para a Unicamp; as rivalidades entre Marcelo Damy e Zeferino Vaz.

Fita 3: a briga entre Damy e Cerqueira Leite e a nomeação deste cientista para a direção do Instituto de Física da Unicamp; o afastamento de Damy da Universidade; as divergências entre Marcelo Damy, José Goldemberg e Oscar Sala; o regresso ao Brasil para coordenar os institutos de ciências da Unicamp; a experiência como administrador; a gestão de Cesare Lattes na direção científica do CBPF; o desfalque no Centro e a crise com o CNPq; a contribuição de Lattes à ciência brasileira; o posicionamento político-social do entrevistado; as relações com a Finep e o CNPq; FAPESP, as fontes de financiamento às suas pesquisas: o auxílio do ministro Reis Veloso; os altos custos da ciência contemporânea: a utilização de computadores e equipamentos sofisticados; a produção científica de Sérgio Porto: a apresentação de trabalhos em conferências internacionais; a formação dos físicos da geração pós-guerra; a experiência como consultor industrial; o papel da Unicamp: a ciência voltada para as necessidades nacionais; os principais núcleos de pesquisa física do país; a atração dos estudantes nordestinos pela física; o Instituto de Física da USP; a decadência do Instituto de Pesquisas Radioativas da UFMG após sua incorporação à Nuclebrás; o controle da produtividade dos pesquisadores: os relatórios anuais; a universidade como locas da atividade científica: a importância do intercâmbio interdisciplinar; crítica aos institutos de pesquisa isolados.

Fita 4: a organização e o regime de trabalho da Bell Telephone Company: as áreas de pesquisa, desenvolvimento e engenharia de produtos; o Departamento de Patentes da Bell; o sistema de patentes das universidades norte-americanas; o prestígio social dos físicos brasileiros e suas relações com o governo; a evasão de cérebros do país na década de 60; a vinda de Hans Stammreich para o Brasil e sua contribuição à ciência brasileira.

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados